I am not

I am not
quotation

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Dizia eu ontem a um amigo…

Dizia eu ontem a um amigo…

Cada vez mais penso que é no Pensamento Crítico Contemporâneo (Zizek e tantos, tantos outros) que está a solução para nos orientar no pensar e no agir... estou por exemplo a reler de Zizek O SUJEITO INCÓMODO (Lisboa, Relógio d’ Água, 2009) - é difícil, pois seria preciso, par ir mais longe do que eu vou, dominar minimamente Kant, Hegel, Lacan etc. - por isso também a maior parte das pessoas não se arrisca aí.
Quando alguém se confronta com visões dessas (Zizek e outros), vê claramente que tem de se descentrar (no meu caso, que fiz uma carreira em arquelogia, em relação ao que julgava saber a partir desse campo particular, que é tão bom como qualquer outro, é claro, para “entrar” no conhecimento…)
Um arqueólogo estrangeiro, meu amigo, que esteve recentemente entre nós, disse-me que andava a ler o Quentin Meillassoux - discípulo de Badiou. Difícil. Ficou admirado quando eu lhe disse que já tinha lido o livro mais conhecido dele, em 2011 - mas, claro, é um ambiente para o qual não tenho preparação devida. Faço o possível por entender, sobretudo por compreender o quadro dos problemas, estabelecer uma certa cartografia que me oriente.
O Zizek critica-o (ao Meillassoux), embora o considere... é o mesmo com o Deleuze; o Zizek admira-o muito, mas pensa que o Deleuze, sobretudo quando se associou ao Guattari, foi pelo caminho errado.
Um zizekiano muito importante é o jovem (e produtivo como tudo, inteligentíssimo) Adrian Johnston. Mas dizem-me que o Zizek não concorda lá muito com ele, o que é perfeitamente normal... Então mandei vir um recente do Zizek, que um amigo meu também anda a ler, ABSOLUTE RECOIL, para ver se percebo em que é que discorda. Este Adrian caracteriza a filosofia (ontologia) de Zizek como uma teoria materialista transcendental da subjetividade.
Kant viu questões fundamentais, mas ao mesmo tempo ficou longe; precisamos de ir ao Hegel. Por exemplo, sobre a relação entre Razão e Entendimento. Só compreenderemos Hegel sobre isso se percebermos como funciona a sua dialéctica, bem ao contrário do que nos ensinaram. Para Hegel, a Razão é o Entendimento privado da ilusão da existência de outro domínio, ou coisa, para além dele (explica-nos Zizek).
E acrescenta (op. cit., pp. 97-98): “Começamos por escolher o Entendimento e, depois, num Segundo movimento, escolhemos outra vez o Entendimento, mas sem lhe acrescentar nada (isto é, sem a ilusão de que existe uma outra capacidade, “superior”, além ou aquém dele, mesmo que essa capacidade “superior” se chame Razão) – e esse Entendimento, despojado da ilusão de que há algo para além dele, é a Razão.”
Temos de facto de compreender o que significa a dialéctica, a negação da negação hegeliana. É crucial.
Muito redutora e simplificadamente, trata-se de perceber como se dá, por exemplo, a passagem de um estádio A para um estádio B – a negação imediata de A permanece dentro dos seus limites simbólicos (Zizek, ib., p. 85), devendo ser seguida por uma segunda negação, “que nega o próprio espaço simbólico comum a A e à sua negação imediata” (id, ib).
Trata-se da célebre passagem lógica do Em-si ao Para-si. Escreve Zizek: “(...) a necessária passagem do Em-si ao Para-si implica a lógica da repetição; quando qualquer coisa se torna “para si”, nada muda verdadeiramente nela; ela apenas reafirma (re-observa) o que já estava em si. Portanto, a “negação da negação” não é outra coisa senão uma repetição no seu estado puro: durante um primeiro momento, é efetuado um certo gesto, que falha; depois, num segundo momento, o mesmo gesto é simplesmente repetido. A Razão não é mais do que o Entendimento que a despoja do seu excedente de Além supra-sensível irracional (...).” (id, p. 87)
Que adianta falarmos seja do que for se não sabemos pensar aquele que pensa, ou seja, cada um de nós, isto é, a questão do sujeito? E assim voltamos a Descartes, a quem Zizek faz logo uma referência no início deste livro.
Andamos entretidos com a arqueologia no seu sentido corrente (mas já não há praticamente meios para a fazer em termos de investigação continuada e planeada) - é fantástica para pensar com o corpo todo, é um domínio estimulante de trabalho intelectual e manual em equipa, é um modo de interrogação da realidade que levanta problemas fundamentais – mas, como para qualquer outro domínio, a montante põe-se o problema: como diabo surgiu na modernidade e para que serve hoje, de facto, esta disciplina, esta investigação, quando o pode ser? Para construir narrativas evolutivas?... Para alimentar as indústrias do património, quer dizer, o turismo?
O turismo é incontornável, claro, temos de ser realistas, mas é evidente que não podemos estar amarrados ao conhecimento como pura mercadoria, temos de lutar por uma visão diferente, por mais absurda que hoje pareça no contexto verdadeiramente inquietante em que nos encontramos, de operacionalização de tudo e de todos em função do êxito e do lucro por si mesmos, como únicos valores.
Por mim, gosto também de ter êxito, acho que tive algum, gosto de ter a disponibilidade para comprar um livro, fazer uma viagem, viver uma vida decente, mas nunca me moveu, francamente, possuir muita coisa pelo gosto de possuir: basta-me fruir, com felicidade, sentido de realização pessoal, em companhia de outros, sem, provincianismo, antes com outros que, algures no mundo, partilham os mesmos interesses e inquietações.
Estou fora dessa lógica do “empreendedorismo”, fui professor universitário por necessidade de ter um salário e pelo gosto de contactar com jovens e com colegas, e adoro investigar pelo prazer de conhecer e de me afirmar, mas de me afirmar no seio de uma equipa, sem a qual nunca poderia ter feito nada, só projetos sem consequência. Uma afirmação forte e consequente é sempre partilhada, senão morre sem consequências de maior. Não podemos ter um país de flashes, de grandes personagens que posteriormente passamos a vida a incensar.
Qualquer antropologia (no sentido geral) é redutora, se não considerar o problema do sujeito, o problema da subjetividade, nem a questão da dialéctica, que são básicas, entre muitos outros tópicos - creio. Não conheço um único “teórico da arqueologia” atual verdadeiramente empenhado em dar passos significativos como aqueles que no seu tempo deram Childe, Binford, Renfrew, Hodder – talvez tudo se tenha tornado mais complexo, evidentemente.
Apenas me ocorre realmente Julian Thomas como interlocutor (infelizmente ele vive em Manchester e eu aqui perto de Lisboa agora). E, em antropologia, obviamente,Tim Ingold, mas está em Aberdeen, mas há um conjunto de coisas – como o seu desgosto pela psicanálise – que quanto a mim mostram qual a moldura em que a sua genialidade (não creio ser exagero usar a palavra, é mesmo extremamente arguto) se move, mas não me preenche as questões fundamentais. Renovador em muitos aspectos, Ingold tende para uma visão da realidade que, em última análise, se inspira na fenomenologia, e é, parece-me, tendencialmente conservadora, malgré lui... Parece-me, modestamente... mas posso estar enganado. O que me preocupa é que não há debate sobre estas questões em Portugal.
A grande questão para mim é: como pensar a temporalidade (Heidegger evidentemente preocupou-se muito com isso, com esse tema antiquíssimo como sabe, é um tópico da filosofia de todos os tempos) e a história desconhecendo as interpretações revistas de Hegel, nomeadamente a de Malabou, Zizek, e tantos outros?... e a questão da ideologia e da dialéctica, da causalidade, etc. Não há grande tradição de debate destas matérias em Portugal, apesar de depois do 25 de Abril o ambiente filosófico e das ciências sociais e humanas se ter aberto enormemente, é claro.
Eu, até certo ponto descentrei-me (em termos problemáticos) da arqueologia estrita para a antropologia, depois para as questões do património, e depois vi que tinha de ir para a chamada filosofia.
Mas o caminho é árduo e eu, quando olho para o espalho, compreendo que tenho já pouco tempo de lucidez à minha frente; há uma urgência que não é estimulada nem acarinhada pelo meio hostil em que vivemos hoje.
A psicanálise lacaniana é indispensável, sem que se possa absolutizar Lacan –é um grande erro criar Mestres indiscutíveis, seja quem eles forem. Todavia, entrar em Lacan só é possível com a ajuda de muito poucos em Portugal - veja-se o esforço do Prof. José Martinho e da Antena da Escola Freudiana, bem louvável, mas reduzida infelizmente a um pequeno grupo, de que faz parte o meu amigo Filipe Pereirinha.
Como arqueólogo, gostava de continuar a escavar, nomeadamente, é claro, no sítio fabuloso do Castanheiro do Vento, em Vila Nova de Foz Côa. Começámos no Porto a criar toda uma escola de estudo das arquiteturas pré-históricas, e qual agora o seu destino? A implosão? Era a questão que punha no final da arguição de uma tese de doutoramento da minha amiga Ana Vale, uma das escavadoras daquele sítio (tal como João Muralha, igualmente doutorado com base nos trabalhos que em equipa fizemos ali, na sequência dos iniciados em Castelo Velho em 1989).
É uma grande pena não se continuar a pesquisar, por falta de meios, um sítio crucial para um vislumbre de entendimento de como se pensava o espaço há 5000-4000 anos, já que tantas escavações de sítios semelhantes estão por publicar, ou foram feitas segundo outros critérios, ou pura e simplesmente foram realizadas em épocas em que não havia pessoas preparadas... e o que por vezes nos deixaram foi destruição ou informação parcial, com raras e honrosas exceções, está claro.
Interessa-me muitíssimo continuar a “trabalhar no campo” mas não para reconstituir passado algum no sentido habitual: sim para construir – sempre em equipa, isto não são coisas que se possam fazer com meia dúzia de pessoas e parcos meios, isso seria andar a brincar aos arqueólogos - uma realidade arqueológica mais ampla e mais interessante. Sacar a arqueologia para fora da voracidade do lugar-comum, da construção de uma pré-história que nada mais tem para se formatar do que neo-evolucionismo americano, no melhor dos casos, ou a problemática pós-processual de um Hodder, de um Shanks, de um Tilley, que, com o devido respeito (visto que lhes devo muito), ficaram na história, mas já não trazem nada de verdadeiramente fraturante.
É difícil, muitíssimo difícil fazer algo verdadeiramente interessante e levar o processo até ao fim (publicação, valorização pública dos sítios, mas não como lugares simplesmente turísticos, mas também como sítios-escola em permanente devir de pesquisa para a formação de estudantes, etc.) - e a maior parte das pessoas não vê esta urgência, ou pura e simplesmente não se interessa por isto. 
A chamada “pré-história” é um pouco como a astronomia, se quisermos fazê-la mesmo exige grandes meios e não se pode esperar resultados retumbantes (destes que enchem as páginas da “Scientific American” ou da “Sciences et Avenir”, etc, ou seja, desse tipo de revistas científicas” de divulgação) a curto prazo.
E, a montante de tudo, insisto, é crucial pensar qual o sentido do que se anda a fazer, ou seja, que sentido tem fazer arqueologia hoje a pensar numa sociedade que há de vir, uma sociedade completamente diferente daquela, em grande parte inumana, pouco estimulante, em que nos foi dado existir.
Essa responsabilidade de deixar testemunho, de abrir espaço problemático em que possa encaixar uma esperança, aquilo que hoje parece impossível, que todos dizem ser impossível – eis o incontornável dever dos que ainda não abdicaram do essencial.
 Só o impossível nos move, nos faz felizes, como utopia a realizar de facto, um dia, que há de vir, quando as pessoas “se levantarem do chão”.

Loures, Janeiro de 2015

Vítor Oliveira Jorge
IHC


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Sobre o ambíguo estatuto do conceito de “passado”




Estamos constantemente a falar de “passado”, por oposição, decerto, ao presente e ao futuro, adentro de uma concepção linear do tempo de que estamos impregnados.
Mas “passado” é um conceito altamente ambíguo, ou, se quisermos, sujeito a discussão.
Por um lado, designa algo que já aconteceu, que desapareceu, que não está aqui e agora: ou seja, um “troço” de tempo mais ou menos longo (por vezes infinitamente longo, quando falamos ao nível da história do planeta, por exemplo), uma realidade cronológica.
Outras vezes, por outro lado, “passado” está conotado com uma construção da memória, ou, quando baseada em documentação, da história (e suas congéneres, como a arqueologia), ou seja, com uma narrativa que, de forma mais ou menos sustentada em termos de prova, de credibilidade, de verosimilhança, se assume como uma interpretação da, ou um discurso sobre, aquela realidade cronológica.
Claro que não só as duas acepções estão extremamente imbrincadas uma na outra, como são difíceis de separar, porque ambas repousam numa concepção linear do tempo e, frequentemente, numa noção positivista (mais ou menos simples, ou refinada) do conhecimento.
Noção linear do tempo,  quer dizer, a de que este é representável como uma linha recta, ou uma seta, que arranca de um início e tende para um fim: é a visão de origem cristã, segundo a qual houve um começo do Mundo (a Criação), como haverá um fim (o Juízo Final). Neste sentido, a visão histórica que se apoia em tal concepção é, até certo ponto, a-histórica, pois que circunscreve o tempo entre duas etapas, tratando depois aliás de o dividir em épocas, períodos, fases, etc.
O tempo, como o espaço, na sua indeterminação, quer dizer, sem estarem balizados por referências (marcas, separações simbólicas, etc.) que os particionem, tornam-se muitas vezes insuportáveis para a consciência humana. Quiçá porque colocam o ser humano perante uma indeterminação, um vazio, um sem-sentido, um vácuo que espelha não só o que poderíamos considerar a imperfeição da própria realidade em si (problema ontológico), o seu carácter de não-Toda, como refletem o sentimento angustiado do próprio vazio que cada sujeito é: o trabalho da vida de cada um de nós consiste, precisamente, em encontrar uma coerência que dê sentido à sua existência, ela própria entendida como um percurso entre passado (com a sua origem), presente e futuro (devido à incontornável consciência da nossa mortalidade).
Só alguns conseguem perceber (vivenciar sofridamente) a arbitrariedade, ou contingência, dessa “identidade”.
Como seres que fazem parte da própria realidade, os seres humanos vivem também na incompletude que caracteriza aquela, ou seja, estamos aqui já ao nível epistemológico de que todo o conhecimento, toda a vivência, são sempre parciais e contingentes. Mas parciais e contingentes não em relação a uma utópica totalidade que já não teria sentido (após a “morte de Deus”), mas em relação a uma fantasia de totalidade que habita muitos seres humanos, e precisamente os conduz com frequência à experiência religiosa (hoje em dia há para “todos os gostos”) ou mesmo mística, isto é, à experiência da alienação total do sentido das suas vidas, que é deposto num Pai securitário (seja ele Deus, o Dinheiro – como acontece no capitalismo, que Benjamin acertadamente considerava uma religião – ou ainda em valores comunitários como a Família, o Partido, a Ciência, ou ainda afectivos como o Amor, a Felicidade, a Liberdade, a Igualdade, etc. Quando não em objetivos puramente hedonistas, aditivos, como o consumo, e em particular a pornografia, a droga, o sexo como fim em si, etc.).
A noção positivista de conhecimento tem muitos matizes, mas basicamente assenta na ideia de que a distância entre sujeito e objecto, entre observador e realidade observada (com ou sem a intermediação de máquinas ou mais ou menos complexas tecnologias) é capaz de criar uma representação fiel de uma realidade independente dos sujeitos: para alguns, em última análise, ela está na abstração da matemática, elevada à categoria de “chave” da realidade. Mas esta concepção impregna toda a atitude, ou pulsão, científica. Sob a sua forma mais ingénua, acredita-se que é possível ao observador (ou equipa de pesquisa) libertar-se dos seus preconceitos (quer dizer, da sua circunstância de ser contingente mergulhado na particularidade de um tempo/espaço concretos) e, através de protocolos e de instrumentos de mediação, atingir “a própria realidade em si”, ou seja, uma representação fidedigna do mundo (pelo menos enquanto não é substituída por outra mais refinada, versão mais sofisticada, mas, apesar de tudo, versão que conserva a mesma crença). É aquilo a que alguns chamam “objetividade”, sem verem que a objetividade, muito louvável e desejável, é também um desejo e uma prática inseridos no universo simbólico humano. Nenhum Deus nos outorgou ou outorgará o dom da objetividade confundida com o acesso à Verdade.
Digamos que a modernidade é precisamente a experiência de perda dessa Verdade, ou transcendência, sendo o chamado idealismo alemão uma fase muito importante do estrebuchar dessa velha procura humana. É muito importante ter em conta as novas leituras de Hegel que se têm apresentado, e que Zizek comenta (Catherine Malabou entre muitos outros), e que nos dão de Hegel uma visão completamente oposta à tradicional.
A maior dificuldade para o ser humano – apesar das portas que a psicanálise de Freud abriu, e que continuam hoje fundamentalmente no lacanianismo e nas visões dele derivadas, como a de Slavoj Zizek  - parece ser a de perceber a radical importância da subjetividade, quer dizer, a irredutível condição particular de cada um de nós, como pessoa. E, ao mesmo tempo, a noção de que não tem sentido pensar numa transcendência inalcançável, ou realidade numenal, como Kant propôs, distinta da realidade fenomenal que nos seria acessível: essa dicotomia metafísica é descartada por um materialismo que se baseia na imanência, na aceitação da nossa condição de seres mergulhados numa realidade simbólica.
Tal realidade simbólica (o que nos permite fazer sentido como humanos) estrutura-se no uso da linguagem, na capacidade de construção da memória, do consciência de si, por oposição ao outro, e na assunção de outros planos de estruturação da nossa vida psíquica que são o Imaginário e o Real. De todos, o mais importante, indefinível, e que serve como que de embraiagem dos outros dois é o Real, ou seja, algo de insimbolizável, algo que não existe em si, mas em última análise estrutura, por assim dizer, o enigma da nossa existência.  Não se trata de uma realidade inefável: trata-se de um conceito operatório básico adentro da tríade borromeana Imaginário-Simbólico-Real, que é ítuil para pensarmos estas e outras questões.
A condição humana é, obviamente, a da historicidade, ou seja, a de que a nossa realidade se percepciona e se vive no tempo, e portanto nós necessitamos de histórias (de “estórias” – é toda a diferença entre “history” e “story” em inglês).  Aliás, desde miúdos que a realidade nos é estruturada pelos mais velhos em parte através de “estórias”, porque nos fascina o desenrolar dos acontecimentos, a sua imprevisibilidade, e, quando somos pequenos, o seu final com sentido (em geral, feliz...). Todavia, depois disso crescemos, inevitavelmente...
De facto, o tempo humano, vivido, não é realmente o tempo linear com que normalmente contamos e estudamos a história (como disciplina das ciências sociais e humanas que nos apresenta a sequência de acontecimentos por períodos); digamos que cada momento, essa abstração, ou cada ato de memória, ou de rememoração, correspondem sempre a uma colisão de tempos, ou a uma destemporalização, se quisermos.  Essa colisão é evidente nos momentos em que por assim dizer nos aproximamos mais do tal “Real”, ou seja, nos momentos de amor, de revolução, de criação artística, etc.
Esses momentos “kairológicos” não são cronológicos, não se estruturam rigorosamente segundo um antes e um depois, segundo uma causalidade linear, mas são momentos em que as representações simbólicas convencionais se desestruturam e permitem sensações de “verdade”, de algo que os religiosos e os místicos experimentariam ou conceptualizariam como manifestações teofânicas, provindas de uma realidade transcendente concebida/imagina por eles.
Para um materialista, o fundamental é tentar construir uma ideologia de emancipação de todas as utopias que têm obstaculizado a concretização de uma vida feliz, tendencialmente, para todos os seres humanos. Essa é pelo menos uma utopia, ou “causa perdida”, como lhe chama Zizek, que para mim faz sentido. Esse materialismo tem se contar com uma noção de subjetividade radical do homem, tem de partir de uma ontologia materialista da subjetividade.
A proposta extremamente sofisticada e inteligente que faz Zizek, quer sobre o conceito de ideologia, quer sobre a causalidade histórica (mostrando que Hegel pode ser relido como sendo muito menos teleológico do que o próprio Marx – autor sempre fundamental, está claro - e, portanto, muito mais interessante para a construção de uma visão da história que nos liberte de quaisquer finalismos) interessa-me sobremaneira.
Se pensarmos que cada presente reestrutura o passado, quer dizer, que os efeitos criam retrospectivamente as próprias causas que lhes “deram origem” segundo a narrativa linear, percebemos que é possível construir uma visão da história não linear nem teleológica, fugindo se possível às armadilhas do historicismo.
Nesse sentido, o passado como tal (ou cada um dos próprios períodos em que o dividimos) nunca existe nem existiu, ele está em permanente construção, não sendo um bloco que tempo que já passou, ou aquilo que os historiadores às vezes chamam “o passado efetivamente acontecido”.
Nós somos de facto responsáveis, hoje, por esse passado, não como uma realidade acontecida, mas como uma realidade que colide connosco, que está a acontecer. Não se trata portanto aqui de um relativismo pós-moderno em que qualquer narrativa sobre o que terá acontecido vale o mesmo que outra qualquer (são por demais evidentes os perigos de tal concepção), mas o contrário.
Ou seja, há um engajamento ativo necessariamente em qualquer rememoração, e portanto em qualquer discussão e construção do chamado passado. Nós estamos neste momento a construir esse “passado”, o que significa assumir a atitude contundente, ou luta política se quisermos, inerente a toda a construção, mesmo a dita científica, ou seja, a de que não há nenhuma interpretação neutra e asséptica e de que a teoria subjacente a qualquer interpretação é tão importante como os chamados factos, ou dados de prova, que são sempre produzidos, ou acontecem, dentro de uma moldura prévia consciente ou inconscientemente ideológica, quer dizer, altamente dependente do plano simbólico.
Esta forma de encarar a historicidade humana implica, obviamente, um horizonte de pensamento que ainda falta construir, horizonte esse que, sendo radicalmente diferente daquele que hoje prepondera nas múltiplas perspectivas em debate, é de facto revolucionário. Nesse sentido, nunca poderá construir-se em isolamento teórico, mas em relação com a própria luta concreta de emancipação humana, ou seja, contra o domínio dos poderosos que controlam a finança e de um modo geral as mafias internacionais de forma cada vez mais total, apoiados na informática e nas intenções ideológicas totalitárias da chamada “inteligência artificial”, entre outros meios.
Se esta perspectiva radical pareceria descabida, ou mesmo histérica, há uns anos, hoje já assim não será. O capitalismo atinge uma fase de “desvelamento da máscara”, isto é, atua já abertamente como uma mafia cínica, quer ao nível internacional quer ao nível de governos de países (de modos obviamente muito diversos), penetrando toda a realidade e tornando-se visível.
Perante a monstruosidade de tal totalitarismo, muitas vezes mascarado sob a égide da palavra mágica “democracia” (entre outras) a reação da maioria das pessoas (que ainda poderia ter reação) é a de medo, ou seja, fecham-se como ouriços caixeiros dentro de si, da sua família, do seu grupo de vizinhança, dos amigos, das suas rotinas profissionais (os que ainda têm um emprego), dentro de um individualismo que, em muitos casos, roça a loucura, e faz até as manchetes dos jornais e das revistas de sensação.
A televisão ocupa o espaço público, ou com telenovelas, ou com notícias de espectacularização de superficialidades, tendo além disso um ou outro programa (debates, atualidades artísticas de qualidade) para entreter as “minorias intelectuais”, sendo óbvio que toda essa informação, como qualquer informação, é uma mercadoria como outra qualquer. A mercantilização do mundo á absoluta, do conhecimento e ensino à saúde e à justiça, como é do conhecimento geral. Nada está fora do mercado para a prática/ideologia neoliberal: o mercado (o empreendedorismo) é a natureza, o normal funcionamento das coisas; e o aparelho de Estado serve sobretudo, cada vez mais, como um aparelho de vigilância, controlo e repressão, para que o mercado funcione livremente. Desde pessoas como a Sra Tatcher na Grã-Bretanha que esta nova fase se implantou, minando pouco a pouco as componentes do “Estado social” que o capitalismo construiu a seguir à II Guerra Mundial, e que culminou no crédito desenfreado que levou à necessidade de correção do sistema. Ou seja, a uma “crise” que consiste afinal na transferência do dinheiro de muitos cidadãos para a finança internacional por forma a compensar esta mesma dos próprios desvarios que introduziu no sistema, como temos observado.
A “crise”, no sentido de algo que dói, é apenas para a maioria das pessoas; para uma minoria internacional que concentra a riqueza, é a nova forma de organização-acumulação do Capital. De forma completamente escandalosa e aberta. Até quando?
Aqueles que, não sendo elementos de qualquer mafia, pretendem ver claro na questão fundamental do que é a história, a memória, do que são as indústrias do património (o próprio incorpóreo ou imaterial se tornou numa indústria e num património, ou seja, num valor), do que significa hoje a informação e o conhecimento,  de como se faz e desfaz o laço social, etc., têm apesar de tudo bastantes elementos ao seu dispor. Mas esses elementos exigem tempo, dinheiro, reflexão. Ou seja, há muita documentação para pensar, mas não há tempo para a triar e para a incorporar criticamente.
Tiram-nos com uma mão o que nos dão com a outra; mas a muitos, à maior parte, já não dão nada.
Dou a concluir este nota o exemplo de uma paisagem marítima: todos nós já sonhámos em estar numa praia, ouvindo o ruído das ondas, contemplando a extensão azul do mar e do céu, em perfeita tranquilidade, paz, e num silêncio que nos permita precisamente “ouvir o silêncio”. Ora, sabemos como esse espaço-limite, esse espaço de limpeza temporária de tudo o que nos atormenta e que é (entre outros) a praia (mito que começou no século XIX como é sabido) e que a publicidade nos vende como paraíso, ajudada por imagens maravilhosas, não existe de facto na realidade vivida, na realidade comezinha das nossas vidas reais.
Está lá sempre algo a mais, que quebra essa maravilhosa imagem.
Mas, não será ainda esta uma ideologia individualista, a da contemplação e fruição solitária? Todos nós precisamos de momentos de solidão e de reflexão, de intimidade, mas não seria mais interessante pensar o sentido de comunidade, de vivência em comum, de intersubjetividade? Creio que sim. Mas de uma comunidade que nada tem a ver com os grandes concertos, os grandes eventos, os grandes espetáculos, os grandes futebóis, as grandes quantidades de dinheiro. Uma comunidade que não seria um novo mito, mas uma utopia construtiva para fazer coisas com os outros, coisas que mudassem a própria realidade. E o nosso passado.

Comboio Lisboa-Porto, 24 de Janeiro de 2015


Para os meus amigos, para a Flor


Vítor Oliveira Jorge

domingo, 4 de janeiro de 2015

Breve relatório de atividades realizadas em 2014

Vítor Oliveira Jorge
Breve relatório de atividades realizadas em 2014

Janeiro
29 – Reunião no Teatro Nacional D. Maria II, com o seu Presidente do Conselho de Administração, Prof. Carlos Vargas, e com a Prof.ª Fernanda Rollo, da FCSH da UNL  para programar ciclo de 4 conferências em torno do tema do tempo, da história, do património, “Águas passadas, movem moinhos?”, a realizar por mim em colaboração com o teatro.
Fevereiro
17 – Reunião em Lisboa com os colegas José Caselas e António Caselas (do Centro de Filosofia da FLUL) (Gonçalo Velho, do IPT, não pôde estar presente) para preparar o Colóquio Zizek, “Viver Perigosamente”, a realizar na FLUL. Os quatro integramos a comissão organizadora.
Março
20 – Reunião em Loures com a Dra. Conceição Macieira, da Câmara Municipal, para programar ciclo de debates em torno do tema do tempo, intitulado “Tempos de Crepúsculo – Quando a Coruja de Minerva Finalmente Levanta Voo”, a realizar no Museu Municipal da Quinta do Conventinho, Loutres.
21 – Dia Mundial da Poesia – Escola Profissional do Freixo, em Marco de Canaveses, para falar sobre arqueologia e poesia, a convite da direção da mesma instituição.
29 – Reunião em Coimbra do Centro de Estudos em Arqueologia, Arte e Ciências do Património (CEAACP). Propus a realização, através do Centro, de uma série de debates sobre a questão do tempo, que foi bem acolhida na reunião, mas não teve sequência posterior, por aparentemente ter deixado de interessar.
ABRIL
10 e 11 -  Colóquio internacional e interdisciplinar “Viver Perigosamente”, sobre a filosofia de Slavoj Zizek, organizado em colaboração com o Centro de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, por mim, António Caselas, José Caselas e Gonçalo Velho. Colaboração de numerosos investigadores e presença de vasto público; e registo vídeo da totalidade do Colóquio. As principais intervenções estão publicadas em linha.
12 e 13 – Visita ao complexo monumental de Elvas, Património da Humanidade. Visita ao Centro Histórico de Extremoz, Alentejo.
24 – Reunião com o Vice-Reitor da Universidade do Porto Prof. António Cardoso sobre as instalações da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (SPAE), e participação, com comunicação, no Colóquio do DCTP da FLUP comemorativo dos 40 anos do 25 de Abril (posteriormente, comunicação enviada para publicação), intitulado “40 Anos Depois de Abril: Património e Ciência no Norte de Portugal”.
MAIO
16 – arguente, integrado no júri, das provas de doutoramento em Escultura (Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa) de Sara Navarro, na Reitoria da Universidade de Lisboa.
28 – participação, na Seção de arqueologia da Sociedade de Geografia de Lisboa, na sessão sobre Arqueologia e Antropologia.
31 – participação, com a comunicação “De que precisa um lugar para se tornar evento?” no Colóquio  sobre “Genius Locii” organizado por Maria Ramalho em Montemor-o-Novo. Visita ao património desta vila e a várias atividades culturais ali em curso.
JUNHO
26 – Conferência na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, a convite do Presidente do Departamento de Física, Prof. Orfeu Bertolami, sobre a atualidade da antropologia no mundo contemporâneo (título: “Antropologia: Ainda é Precisa?”). Reunião com os Profs. José Paiva e Catarina Martins, da FBAUP, para preparação do ciclo de debates “O Tempo e os seus Modos”, a realizar na FPCEUP, de colaboração entre a SPAE e o Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (FBAUP).
29 e 30  - visita às localidades espanholas de Zafra e Badajoz.
JULHO
5 – reunião de direção, no Porto, da SPAE, e Assembleias Gerais, uma ordinária, outra para eleição dos corpos sociais para o triénio 2014-2016. Ambas as reuniões decorreram com êxito.
19 – Visita à região do Bombarral (Gruta Nova da Columbeira, etc.), Óbidos, Peniche, Paimogo, Cabo Carvoeiro.
25 – Visita a Sintra.

AGOSTO
3 e 4 – Visita à localidade espanhola de Guadalupe e seus monumentos e museus.
7 – Reunião no Porto, a pedido da nova Vice-Reitora da Universidade do Porto, Professora Fátima Marinho, sobre as instalações da SPAE.
11-15 – Visita a Paris, seus museus, monumentos e centros culturais. Visita aos palácios de Vaux-le-Vicomte e Fontainebleau, este último particularmente ligado à figura de Napoleão Bonaparte.
30 – Visita à localidade palafítica de Carrasqueira (Comporta) e a Alcácer do Sal.
SETEMBRO
18 e 19 – participação, como moderador de sessão, no 1º Encontro sobre Arqueologia e Museologia das Guerras Peninsulares, organizado em Loures pela respectiva Câmara Municipal, a cargo de Florbela Estêvão (área de Cultura). Auditório do Palácio dos Marqueses da Praia e Monforte.
26 – reunião da nova direção da SPAE, no Porto.
27 – 1º debate – sobre História – na FPCEUP, adentro do ciclo O TEMPO E OS SEUS MODOS, organizado pela SPAE e pelo Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (FBAUP). Coordenação de V. O. Jorge e Catarina Martins. Todos estes debates foram gravados em vídeo.
OUTUBRO
4 – Porto – 2º debate – sobre MEMÓRIA - – na FPCEUP, adentro do ciclo O TEMPO E OS SEUS MODOS, organizado pela SPAE e pelo Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (FBAUP). Coordenação de V. O. Jorge e Catarina Martins.
5 – Visita às exposições do Museu de Serralves, Porto.
7 – 1ª conferência, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, sobre História (c. de 100 pessoas inscritas). Todas estas conferências foram registadas em vídeo pelo Teatro.
11 – Porto- 3º debate – sobre ARQUIVO - na FPCEUP, adentro do ciclo O TEMPO E OS SEUS MODOS, organizado pela SPAE e pelo Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (FBAUP). Coordenação de V. O. Jorge e Catarina Martins.
14 - 2ª conferência, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, sobre Memória.
15-16-17-18-19 – Participação, como auditor, no Congresso Internacional sobre Fortificações Militares (International Conference on Fortified Heritage: Management and Sustainable Development), realizado em Pamplona, Espanha sob a égide do programa Fortius. Visita ao complexo monumental de Pamplona, e aos seus museus. Aquisição de bibliografia.
21 - 3ª conferência, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, sobre Arquivo.
25 – Porto- 4º debate – sobre MUSEU - na FPCEUP, adentro do ciclo O TEMPO E OS SEUS MODOS, organizado pela SPAE e pelo Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (FBAUP). Coordenação de V. O. Jorge e Catarina Martins.
28 - 4ª conferência, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, sobre Museu.
29 – Visita ao Forte do Mosqueiro (Linhas de Torres), em Montachique.
31 – Participação, como auditor, no III Encontro Nacional de Centros de Documentação de Museus, Sacavém, Museu de Cerâmica (organização da Câmara Municipal de Loures).
NOVEMBRO
1 – 1º debate no Museu Municipal da Quinta do Conventinho, em Loures, adentro do ciclo TEMPOS DE CREPÚSCULO, sobre História.
4 – visita ao centro histórico da Azeitão e ao Museu Sebastião da Gama.
8 - 2º debate no Museu Municipal da Quinta do Conventinho, em Loures, adentro do ciclo TEMPOS DE CREPÚSCULO, sobre Memória.
15 - Porto- 5º debate – sobre PATRIMÓNIO - na FPCEUP, adentro do ciclo O TEMPO E OS SEUS MODOS, organizado pela SPAE e pelo Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (FBAUP). Coordenação de V. O. Jorge e Catarina Martins.
22 - Porto- 6º debate – sobre IDENTIDADE - na FBAUP, adentro do ciclo O TEMPO E OS SEUS MODOS, organizado pela SPAE e pelo Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (FBAUP). Coordenação de V. O. Jorge e Catarina Martins.
Participação na conferência de Slavoj Zizek, realizada naquela Faculdade, a convite do projecto “Technical Unconscious”, liderado por Gonçalo Velho e Inês Moreira.
28 – Conferência, realizada a pedido da organização Doutora Grala Filipe e Profa. Fernanda Rollo), no Encontro da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa intitulado “Patrimonialização e Sustentabilidade do Património: Reflexão e Prospectiva”. Tema da palestra (texto entregue antecipadamente para publicação): “Sustentabilidade da Ideia de Património numa Sociedade em Transformação Acelerada de Paradigma Geral”.
29 - 3º debate no Museu Municipal da Quinta do Conventinho, em Loures, adentro do ciclo TEMPOS DE CREPÚSCULO, sobre Arquivo.
30 – Visita ao conjunto monumental de Pirescouxe, Loures e a outros aspectos patrimoniais  do concelho, guiado por Florbela Estêvão.
DEZEMBRO
5 – Visita ao Forte do Alqueidão (Linhas de Torres), acompanhando um grupo de estudantes da Faculdade de Letras do Porto, sob a orientação de Florbela Estêvão e de Isabel Santos.
6 - 4º debate no Museu Municipal da Quinta do Conventinho, em Loures, adentro do ciclo TEMPOS DE CREPÚSCULO, sobre Museu.
9-10-11-12 – Participação, a convite da organização (Embaixada do Kazaquistão), e com comunicação, na International Conference on “Great Migrations: Settlements of Europe”, Universidade de Granada, Espanha. Visita a vários monumentos de Granada.
13 - Porto- 7º debate – sobre VIAGEM - na FBAUP, adentro do ciclo O TEMPO E OS SEUS MODOS, organizado pela SPAE e pelo Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (FBAUP). Coordenação de V. O. Jorge e Catarina Martins.
14 – visita ao Centro Histórico do Porto.
20 –21 -22- Visita a Carmona e Arcos de la Frontera (Espanha) e seus monumentos.
27-28- Visita a Elvas e a Badajoz (nomeadamente ao Museu de Arte Contemporânea desta cidade).
31 – Visita a Vila do Bispo e à Fortaleza de Sagres (Algarve).

Para além destas atividades, o ano de 2014 caracterizou-se:
-       por uma intensificação de leituras;
-       pela re-arrumação da parte da minha biblioteca que conservo (outros lotes foram doados a instituições);
-       pela conjugação da continuação dos estudos na área da arqueologia em que sempre trabalhei com a leitura de obras sobre a contemporaneidade, incluindo história contemporânea e filosofia (pensamento crítico).
Ainda:
-       continuei a alimentar o blogue trans-ferir;
-       Publiquei diversos textos, reflexões e poemas no facebook, e criei várias páginas relacionadas com acontecimentos que promovi. Alguns daqueles textos estão disponíveis na minha página de Academia.edu:
-       Colaborei na antologia poética Clepsydra, coordenada por Gisela Ramos Rosa e publicada pela editora Coisas de Ler.
-       Mantive-me, até ao fim do ano, como membro do CEAACP, considerando as realizações que efetuei integráveis no Centro como contributo pessoal para as atividades do mesmo.
Loures, 2 de janeiro de 2014
Vítor Manuel de Oliveira Jorge