I am not

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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

trop tard ?


Image: "Copyright © Dave Levingston"
web site: http://www.art2view.com/DaveLevingston
blog: http://exposedfortheshadows.blogspot.com

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acalentamos sempre a esperança de que pelo meio do verão aconteça algo, apesar do descanso (ou resignação?) das coisas e das pessoas. época de sono, tempo das tardes verdes claras, às quais vêm dar ondas baixas, relaxantes. mas tempo também de repintar paredes, de abrir as casas ao tempo, como que num desnudamento geral. de ver corredores da casa correrem para os areais, de sentir pegadas de alguém anterior sob os pés, de suspensão no limite de uma qualquer falésia. areia fazendo um ruído ao ser pisada. tudo isso já foi dito e redito, os barcos partiram e com eles o amor, e por um breve lapso uma pessoa deixa-se ficar, e logo a seguir já é tarde, já aconteceu há muito tempo, e a lua aparece em pleno dia. remorso. os sofás completamente cheios de ausências. a família, os seus aparelhos acumulados, e jogos, e brinquedos desfeitos. baús. piratas vindo dar às pensões de praias ainda pouco descobertas, e pedindo de beber antes de saquearem qualquer coisa. um motor, talvez uma viola eléctrica, a trabalhar dentro do motor do coração. sossego, desassossego, sensações diversas vindo e indo, aspiradas como as ondas, atrevidas como elas. tudo sem qualquer sentido, acontecendo mesmo aqui. uma mulher loura, nua, a fixação das suas linhas: que significa isso? uma carpete esticada, um pombo intrusivo, tudo diz do grau da areia sobre o chão. a morte da imagem. a sua exaustão. um grande maple aberto virado à luz. riscas dos toldos à frente da pensão barata. um certo tom ridículo de tão sublime, ou de tão vulgar. nada mais. onda que vai, onda que vem. máquinas suspensas no tempo, tubos de tubas saindo pelas janelas, compondo quadros. uma velha sorri em goya. o mundo juntou-se todo aqui, sem esperança. esticado sobre a sua própria insanidade. não podemos senão esperar mais símbolos, e metáforas, e outras figuras, se continuarmos o caminho. mas não temos opção. os barcos partiram há muito, ou talvez estejam ainda a partir, mas já nem um salto vigoroso os alcançaria. e daí...


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