I am not

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

aquele quantum mais...



...que despoleta o nosso interesse por uma imagem, por uma foto... o
punctum do R. Barthes ("A Câmara Clara").
... que faz de uma pessoa bonita ou interessante ou inteligente uma pessoa desejável... algo que tem de ter um apelo in-decente ( o pequeno objecto a do Lacan). Não confundir indecente com ordinário, é o contrário! O ordinário repele (excepto os da mesma laia... embora como sabemos estas questões do gosto e das fantasias sejam matérias muito sensíveis e secretas).
... que faz passar da admiração (admiro Camões, mas Os Lusíadas não é o meu livro de cabeceira...) à vontade, ao desejo, que faz arranjar tempo quando não há precisamente tempo... questão de vida ou de morte, pulsão tremenda.
... movimento extremamente subtil que faz com que algo de extraordinário, ou de muito bem feito, concebido, etc... passe simplesmente à categoria de sublime, ao que tem algo de genialidade, que gera em nós uma corrente perversa, sórdida, de vontade... de admiração, fascinação, paixão sem limites, vontade de identificação, de ir à luta com aquilo.

Pelas ruas e pelas casas e pela miséria dos dias deambulamos como loucos, como tolos, procurando esse quantum mais, que não está em ninguém nem em nada, mas na nossa relação com o que de repente nos aparece como o punctum, como o pequeno objecto a. Sempre inesperado, como uma catástrofe boa. Tão rara!

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Foto: Julie Pike


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