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sábado, 10 de outubro de 2009

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Debaixo das várias cidades
Em planos sucessivos de cor e luz
Existem mundos estratificados

Que se iluminam e apagam
Conforme se desce ou sobe: elevadores
Impulsionados por forças telúricas

Onde se circula a alta velocidade
Onde se sente em alta voltagem
Com a aorta na palma da mão,

Com um renque de lâmpadas acesas
Em cada canto dos veículos luminosos.

Deslizamos! E pelo caminho o que importa
São as sensações que mudam constantemente,
Fotografias que se disparam, atirando
Cores e luzes variadas contra os obstáculos;

Espaços lisos, onde dançam criaturas
Indecifráveis e magníficas, aristocráticas
Nos contrastes cromáticos, segurando
Feixes de ondas hertzianas na palma da mão.

Nós só conhecemos uma parte mínima
Desta fantástica panóplia de sons, de baterias
Ecoando nos corredores, enervando reflexos,
Orientando naves, movimentos multiplicados

Pelos níveis e sub-níveis dos mundos
Divididos entre si pelos adejar dos tules
E das sedas, pela epiderme das figuras dançarinas
Que em cada andar exprimem a sua fantasia.

Erguem os braços! E os seios projectados
Rebentam os cordões dos corpetes, arranham com as pulseiras
As nuvens do céu, o firmamento onde as unhas tocam
O chão do andar superior, e as nuvens se espalham

Em torno dos aviões, das guitarras voadoras,
Numa proliferação de sons que chega a afectar
As paisagens, abrindo brechas por onde umas figuras
Passam de um andar para outro, com lâmpadas

Inchadas nos olhos, cheias de curiosidade, e esticando
Os lábios, abrindo os lábios roxos, como grandes
Pavões aristocráticos, como estandartes exaltados:
E batem com força noite e dia nas teclas das estrofes...

Instala-te pois nas carruagens do poema, que vamos
Partir para um mundo contíguo ao nosso, onde
A esta hora as figuras já se ataviaram como gazelas
Coloridas, e erguem o dorso, e expõem a sua intimidade

Desmesuradamente, electricamente, num espectáculo
Magnífico, colorido, uma pornografia acolchoada e
Maravilhosa, libertada de todo o sentido, apenas querendo
Voar entre mundos, erguer o excesso como uma hóstia de veludo!

Ouve as guitarras vermelhas que sobre o horizonte
Compõem o pôr-do-sol deste subterrâneo luzente:

Ergue as saias, atira o sexo para a frente do tempo,
Com toda a força, com a doce violência de uma guitarra,

Vamos partir para a terra do gozo eléctrico, ilimitado,
Deslizando como anjos e rindo loucamente como diabos.



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Texto: voj porto out. 2009
imagens: Ernesto Timor
site: http://www.ernestotimor.com/

3 comentários:

Tété disse...

"Pelos níveis e sub-níveis dos mundos"
o que mais encontramos é o desnivelamento das vidas.

Blogat disse...

Anjos e demônios,nas carruagens dos poemas.
Maravilhoso.

Vitor Oliveira Jorge disse...

Dá-me um prazer demoníaco escrever estas coisas...