segunda-feira, 11 de junho de 2007

Pensamento simbólico na perspectiva antropológica

Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa

Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9



SEMINÁRIO DE ESTUDOS PÓS-GRADUADOS



SEMINÁRIO DE ANTROPOLOGIA



Sexta-feira, 15 de Junho de 2007



15h00

Sala Polivalente



Fluidez e Ambiguidade do Pensamento Simbólico (o Caso Ruwund): Para uma Crítica a Alguns Modelos de Análise

por

Manuela Palmeirim
do
Instituto de Ciências Sociais
da
Universidade do Minho


Transcrevo a segir o resumo que acompanha a notícia:

"Fluidez e ambiguidade do pensamento simbólico (o caso ruwund): para uma crítica a alguns modelos de análise

Manuela Palmeirim
Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho


O conceito de “versões” ou “variantes” tem-se afirmado crucial na análise das tradições orais. Contudo, o uso das versões como textos “fechados” e “delimitáveis” conduz, quando falamos das tradições centro-africanas de fundação do estado, à emergência de contradições desconcertantes e aparentemente irresolúveis. Os historiadores africanistas crêem-nas passíveis de serem questionadas quanto à sua veracidade; os estruturalistas reduzem-nas a oposições algo estáticas. Ambas as abordagens, tentaremos demonstrar, obscurecem a extrema riqueza, complexidade e, acima de tudo, a extraordinária ductilidade destas narrativas.
Uma apresentação da história de fundação da realeza dos aruwund do Congo (RDC) mostra que esta tradição oral deve ser compreendida como uma “constelação” daquilo a que chamaremos “narrativas menores”, as quais são ora recordadas ora omitidas pelos narradores veiculando diferentes níveis de especificidade e diferentes ênfases simbólicas à narração. Esta característica, aliada à fluidez que é conferida pela natureza classificatória do sistema de “parentesco perpétuo”, dá conta de muitas das contradições aparentes e faz do corpus de tradições orais ruwund um universo dinâmico e continuamente aberto a reivindicações e interpretações diversas. A leitura que será apresentada sugere o paradoxo, a ambiguidade e a fluidez como os mecanismos sobre os quais se constrói o pensamento simbólico e, desta forma, afasta-nos quer das abordagens históricas quer da fixidez dos modelos dicotómicos frequentemente utilizados na sua análise."

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