
segurei-me aos teus pés
no momento
em que iniciaste a subida
para o mais alto cume;
e vi-te trepar,
cindida, mastro acima;
mas por mais que a atmosfera
se abrisse aos pulmões,
e os êmbolos trabalhassem
para o alto mar,
as velas continuavam
a pedir mais azul,
e a casa das máquinas,
labaredas.
assim antevi perder
a própria direcção
do teu olhar,
quando quase chegava
à abrasão do lume;
e assisti à tua boca,
saltando sempre para a frente,
a cada batida
de nova vaga.
jogos fortes
de espuma e quilha,
rasgões de astros, e de estrelas,
no suor do casco,
energia voltada
para novos continentes
onde pressenti,
sem ter disso a certeza,
que mais tarde de mim
te perderias.
e hoje consultamos mapas,
notícias de naufrágios,
histórias trágico-marítimas,
à procura do grito,
de um nome de praia,
das aves que vinham de terrra,
do odor de algas
e de esponjas
e do que entretanto
pelo meio, cindido de si,
se terá apagado.
voj 2007
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