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sábado, 17 de janeiro de 2009

imagem



o mundo transformou-se numa imagem, que se desdobra em infindas imagens.

o mundo desmaterializou-se, digitalizou-se, tudo se tornou convertível em tudo, pelo que a "qualidade" de cada coisa é a sua posição virtual num sistema numérico.
o mundo é matemático, finalmente, no dia a dia.
a realidade tornou-se uma abstracção.
as tradicionais categorias de espaço e de tempo, do espaço e do tempo empíricos, vividos quotidianamente, transformaram-se.
cada experiência, cada pessoa, cada momento, cada lugar, é convertível noutros, infindamente: a sua realidade "específica" é in-diferente.
as séries, as sequências, são voláteis, permanentemente em metamorfose.
a fotografia (digital, claro) é ao mesmo tempo uma das operadoras dessa revolução e um dos indícios dela.
Podemos como nunca manipular tudo através da imagem. Não se trata de uma coisa de superfície. Não se trata de uma coisa física.
Trata-se de que o próprio mundo se volatilizou e voltou espectral sob a forma de uma passarelle infinda de imagens, onde os sentimentos mais profundos acontecem.
A nossa vivência é a vivência irónica da nossa morte, finalmente toda iluminada.
Somos deuses que cegaram de tanto ver, e voltaram a ver a (e dentro da) sua cegueira, de forma panorâmica, infinda, transbordante. Somos omniscientes, e viramos os olhos em todas as direcções.




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