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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Museu Nacional de Arqueologia



Chegam-me notícias de que se pretende mudar o Museu Nacional de Arqueologia, património de todos os portugueses e portanto meu também (ali fui com o meu pai quando tinha quatro anos, pela primeira vez, e agora tenho 61... e desde então aquele sítio representa muito para mim, é o núcleo de Lisboa em que ainda mais me reconheço) para outra instalação, que parece imprópria. Não estou dentro do "dossier", aliás é difícil a um cidadão que trabalha adentrar-se nos assuntos suficientemente para poder intervir no espaço público como é seu dever e direito, sem cair no ridículo de falar de cor. Mas habita-me a convicção profunda de que neste caso tais intenções se não concretizarão, porque tal acto é simplesmente impossível. Há coisas que não se podem fazer, e não há aqui relativismos nem discussões possíveis. Tirarem-nos o Museu Nacional de Arqueologia dali nao é possível. Não se pode deitar abaixo certos símbolos, não se pode empacotar certos arquivos, não se pode mexer em algo que, neste caso, vem de Leite de Vasconcelos, que é a nossa memória, o pouco que ainda nos resta de apreço por Portugal. 
É evidente que desde pequeno que ouço falar no espaço definitivo do Museu, dantes organismo dependente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e do projecto (abortado) de o instalar mais ou menos onde hoje está a Torre do Tombo, além de muitas outras coisas. Assisti à modificação do Museu, após o 25 de Abril, num museu tipológico, do tipo Saint Germain-en-Laye, e depois numa galeria de exposições temporárias, mas muitas delas extremamente importantes (não há espaço para mais). Pela sua localização carismática, pelo seu acervo, pela dinâmica que o director lhe tem inculcado, o MNA é uma referência importantíssima do nosso país.
Por isso esta minha mensagem é serena, não se dirige contra ninguém, até porque não conheço exactamente quem está por detrás de tal intenção, estou off, o que é perfeitamente secundário. É que há uma coisa em que estou in, e não posso deixar de me pronunciar, pois em 2001 o Presidente da Repúbica outorgou-me uma medalha que me dá certas obrigações: temos de defender o MNA assim como defendemos o Côa, nunca contra ninguém, mas a favor, em prol do bem público, de valores absolutamente indiscutíveis e intocáveis. Há coisas em que temos de ser firmes. Mas firmes não por causa de questões políticas eleitoralistas ou outras, disposições de momento, vontade de realce, ou de interesses deste ou daquele tipo. Por uma questão de dignidade. Os cidadãos são quem faz o espaço público; e os especialistas de uma matéria (neste caso a arqueologia) têm de ter uma voz, e a sua opinião tem de ser respeitada. Há limites.


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