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sábado, 26 de setembro de 2009

desmoronamentos

Para salvar a todo o custo a minha relação com as pessoas, o que sempre me motivou, pois não gosto de viver em tensão negativa com ninguém, e sou "conservador" nos meus afectos, há apenas um limite: é quando alguma dessas pessoas põe em causa, desde a raiz, os meus projectos, a minha legítima liberdade, os mais íntimos desejos, a minha mais profunda fantasia, a minha mais assumida, incorporada, tida por certa, expectactiva em relação a essa pessoa.
Esse limite ultrapassado - uma barreira que, repito, tudo faço para evitar - a minha relação com as pessoas continua formalmente igual. Mas essas pessoas deixaram de facto de contar para mim. Não fazem parte, para sempre, do meu horizonte de desejo. É algo que está muito para além da des-ilusão: atenta aos próprios "princípios" em que uma relação inter-pessoal mais profundamente assenta.
Tal como aquelas falésias que se desmoronam, dentro de nós às vezes desmoronam-se pessoas. As falésias cansam-se de lutar contra a erosão, de resistir desesperadamente para que as coisas não caiam, para que haja estabilidade e paz.
E é irreversível.

3 comentários:

ROSÁLIA LERNER disse...

uma verdade,uma aula.Bom dia.

Tété disse...

Professor,
Estar mais de acordo é impossível.
Também é essa a minha postura e o meu sentir.
Não morreu, mas arrumou-se.
Abraço e bom fim de semana

Blogat disse...

Pessoas são ilhas...falésias falidas.No compromisso com o outro,apenas si mesmas.Como princípio, e fim.