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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

procura crítica

“Como qualquer procura autêntica, a procura crítica consiste, não em reencontrar o objecto procurado,mas em assegurar as condições da sua inacessibilidade.”
Giorgio Agamben, Stanze. Parole et fantasme dans la culture occidentale, Paris, Bourgois, 1981, p. 9.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

o fragmento





" a sua leitura é uma arqueologia: leitura de vestígios, intuição de marcas deixadas no seu corpo, mas que remetem para instâncias exteriores a ele. O vestígio, lembra Quignard, tem a mesma etimologia de "investigação". A investigação do leitor de fragmentos orienta-se no mesmo sentido do perdido, de uma origem (que em Novalis, paradoxalmente, está no futuro). O leitor de fragmentos, leitor por excelência melancólico e de olhar alegórico, é, numa bela expressão, quase intraduzível, de Pascal Quignard, frappé d'origine (tocado pelo sopro das origens?). Como aquele que os escreve, sente-se atraído pelos começos, e tende a multiplicá-los, adiando sine linea a conclusão."


João Barrento,
"O Género Intranquilo. Anatomia do Ensaio e do Fragmento", Lisboa, Assírio & Alvim, 2010, p. 77



terça-feira, 9 de março de 2010

Neoliberalismo (citação)





O neoliberalismo como forma de racionalidade

(primeiras palavras da Introdução ao livro “La Nouvelle Raison du Monde. Essai sur la Société Néolibérale”, de Pierre Dardot e Christian Laval, Paris, La Découverte, 2009, pp. 5 e 6)

“O neoliberalismo não acabou. Apesar do que muitos pensam, ele não é uma ideologia passageira que vai desaparecer com a crise financeira; não é somente uma política económica caracterizada por dar um lugar preponderante ao comércio e à finança. Trata-se de outra coisa, trata-se de bem mais do que isso: da maneira como vivemos, como sentimos, como pensamos. O que está em jogo não é mais nem menos do que a forma da nossa existência, quer dizer da maneira como somos pressionados a comportar-nos, a nos relacionarmos com os outros e connosco próprios. Com efeito, o neoliberalismo define uma certa norma de vida nas sociedades ocidentais e, bastante para além delas, em todas as sociedades que as seguem no caminho da “modernidade”. Esta norma apela a que cada um viva num universo de competição generalizada, apressa as populações a entrar em luta económica umas contra as outras, ordena as relações sociais pelo modelo do mercado, transforma mesmo o indivíduo, de agora em diante levado a conceber-se como uma empresa. Desde há cerca de um terço de século, esta forma de existência preside às políticas públicas, comanda as relações económicas mundiais, transforma a sociedade, remodela a subjectividade. As circunstâncias deste sucesso normativo foram descritas muitas vezes. Tanto no aspecto político (conquista do poder pelas forças neoliberais), como no aspecto económico (o desenvolvimento do capitalismo financeiro mundializado), como no aspecto social (individualização das relações sociais em detrimento das solidariedades colectivas, polarização extrema entre ricos e pobres), como ainda no seu aspecto subjectivo (aparecimento de um novo sujeito, desenvolvimento de novas patologias psíquicas). Essas são as dimensões complementares da nova razão do mundo. Por tal devemos entender que esta razão é global, nos dois sentidos que este termo pode revestir: ela é “mundial” no sentido em que é válida desde logo à escala do mundo, e, além disso, longe de se limitar à esfera económica, ela tende a totalizar, quer dizer, a “fazer mundo”, pelo seu poder de integração de todas as dimensões da existência humana. Razão do mundo, ela é ao mesmo tempo uma “razão-mundo”.

O neoliberalismo é assim a razão hoje dominante. Não empregamos aqui o termo como um eufemismo para evitar pronunciar a palavra “capitalismo”. O neoliberalismo é a razão do capitalismo contemporâneo, de um capitalismo que se desembaraçou das suas referencias arcaizantes e se assume plenamente como construção histórica e como norma geral da vida. O neoliberalismo pode definir-se como o conjunto dos discursos, das práticas, dos dispositivos que determinam um novo modo de governo dos homens segundo o princípio universal da concorrência.”

(trad. VOJ)

domingo, 13 de dezembro de 2009

Livro sublime de Agamben, de cuja escrita nunca sai nada que não nos exalte!

NUDITÉS
Paris, Éditions Payot/Rivages, 2009 (ed. italiana, "Nudità", também de 2009)

Há dias noticiei aqui este livro e, ontem já tarde, agarrei-me a ele para já não largar.
Há um capítulo que tem o mesmo título do livro - é indescritivelmente lúcido, belo, erudito, enfim, não há palavras.
Apetecia-me traduzi-lo todo, mas é claro que não devo nem posso. Apenas um pequeno reflexo, que traduzo, do clarão fabuloso que é o pensamento deste gigante da cultura europeia contemporânea (algumas linhas do fim deste capítulo - pp. 145 e 146) que só se compreendem na sua plenitude se se ler o livro todo, bem entendido:


" O ROSTO BELO QUE EXIBE A SUA NUDEZ SORRINDO DIZ SOMENTE: "TU QUERIAS VER O MEU SEGREDO? TU QUERIAS DESVELAR [TIRER AU CLAIR] O MEU ENVELOPE? POIS BEM, OLHA ISSO, SE ÉS CAPAZ, OLHA ESTA AUSÊNCIA DE SEGREDO TÃO ABSOLUTA QUÃO IMPERDOÁVEL! " O MATEMA DA NUDEZ É, NESTE SENTIDO, SIMPLESMENTE ESTE: HAECCE! " NÃO HÁ NADA MAIS SENÃO ISSO". E, CONTUDO, É JUSTAMENTE ESTE DESENCANTAMENTO DA BELEZA NA NUDEZ, ESTA SUBLIME E MISERÁVEL EXIBIÇÃO DA APARÊNCIA PARA ALÉM DE QUALQUER MISTÉRIO E DE QUALQUER SIGNIFICAÇÃO QUE ESTANCA DE UM CERTO MODO O DISPOSITIVO TEOLÓGICO PARA FAZER VER, PARA ALÉM DOS PRESTÍGIOS DA GRAÇA E DAS SEDUÇÕES DA NATUREZA CORROMPIDA, O CORPO HUMANO NA SUA SIMPLICIDADE INAPARENTE. A DESACTIVAÇÃO DO DISPOSITIVO AGE ÀS AVESSAS, QUER DIZER, TANTO SOBRE A NATUREZA COMO SOBRE A GRAÇA, TANTO SOBRE A NUDEZ COMO SOBRE O VESTUÁRIO, LIBERTANDO-OS DA SUA ASSINATURA TEOLÓGICA. ESTA SIMPLES PRESENÇA [DEMEURE] DA APARÊNCIA NA AUSÊNCIA DE SEGREDO É O SEU TREMOR [TREMBLEMENT] ESPECIAL - A NUDEZ QUE, COMO UMA VOZ BRANCA, NÃO SIGNIFICA NADA E NOS TRESPASSA PRECISAMENTE POR ESTA RAZÃO."


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Meu deus, como é possível haver coisas tão fulgurantes, uma filosofia que é já poesia, que fundiu a sublimidade do pensamento com o pensamento do sublime, quando ao mesmo tempo a vida é maioritariamente feita de misérias, de ridicularias, de vulgaridades e de stresses sem fim ...
E anda tanta gente a julgar que escreve poesia, ou que pensa alguma coisa de jeito (eu incluído)... dá vontade de parar a cacofonia do mundo.


domingo, 29 de novembro de 2009

identidade e negação versus diferença e repetição

Anti-hegelianismo generalizado a que Deleuze se refere logo no prólogo de "Diferença e Repetição" (1968, trad. port. Relógio d' Água, Lisboa, 2000, com prefácio de José Gil, pp. 35 e 36):


"(...) a diferença e a repetição tomaram o lugar do idêntico e do negativo, da identidade e da contradição, pois a diferença só implica o negativo e se deixa levar até à contradição na medida em que se continua a subordiná-la ao idêntico. O primado da identidade, seja qual for a maneira pela qual esta é concebida, define o mundo da representação. Mas o pensamento moderno nasce da falência da representação, assim como da perda das identidades, e da descoberta de todas as forças que agem sob a representação do idêntico. Nele, o homem não sobrevive a Deus, nem a identidade do sujeito sobrevive à identidade da substância. Todas as identidades são apenas simuladas, produzidas como um "efeito" óptico por um jogo mais profundo, que é o da diferença e da repetição. Queremos pensar a diferença em si mesma e a relação do diferente com o diferente, independentemente das formas de representação que as conduzem ao Mesmo e as fazem passar pelo negativo."


Eis todo um programa ambiciosíssimo, mas vital, que tem a ver, por exemplo, com o que ainda ontem se discutia à tarde na conferência e na conversa de café que se lhe seguiu... (ver postagem anterior)


[sublinhados a cor e a itálico de minha "autoria"]

Lapidar


(Clique na imagem para ler)

Expresso, suplemento ActuaL, 28 de Novembro de 2009 p. 53

sábado, 31 de outubro de 2009

diferença e repetição





Deleuze a propósito de Proust:


"A diferença e a repetição só se opõem aparentemente e não existe um grande artista cuja obra não nos faça dizer: "A mesma e no entanto outra."

"Proust e os Signos", Rio de Janeiro, Forense Universitária, 2ª ed. 2006, p. 46

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Edição francesa deste livro:
  • Poche: 224 pages
  • Editeur : Paris, Presses Universitaires de France - PUF (2003)
  • Collection : Quadrige Grands textes
  • Langue : Français
  • ISBN-10: 2130539521
  • ISBN-13: 978-2130539520


"Présentation de l'éditeur
Le mot " signe " est un des mots les plus fréquents de la Recherche, notamment dans la systématisation finale qui constitue le Temps retrouvé. La Recherche se présente comme l'exploration des différents mondes de signes, qui s'organisent en cercles et se recoupent en certains points. Car les signes sont spécifiques et constituent la matière de tel ou tel monde. On le voit déjà dans les personnages secondaires : Norpois et le chiffre diplomatique, Saint-Loup et les signes stratégiques, Cottard et les symptômes médicaux. Un homme peut être habile à déchiffrer les signes d'un domaine, mais rester idiot dans tout autre cas : ainsi Cottard, grand clinicien. Bien plus, dans un domaine commun, les mondes se cloisonnent : les signes des Verdurin n'ont pas cours chez les Guermantes, inversement le style de Swann ou les hiéroglyphes de Charlus ne passent pas chez les Verdurin. L'unité de tous les mondes est qu'ils forment des systèmes de signes émis par des personnes, des objets, des matières ; on ne découvre aucune vérité, on n'apprend rien, sinon par déchiffrage et interprétation. L'œuvre de Proust n'est pas un exercice de mémoire, volontaire ou involontaire, mais, au sens le plus fort du terme, une recherche de la vérité qui se construit par l'apprentissage des signes. Il ne s'agit pas de reconstituer le passé mais de comprendre le réel en distinguant le vrai du faux. Gilles Deleuze, lecteur de Proust, est aussi l'interprète de Bergson, Nietzsche ou Spinoza. L'intelligence de l'œuvre est certes un plaisir de l'esprit ou une dégustation des sens. Elle est aussi un chemin de la connaissance."



quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Crise extraordinária dos saberes

"(...) este mal-estar na educação procede talvez menos de uma crise social, económica, política e mesmo moral do que numa crise propriamente extra-ordinária dos saberes - já que o saber está ordinariamente em crise."



Bernard Stiegler
La Technique et le Temps. 3. Le Temps du Cinéma et la Question du Mal-être, Paris, Galilée, 2001, p. 225.

(tradução minha - é PRECISO ler o livro todo - é riquíssimo)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

herança de um "passado puro"

" A herança de um passado puro - crer no seu passado fantasmaticamente partilhado - é um fantasma necessário, inevitável, fundador de uma soberania plena e inteira e de um direito absolutizável: tal é a questão que põe o cinema da nação. Este fantasma necessário e inevitável, soube-o o cinema americano simultaneamente "satisfazer" e desviar ou inverter com a mitologia da conquista do Oeste, apagando evidentemente a história, apagando o massacre do Índios, à qual tantas crianças bem como adultos do mundo inteiro se identificaram. O poder americano, tanto a sua moeda como o seu exército, é a forças das imagens hollywoodescas, é a capacidade de produzir símbolos novos, modelos de vida e programas para o domínio de programas a nível mundial (...)"


Bernard Stiegler
La Technique et le Temps.3. Le Temps du Cinéma et la Question du Mal-être
Paris, Galilée, 2001, p. 164

terça-feira, 20 de outubro de 2009

começar a pensar

" (...) Marx sustentou sempre que não começamos verdadeiramente a pensar senão a partir da análise do material da técnica e da tecnologia (...)"


Bernard Stiegler
La Technique et le Temps.3. Le Temps du Cinéma et La Question du Mal-être,
Paris, Galilée, 2001, p. 137

sábado, 17 de outubro de 2009

Pluralidade e unidade








"Todas as técnicas éticas deixam o sujeito moral insatisfeito, porque ignoram a sua unidade; o sujeito não pode contentar-se com uma vida que seria uma sequência, mesmo que ininterrupta, de instantes felizes; uma vida perfeitamente conseguida [réussie] elemento por elemento não é ainda uma vida moral; falta-lhe ainda o que faz dela a vida de um sujeito, a unidade.
"Mas ao inverso, o pensamento religioso,fundamento da obrigação, cria no pensamento ético uma procura de justificação incondicional,que faz com que qualquer acto e qualquer sujeito apareça como inferior à unidade real; reportados a uma totalidade que se dilata até ao infinito, o acto e o sujeito moral apenas têm significado na sua relação com essa totalidade; a comunicação entre a totalidade e o sujeito é precária, porque o sujeito é constantemente transportado à dimensão da sua própria unidade, que não é a da totalidade; o sujeito ético é descentrado pela exigência religiosa."


Gilbert Simondon
"Du Mode D' Existence des Objets Techniques", Paris, Aubier, 3ª ed., 1989, pp. 177-178.
(Trad. minha)

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Foto acima: Mosteiro do Escorial, Espanha, biblioteca
Foto voj out. 2009
A glória e independência do interior (como aliás da fachada - não há correspondência entre as duas), típica do espírito barroco, que se encontra tamnbém na ideia da mónada de Leibniz: v. Gilles Deleuze, "Le Pli. Leibniz et le Baroque", Paris, Les Éditions de Minuit, 1988 - um livro fundamental.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

desertos: energia!

“Os desertos recebem em 6 horas mais energia do que a humanidade consome num ano” (Gerhard Knies).


Fonte: Newsletter GPPQ - Outubro 2009

Contacto: Newsletter newsletter@mailling.gppq.mctes.pt

domingo, 27 de setembro de 2009

ser "criativo"... segundo Bernard Stiegler

"(...) ser "criativo", quer dizer fazer obra, é produzir negantropia. Ora os ditos "criativos" são criadores de "valor" avaliável no mercado, e são antes agentes que trabalham na adaptação entrópica do sistema, mas que não fazem obra alguma: fazer obra [oeuvrer] é sempre trabalhar no sentido do incalculável - quer dizer para essa infinidade do desejável que faz com que um processo de individuação seja constituído pelo seu carácter inacabado."


"Pour Une Nouvelle Critique de l' Économie Politique", Paris, Galilée, 2009, p. 67


OBRA A TRADUZIR URGENTEMENTE !!!!!!!!!!!!!
(esta citação é tradução minha)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Bernard Stiegler: precisão e clareza de pensamento!

Do livro fundamental "La Technique et le Temps. 3. Le Temps du Cinéma et la question du mal-être", Paris, Galilée, 2001 (os dois anteriores volumes - desta série de 4 que o autor promete - estão esgotados já em francês, podendo adquirir-se a versão inglesa). Trata-se de uma obra de grande ambição, que se pode ler, como o autor adverte no início, mesmo antes dos vols. 1 e 2, e que se baseia numa reflexão sobre a Crítica da Razão Pura de Kant, que o autor confessa ter levado anos para inteiramente compreender:

p. 34 (tradução minha):

"(...) a singularidade da técnica de registo cinematográfico resulta de uma conjugação de duas coincidências:
- por um lado, a coincidência fotofonográfica entre passado e realidade - "há uma dupla posição conjunta: de realidade e de passado". que induz este "efeito de real", quer dizer, de crença, em que o espectacular é instalado a priori pela própria técnica;
- por outro, a coincidência entre fluxo do filme e fluxo da consciência do espectador deste mesmo filme, que, pelo jogo criado entre poses fotográficas, ligadas entre si pelo fluxo fonográfico, despoleta o mecanismo de adopção completa do tempo do filme pelo tempo da consciência do espectador, a qual, sendo ela própria um fluxo, é captada e "canalizada" pelo fluxo das imagens. Este movimento, investido pelo desejo de histórias que habita todo e qualquer espectador, liberta os movimentos de consciência típicos da emoção
cinamatográfica. "



Brilhante!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Prece do sufismo islâmico (versão mística que, confesso, me atrai)


"Ó, Senhor, se te prestar culto por medo ao inferno, faz com que eu nele arda. Se te adorar por ter esperança no paraíso, proíbe-mo. E se te adorar por ti mesmo, não me prives da tua beleza eterna."

(Rabi'a al' Adawiyya de Basra, 713-781)

citado por S. Zizek, "Violência", Lisboa, Relógio d' Água, 2009, p. 123, nota 103.

A "religião anónima do ateísmo"


" O malogro de todos os esforços visando unir as religiões prova que a única maneira de se ser religioso em geral se encontra sob a bandeira da "religião anónima do ateísmo".


Slavoj Zizek,

VIOLÊNCIA, Lisboa, Relógio d' Água, 2009, p. 119

sábado, 15 de agosto de 2009

Um "cheirinho" de Zizek, que alguns teimam em ignorar como grande pensador que é... lá chegarão!


"Ao contrário dos verdadeiros fundamentalistas, os terroristas pseudo-fundamentalistas sentem-se profundamente preocupados, intrigados, fascinados, pela vida pecaminosa dos não-crentes. Sentimos que, ao combaterem o pecaminoso Outro, combatem a sua própria tentação."

in "Viloência", Lisboa, Relógio d' Água, 2009, p. 80.

Claro que a citação acima só faz sentido se integrada na leitura de todo o livro, que recomendo vivamente, tal como por exemplo "O Sujeito Incómodo", saído também este ano em português aquando da feira do livro, pela mesma editora, a qual tem prestado ao país um serviço cultural digno de distinção!


quinta-feira, 18 de junho de 2009

Como contraponto a coisas que tenho postado aqui de André Gorz e de Yann Boutang


Sugiro Bernard Stiegler, por exemplo neste seu belo livro de entrevistas:
"ÉCONOMIE DE L'HYPERMATÉRIEL ET PSYCHOPOUVOIR. Entretiens avec Philippe Petit et Vincent Bontemps", Paris, Mille et Une Nuits (Fayard), 2008.
Para os que falam de capitalismo pós-industrial, é interessante esta transcrição que faço de pequeno excerto da contra-capa:

"Longe de desaparecer, a industrialização prossegue e reforça-se, investindo em novos campos, invisíveis, que vão das nano-estruturas até aos fundamentos neurológicos do inconsciente, passando pelas biotecnologias: os campos do hipermaterial, onde a matéria é sempre já uma forma (como ao nível quântico), onde a forma é sempre já uma informação (quer dizer um estado transitório de matéria produzido por um material) e onde o "imaterial" aparece no que é: uma fábula que enche os espíritos de fumo."

Pensador da técnica, da tecnologia, Stiegler é capital para os arqueólogos.
Um dos seus inspiradores: André Leroi-Gourhan. Outro: Gilbert Simondon.


Adenda:
ESTE LIVRO É FANTÁSTICO !!!!!!!!!!! DEVIA SER TRADUZIDO !!!!!!!!!!



sábado, 13 de junho de 2009

representação


"A representação pode então reencontrar o seu sentido exacto e primeiro (filosófico e artístico): não uma reprodução, ela própria submetida aos limites de "um ponto de vista", mas um gesto que traz à presença, uma apresentação. Esta está em relação com a verdade. A verdade da apresentação supõe a parte de retracção [
retrait] que não pertence à presença,  um fundo ou uma ausência de fundo "mesmo ao fundo" da própria presença.
Se há o irrepresentável,
 isso não é o efeito de uma interdição ou de uma impotência, é porque na
 presença se abre sempre este recuo para o fundo. A verdade de uma
 representação consiste em tomar em conta [prendre en charge] essa abertura [creusement]. "

Jean-Luc Nancy
"L' Art et la Mémoire des Camps. Représenter
 exterminer", dir. de Jean-Luc Nancy,  Paris, Seuil, 2001, p. 11 (tradução
 minha)


quarta-feira, 10 de junho de 2009

Do "Público" de 23 de Janeiro de 2002, retiro este extracto de crónica do E. P. Coelho, que vem a propósito de algo que me aconteceu recentemente...


Eis o extracto (clique nas imagens para ler):



Agradeço à Susana O. J. ter-me relembrado esta crónica, que incluiu no seu diário...