I am not

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Quanto mais...

No Jardim Zoológico de Lisboa havia (e julgo que ainda haverá) o cemitério dos animais. Lembro-me disso desde muito miúdo, e daquela epígrafe que lá estava: "quanto mais conheço os homens [seres humanos em geral, bem entendido] mais gosto dos animais."
Não subscrevo essa derrotante epígrafe, e, amando os animais, não os confundo com seres humanos, transferindo para eles as minhas frustrações e desejos. Não. Bicho é bicho, pessoa é pessoa, quand même. Além disso gosto também muito de plantas e de outros seres da Criação. Confesso a minha atracção por certos tipos de seres humanos que este blogue às vezes espelha. Pelo menos a tomar a imagem da criatura a sério, a Providência foi, nalguns casos, perfeita. Na maior parte nem tanto, mas é o que há.A arte transfigura, e faz do ícone motivo de adoração: e muitas vezes chega, vê-lo à distância, que a proximidade faz desvanecer a aura.
Mas quanto mais viajo, e conheço pessoas, e organizações, e países, mais me convenço de que não têm sentido comparações que resultem em imagens negativas do nosso país, ou das pessoas que nos rodeiam, como às vezes é nossa mania alimentar. Somos pequenos, temos pouco dinheiro, estamos fartos (como quase em toda a parte) da maior parte das notícias que nos chegam, quase tudo rui à nossa volta, há muita gente a passar mal e muitas mafias a controlar isto. Todos o sabemos.
O que temos em qualidade é proporcional à nossa escala. Mas há aqui iniciativas muito boas, gente eficaz, jovens promissores, e é só darem-nos um pouco de gás e lá vamos, emparelhando com os outros, com os melhores lá de fora, sem complexos nenhuns.
Sempre que temos alguns meios, fazemos muito mais e melhor do que outros, lá fora, com meios enormes, que por vezes esbanjam de forma incrível.
E quanto a desumanidade ambiental e a criminaliidade, é problema geral! Infelizmente... E isto não significa que me tenha acomodado. Pelo contrário, luto diariamente para não me "emburguezar", como se dizia quando éramos jovens e julgávamos que, quais titãs, íamos virar este pobre mundo do avesso no espaço de uma geração!
A nossa principal missão é dar condições aos jovens de todas as idades. Aos que estão a criar coisas, seja onde for, a pôr em movimento, cada dia, este país debilitado.

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