


Também já entrou nesta casa, tão pequeno que cabia num bolso do meu casaco, em 1994. Está velhote.
Gostamos muito dele. Vamos esperar que aguente esta prova dura, ao menos durante um tempo, e nós também... a vida é feita constantemente desta teia diária de boas e más notícias, de perdas e de ganhos, de imprevistos e de uma tentativa de lutarmos contra a entropia. Ter uma certa idade é habituarmo-nos a esta precaridade, a esta fragilidade. Vivemos no luto... desconhecíamos esse sofrimento meramente sussurrado, esse som de fundo de aviso, quando éramos novos. Não tenho saudade desses tempos. Eu próprio me preparo todos os dias para o desencanto. Tentando sempre reencantar-me, por vezes num acto já desesperado, mas tranquilo. Por isso me agito tanto. Por isso trabalho tanto. Por isso saboreio cada momento desta casa onde estou com o luxo de ter algum tempo disponível e um mínimo de condições de conforto. Fruindo cada momento, cada dia. Com a minha companheira, com os nossos gatos. Isto pode parecer ridículo, mas creio que só a pessoas desalmadas.