I am not

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sábado, 12 de setembro de 2009

Dizia eu hoje a uma jovem amiga...



Quando viajei pela primeira vez a Inglaterra (só tinha ido a Madrid numa excursão do liceu) não tinha praticamente dinheiro para comer, nem para a viagem de vinda! O meu pai, por prudência, não me deu todo o dinheiro de que eu necessitava (medo de que eu o perdesse) e então foi no regresso em Paris que fui a um banco levantar o dinheiro que ele transferiu para lá !!!!! Tive de me desenrascar durante um mês, fui para um campo de trabalho (onde havia autênticas orgias, mas eu era ainda demasiado tímido, só bebia cidra) e de vez em quando ganhava umas vinte libras ao dia que me davam para viver e gozar (sobretudo passear e conhecer cidades em volta) mais uns dias... Apanhei chuvadas na estrada, andei à boleia, etc.
Estive em Paris apenas com dinheiro para comer uma sandes. É horrível, até porque naquela época, como hoje, Paris tem tudo o que uma pessoa quer, nomeadamente um rapaz novo como eu era. Passear por Pigalle sem um franco, ai meu deus...
Quando estive na Dinamarca, no ano seguinte (entre o 1º e o 2º ano da Faculdade), para o que recusei um trabalho pago muito vantajoso, trabalhei numa quinta onde até porcos ajudei a capar... Para um menino da cidade que, quando era miúdo mesmo, andava de lacinho, enfim, não estava preparado... E outras coisas, que as dinamarquesas eram já na altura muito soltas, antecedendo o que hoje é comum em toda a parte. Mas em Portugal, naquela altura, absolutamente impensável!
E não tinha cheta. Todavia, não tivesse eu uma namorada em Portugal e hoje poderia estar a viver num país nórdico (países por que tive sempre certa atracção, como bom mediterrânico), porque uma engraçou mesmo muito comigo e era muito interessante em todos os aspectos... mas não me lamento!
Conheci tipos quer andavam há anos fora de casa só a curtir e lavando pratos nos restaurantes. Conheci fulanas incríveis, como que perdidas, à aventura... Enfim, hoje a malta está muito conservadora e emburguesada. Pensam pequeno, em geral. Não arriscam, não se amandam prá frente. Naquele tempo, era a abrir!
Uma vez pedi boleia num auto-estrada (coisa que inexistia então em Portugal) da Dinamarca (a um casal com o carro atafulhado de coisas, foi o primeiro que calhou). Onde caçava eu os carros? Nas gasolineiras, noutro lado não paravam. Estes dois eram tão amáveis, iam com o carro tão cheio (iam viver para uma ilha, era uma coisa romântica), mas mesmo assim deram-me boleia. Fui com a rapariga no único lugar disponível, o lugar da frente junto ao condutor, e a dita rapariga, por falta de espaço, ia praticamente ao meu colo. Foi das boleias que me souberam melhor, mas ia um pouco embaraçado!

Etc.

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