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sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Marrocos - Setembro 2008 - pessoas "fugidias" ...


Homens saindo de uma mesquita (fomos aliás na altura do Ramadão, em que muitas actividades cessam ou estão sujeitas a regras diferentes e temporalidades diversas das do resto do ano, como é bem conhecido - essas restrições são entendidas como purificação e reafirmação da fé).

Rapazes contra a parede de terra.









Homens sempre juntos: um mundo separado das mulheres, em público.

As crianças olhando de frente; as mulheres sempre que possível tentando desviar ou esconder o rosto.






Vendo os turistas passar... entre Taroudant e Zagoura.















Localidade entre Merzouga e Ourzazat.




Mulheres a vender na rua. Localidade entre Merzouga e Ouarzazat.



Homem dormindo na rua, contra uma parede de argila. Kasbah de Ait Ben Haddou.



Kasbah de Ait Ben Haddou.




Criança. Ait Ben Haddou, entre Ouarzazat e Marraqueche.





Entre Ouarzazat e Marraqueche: mulher e adolescente.



Trio de músicos. Hotel. Marraqueche.




Rua por detrás do bule antigo. Medina. Marraqueche (loja de antiguidades).




Destino dos patos e outras aves.


Doces. Marraqueche.













Marraqueche. Medina.


Escolhendo souvenirs de pouco gosto... Medina de Marraqueche.






Marraqueche. Medina. Aqui podia ficar-se para sempre, a recolher imagens, num delírio visual interminável. Como em qualquer medina, para qualquer ocidental, o prospector de novidades, o caçador de ilusões. Obcecado por "apanhar a vida em flagrante". Coitados de nós.



Marraqueche. Medina. O homem das galinhas.



Marraqueche, uma mulher passa na rua.


Água, o seu trabalho amoroso.

Marraqueche, jardins da Menara.

Como as notas de um alaúde, seguem-se umas às outras numa (aparente) desconexão. E imediatamente o trabalho da nostalgia as tenta unir por um nexo qualquer... 

Há como uma obsessão repetitiva em tudo isto. Essa obsessão, essa contínua variação em torno de um mesmo, perpassa a vida, a arte, a música. Torna-se monótona, mesmo chã e comezinha, para o ocidental, sedento de novidade, sempre. Suplício. 

Mas não se pode passar jamais para o lado de lá. E do lado de lá há evidentemente inquietações, incomodidades, horrores, miséria a acotovelar a ostentação e o poder, domínio, frustrações e recalcamentos tremendos. Somos apenas turistas, estamos aqui para fotografar, comer e dormir, e continuar, enquanto as pessoas ficam para trás, na sua vida quotidiana. Perda.

As verdadeiras fotografias de pessoas, são de pessoas que não sabem que foram fotografadas e que nós não conhecemos. Assim, o "shot" da máquina não as atingiu em cheio. Escaparam em parte ao assassinato.
Pessoas apenas (entre)vistas: eis o que procuro, eis o que o olhar à minha frente sequiosamente deseja, arrastando o corpo tantas vezes cansado.

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