I am not

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A Sombra

Há uma sombra que se espalha pela Europa. Que lentamente se reergue das cinzas mortas e recupera os velhos temas de que se alimenta. O lugar cómodo onde o comum habita, bascula. Confortável na sua cadeira lendo as notícias, nota que se eleva e escorrega. Vai percebendo que se encontra nalgum tipo de movimento, sobre o qual não esconde a sua surpresa. Relembra-se um barco num oceano, fragmentado em partes, das quais apenas já só uma flutua. A orquestra ainda toca e ele sente o sabor de um embalo. Senta-se ainda na posição de poder criticar os empregados, dado o seu movimento apressado, não percebendo que escorregam, dado o desnível. Todo aquele frenesim incomoda o presente. É uma chatice e por isso vocifera contra um convés demasiado encerado e a falta de cuidado. Não lhe permitem ouvir o "Outono" com a clareza e a beleza necessária (e aquela orquestra toca tão bem, apesar do plano já se encontrar tão inclinado). Não são como ele, firme, claro (de tez e de mente); um eu que proclama contínua e absolutamente. Percebe-se que cada certeza que afirma é uma interrogação enuciante ao enunciado (ou será o vice no verso?). Mas que importa isso se é ele (Ele!).
Quem foi? Parece que se entreteve enquanto operário especializado de uma firma francesa de produção de automóveis. Há todo um filme que nos percorre mostrando como se levantava (já de um modo que percebemos como encenado, quer para nós como para ele) e percorre as ruas desertas de uma madrugada ainda nocturna, para chegar à fábrica do seu entretevimento. Não que isso signifique que tenha por aí encontrado um qualquer prazer que nos sirva para atrair uma qualquer inveja, mas antes porque se aí deteve nalgum tempo e por aí se encontrou no que passou a considerar como sigo o mesmo.
Sempre teve a vontade de seguir algo e aquela linha de automóveis atraía-o, embora não pudesse consciencializar completamente porquê. Os mecanismos de roda dentada metidos numa caixa a que se dava o nome de velocidades aceleravam-no. Faziam sentido do sentido até porque continham uma velocidade que permitia a marcha atrás (uma, o que não é de somenos). Poder-se-ia até pensar por isso, que lhe era permitido viajar no tempo. Ele assim assentia a "sim" por vezes, dado que esse movimento lhe permitia assegurar da fiabilidade de um mecanismo inverso, outras vezes assentava-se no "não" (que é sempre algo de único: o pai de todos os nãos), dado que isso também lhe permitia assegurar, que o mecanismo não o tinha absorto (a Si) totalmente.
Por essa mesma razão (a do movimento inverso da caixa que o entretinha), perguntava-se agora, neste um mas não único momento, se o mesmo mecanismo que o tinha feito subir, não o poderia fazer descer, com a mesma subtileza da engrenagem, que lhe tinha permitido encontrar-se com sigo o mesmo. Queria voltar à placitude dispersa (de ondas q.b.), contudo acabou por encontrar (agora sem nenhum "não" antes da surpresa) que já mergulhava nas águas pouco tépidas, de um continente em fuga (Eu...). Até ao último momento (que era apenas mais um) vociferou esse mesmo prefixo enunciado de fuga.

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