quinta-feira, 11 de setembro de 2008

sabes



sabes, o belo é para as pessoas se entreterem.
o Sublime, sabemo-lo há séculos,
beija constantemente o Ridículo.

num daqueles beijos fundos que con-fundem.

mas a lava negra que sai dessa boca unida
é de uma soberania total.

os animais prostam-se perante ela.

e até deus dá um risinho frenético, efeminado,
como se não lhe fosse suportável o olhar amarelo,

brilhante, das suas criaturas,

como se esse olhar o congelasse a ele, deus,
na sua solidão eterna, na sua areia rasteira

de excrementos e pedras espalhadas na horizontal,
pois que tal é o modo de estar do infinito,

a cama onde ele dorme.

deus é como um camelo: até os seus excrementos
se assemelham a tâmaras. e foi assim, pelo ânus,
que ele criou o mundo no princípio.


estendendo o Sublime no Ridículo,
confundindo as essências,
espalhando odores contraditórios,
unindo bocas, abrindo

o segredo da diversidade
irrepresentável, no vértice do cristal em que se senta
e que ao mesmo tempo o sodomiza,
adiando constantemente a possibilidade
da síntese.



voj texto e foto 2008

2 comentários:

Então disse...

Adorei....Beijocass*** do Brasil

Vitor Oliveira Jorge disse...

Ainda bem. Bom receber uma mensagem do Brasil, país onde nunca fui, mas quero ir! Diga sempre coisas... obrigado.