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domingo, 12 de abril de 2009

economia libidinal

As pessoas comuns, que vivem na evidência, gerem o melhor possível as suas vidas e, nesse sentido, possuem uma espécie de sabedoria invejável. Provocam a mesma nostalgia dos objectos e dos animais: parecem estar bem no seu estar.



Porém, se o mundo fosse apenas habitado por esse tipo de seres humanos, já claramente maioritário, seria de um tédio imenso.

Sem os irrequietos que arriscam fora do comum, na arte, na ciência, na filosofia, na busca de uma certa intensidade, de uma certa "verdade", que fariam os outros após terem gerido as suas vidas comuns?
Sem os que arriscam fora dos ritos que arrastam multidões, e que a contra-corrente se isolam para tentar criar eventualmente algo de admirável (digno da atenção especial dos outros, agora ou no futuro), mesmo à custa de muitas provações e incompreensões, o que seria deste mundo já tão desencantado?

Por isso os gestores se voltaram desde sempre e cada vez mais para a "cultura", pois interiorizaram que, se há alguma coisa que caracteriza o humano é o desejo (não confundir com prazer sff), e não as míticas "necessidades essenciais", que são uma caritura obscena do humano ou a descrição da situação infra-humana a que lamentavelmene uma grande parte da humanidade está reduzida pelo sistema predador da vida.

Para nos manterem como consumidores, incluindo o consumo do nosso próprio desejo (o desejo é o desejo do desejo), os gestores há muito que se tornaram em autênticos especialistas de "psicanálise prática."

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