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sexta-feira, 8 de maio de 2009

pecados de verão







No verão íamos sempre para a praia de manhã.
E de tarde para o meio do campo.

De facto era tudo um pretexto, o lugar
É sempre um pretexto para se fazer lá qualquer coisa.

Queríamos tirar as roupas; sentir o natural.
Experimentar ter pele, e passá-la nas várias texturas:

A relva, as pedras, o sal da água, a superfície
Do pecado, a passagem das escamas dos peixes.

No verão queríamos pecar, misturar tudo com tudo,
Cansados de um inverno de frascos encarnados à espera.

Fartos de prateleiras, cansados de livros, sonhávamos
Com o que se pode fazer dentro dos ocos das árvores

Enquanto as mães não vêem, a mão por dentro do soutien,
Esses primeiros gestos cheios de febre, pequenas sortidas

Queríamos pecar a todo o custo, como bandos de pombos
Largados das jaulas do resto do ano disciplinar: férias!

E as aves largadas eram as raparigas, era esse o tempo
Dos amores proibidos, do suor nos seios, dos extremeços e suspiros

E tudo isso se estendia como a superfície da relva, e esta
Se prolongava na superfície do mar, o verde e o azul

Cores enormes, horizontais, sobre as quais às vezes vinham cair
As primeiras gotas vermelhas da perda da virgindade. Que bom.


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Fotos: Frank Herholdt (rep. aut.)
Site: http://www.frankherholdt.com/html/personal_detail2.php?id=160&gallery=Personal

texto: voj porto maio 2009

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