quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

ortopedia



O problema de muitas pessoas que sabem é só saberem muito.
O importante não é saber muito, em si: o importante é a estratégia de organização do saber: é um problema militar, ou, para encontrar uma metáfora mais simpática e corporal, é um problema ortopédico: o importante é perceber onde o pensamento se articula, onde está o joelho, o nó volante da rede.
Saber muito para a maior parte dos que sabem muito é um deserto horrível: a aridez eterna, onde se perdem até à morte, em congeminações, manuais, mais dados, sempre mais dados, numa sede proporcional à secura que os definha.
É crucial perceber isto.





3 comentários:

SGC disse...

Sophia de Mello Breyner, num conhecido poema tb alude a essa problemática (claro q o exemplo tinha q ser um exemplo régio, eh,eh):

"O Rei da Ítaca"

A civilização em que estamos é tão errada que
Nela o pensamento se desligou da mão

Ulisses rei da Ítaca carpinteirou seu barco
E gabava-se também de saber conduzir
Num campo a direito o sulco do arado



Sophia de Mello Breyner Andresen
O Nome das coisas (1977)

Bjs.

Eli Anita disse...

Gostei desta reflexão.
Do princípio ao fim, uma verdade que partilho consigo.
E boa metáfora, já agora!

jota21 disse...

Se me permite a achega, do que se trata é de pôr o(s) saber(es) em movimento, em circulação para evitar a esclerose e a aridez a que alude.

Sejamos poetas: EN-CICLO-PEDIA...

...não será o desígnio supra a mais bela concretização de qualquer projecto (de vida ou outro...) de vocação enciclopédica...

Jorge A. S.
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