sábado, 30 de maio de 2009

Alain Badiou, Carlos Vidal, e outros



Um livro muito interessante (pena na terceira parte se "perder" um bocado...ah, como é difícil a estruturação prolongada de um discurso coerente... há a partir desta parte alusões a múltiplos autores sem uma articulação clara) e que pode "servir" como uma introdução possível a aspectos do complexo pensamento de Alain Badiou, filósofo francês absolutamente fundamental (traduzido parcialmente em Portugal, mas algumas traduções são infelizmente de má qualidade):

Carlos Vidal,
"SOMBRAS IRREDUTÍVEIS. ARTE, AMOR, CIÊNCIA E POLÍTICA EM ALAIN BADIOU"
Lisboa, Edições Vendaval, s/d
(2005?)

ver sobre esta pequena mas EXCEPCIONAL editora, em: http://www.edicoes-vendaval.pt


Badiou, Zizek, Lacan... autores que, em certos sentidos, pertencem a uma mesma "família"... contra toda a traição da indiferença ao(s) acontecimento(s)...
Acontecimento, palavra-chave de Badiou.

_________

Da página web da editora:

"SOMBRAS IRREDUTÍVEIS

ARTE, AMOR, CIÊNCIA E POLÍTICA EM ALAIN BADIOU

Carlos Vidal

Analisa-se logo de início o eixo central da filosofia de Alain Badiou: a relação “acontecimento-verdade”, ou melhor, a inevitável eclosão de “acontecimentos” e “verdades”. Estes termos enfatizam o carácter clássico desta filosofia – neste ponto, a referência central é Platão, de quem Badiou herdará uma da suas militâncias: a oposição sem concessões entre verdade e opinião.

Depois, surge a definição de situação como ponto de partida para entendermos a irrupção de um acontecimento, porque em toda as situações há um potencial de inovação-transformação; o acontecimento surge precisamente daí, enquanto força de transformação que escapa ao conhecimento.

Como se afirmou, o acontecimento é o par da verdade. Uma verdade nasce sempre de um acontecimento (...)

Por fim, estudar-se-ão as consequências deste sistema – da ética à estética, passando pela política e por propostas de leitura da arte mais recente.

(Carlos Vidal é professor da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa)

(213 páginas; 18 €)"

___________________

Nota: Badiou (um dos quatro grandes autores franceses que arrancam de Althusser, seg, Zizek - Balibar, Rancière, Laclau, e Badiou) não é fácil, particularmente o seu livro "Ser e Evento" (eu tenho a tradução inglesa, o que não me facilita as coisas). Leia-se por exemplo o que sobre ele brilhante e claramente escreve Slavoj Zizek em "The Ticklish Subject".
Este livro é importantíssimo. Quem diz que o Zizek é uma espécie de Elvis da filosofia, diz uma palermice total e é digno de dó. Zizek é reconhecidamente um grande filósofo contemporâneo, e, para usar um vocabulário/conjunto de conceitos de Badiou, um evento, e que, tal como todo o evento, é a "verdade "do que está para trás (em termos comuns, desvela ou permite compreender retrospectivamente alguma ou muita da filosofia anterior, neste caso). O que se passa é os (6?) livros do Zizek publicados em Portugal não são os seus livros principais do ponto de vista filosófico.

Por exemplo, o Evento que foi a Revolução Francesa era em última análise imprevisível mas, ao eclodir, funciona como "revelador" da situação já insuportável do Antigo Regime como Ser, ou seja, permite perceber a sua verdade (tornada obscena, diria eu).




3 comentários:

Bruno Gouveia disse...

Tiramos ilações do passado
Para fazer acontecer o futuro
Mas mais do que tudo
Só o agora importa

Gonçalo Leite Velho disse...

O Carlos Vidal (para quem não sabe) costuma escrever no 5 dias: http://5dias.net/author/vidalt/

Vitor Oliveira Jorge disse...

Obrigado pela dica. Li este livro todo hoje...