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sábado, 21 de março de 2009

Aqui há sexo, da Dra Marta Crawford


Eu, que nunca tenho tempo para ver televisão (tento apenas seguir o noticiário das 21 h. na Sicnotícias), dei há dias com este programa nocturno da TVI, salvo erro da 1 às 2 da manhã. Vi depois também alguns comentários em blogues e outros sites.

Também há pouco tempo vi o seu congénere americano, Talk Sex, embora realmente as apresentadoras sejam bastante diferentes: a americana é uma desenvolta anciã, a portuguesa uma sugestiva mulher.
Esta coisa da sexologia (basta ter lido Foucault) tem muito que se lhe diga. Falar e aconselhar sobre "sexo" pela televisão, como se de um programa de receitas de cozinha se tratasse, então é uma maravilha. Merecia um estudo crítico o discurso e a ideologia, enfim todo o dispositivo que está por detrás deste tipo de programas, tanto do ponto de vista dos "problemas" tratados, como da retórica das soluções, como, evidentemente, do lado dos que entram no jogo e telefonam a suscitar questões.

Há também sempre sobre a mesa uma "caixa de brinquedos sexuais", que no caso americano por exemplo suponho que se vendem através do programa, mas o que é realmente mais interessante é o modo, o estilo. Sob a égide da ideia maravilhosa de que "não há tabus", toca a falar com/e da "vida íntima" das pessoas como se de qualquer outra coisa se tratasse. Tabu opõe-se a prazer, e o importante parece ser gozar, gozar o prazer e não ter ou sentir dor, prevenindo também doenças. É o eugenismo televisivo mais fantástico, no caso português apicantado pela sensualidade da médica.
Uma maravilha, pelo menos da primeira vez que se vê. A seguir começa a tornar-se monótono todo este desfraldar em público de supostas intimidades e descontracções. Como no big brother, vê-se e depois nunca mais se quer pensar naquilo.
As pessoas reduzidas a máquinas de prazer, eis um dos sintomas da ideologia consumista, que não tem entraves, nem tabus, para nos tentar vender ilusões e banalidades.
E, em época de crise e de falta de dinheiro, dá a impressão que em todas as suas formas a economia do orgasmo ainda é a mais democrática, ao alcance de todas as bolsas, perdão, de todos os "sexos".
Enfim, um bocadinho de leituras sobre o género e a sua problemática fazia bem a este frenesim despudoramente juvenil... mas malicioso e triunfante, porque vende.
E mais não digo, que tenho de me levantar muito cedo... até daqui a uma semana, espero.
Bons orgasmos por cá... para ir na onda!

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