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quinta-feira, 23 de abril de 2009

identidades, vocações, regime de subjectividade


Há uma novo regime de constituição destes elementos no sujeito, na nova era que estamos a viver do capitalismo. Um novo sujeito é solicitado pelo "mercado". Esse sujeito tem de possuir uma disponiblidade e uma versatilidade que nada têm a ver com o antigo sistema da "auto-descoberta" da vocação própria, e do seguimento, ao longo da vida, de uma preparação e do exercício de uma profissão. Tudo isso está moribundo. Por isso um estudo sério seja do que for é só para uma élite.
O novo sujeito é irrequieto e disponível para aquilo que o mercado lhe pede. Visível, em ordem constante de marcha, sem outra vontade ou vocação que não seja triunfar, seja em que nicho for. Qual soldado preparado e treinado para uma grande variedade de palcos de acção. Esta situação mina o ensino tradicional do mesmo modo que elimina empregos. O conhecimento que se torna importante é de novo tipo, em permanente alerta para a mobilização para campos de acção inesperados (o que está a dar). Por isso se encurta o ensino, os graus, a durabilidade dos projectos. Tudo se efemeriza em função das exigências do capital. Claro que isto é depredador e causa estragos e é anti-económico no cômputo geral: aumento das doenças, do stress, das exclusões, etc. Que importa, se permite o cada vez maior enriquecimento e bem-estar de minorias? Quem é que neste ambiente consegue estabilizar minimamente uma relação, uma pesquisa, uma reflexão, uma constituição de subjectividade que nunca deveria estar sob intenso stress, senão é ou depressa se transforma numa subjectividade doente? Mas o mundo tornou-se nesta máquina, e nós todos somos gestores da mesma. Já não como o Chaplin a apertar parafusos que nem pateta, nos "Tempos Modernos", mas a apertar todos os dias os botões da nossa própria disponibilidade. Para onde vou? Para me mandam? Que querem que eu sinta profundamente como meu? Que sentimento vou sentir? É esta a forma última do biopoder, da biopolítica: a do controlo do desejo de desejar a que os indivíduos, largados no mundo, estão sujeitos. Aqui Michel Foucault, entre outros, completa muito bem o que Lacan por exemplo (entre outros também, é claro) deixou entrever. Esta gestão do Vazio, esta economia. Em que muitos ainda continuam na mesma rotina, numa espécie de comboio sem máquina, mas ainda a caminhar por inércia sobre rails inúteis. As pessoas têm um enorme medo - e uma enorme incapacidade - de mudar as suas estruturas subjectivas, de ver o chão da identidade fugir-lhes debaixo dos pés, de perceber que o que aprenderam, ensinam, praticam e levam os outros a praticar já não faz sentido.
Abordarei isso no meu curso, segunda-feira, dia 27.



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