
primeiro o teu corpo era feito de água e pedra, a tua epiderme tinha a textura do xisto polido, as tuas superfícies acariciavam-se como se fossem grandes bolas no meio do rio, trabalhadas pelas incontáveis torrentes.
trouxeste as espáduas até ao rio, os caminhos deslizando pelos pés brancos, e assim uniste humidades diferentes, e topografias, e lugares de estar e de deslizar: as encostas, as ervas desfazendo-se em suco verde, a água finalmente aquietada nos sulcos do fundo.
ao entrares na água, ao dar-se a entrada da água em ti, o rio estremecia num arrepio.
era a geografia, era um lugar, era o meio da tarde, ou uns minutos depois, quando alguma coisa se reclina na natureza, e esta começa o seu movimento corporal para a almofada da noite.
é então que o teu corpo se levanta, apenas para ser mais um tronco e uns ramos, um arbusto potente contra o sol que já declina.
vista de baixo, não se pode dizer nada de ti, fazer nada de ti.
fica-se completamente concentrado na contemplação de teu movimento, do que vais fazer com o corpo nesta paisagem, coberta das gotas que trouxeste do rio, sobre a pele, dos ramos e dos odores que foste buscar às ervas para os cabelos.
mostras-te, sim, como um estranho objecto, ou animal branco: mas esse é apenas mais um espectáculo da natureza, no fundo do rio,
onde mais ninguém nos procura, nem a estas palavras que, furtivas, saem pela torrente e deixam as grandes bolas de granito sozinhas, no meio da água, expostas ao frio e ao isolamento em que sempre estiveram, enquanto os peixes deslizam ondulantes para outro lugar onde já uma nova cena possivelmente se prepara.
trouxeste as espáduas até ao rio, os caminhos deslizando pelos pés brancos, e assim uniste humidades diferentes, e topografias, e lugares de estar e de deslizar: as encostas, as ervas desfazendo-se em suco verde, a água finalmente aquietada nos sulcos do fundo.
ao entrares na água, ao dar-se a entrada da água em ti, o rio estremecia num arrepio.
era a geografia, era um lugar, era o meio da tarde, ou uns minutos depois, quando alguma coisa se reclina na natureza, e esta começa o seu movimento corporal para a almofada da noite.
é então que o teu corpo se levanta, apenas para ser mais um tronco e uns ramos, um arbusto potente contra o sol que já declina.
vista de baixo, não se pode dizer nada de ti, fazer nada de ti.
fica-se completamente concentrado na contemplação de teu movimento, do que vais fazer com o corpo nesta paisagem, coberta das gotas que trouxeste do rio, sobre a pele, dos ramos e dos odores que foste buscar às ervas para os cabelos.
mostras-te, sim, como um estranho objecto, ou animal branco: mas esse é apenas mais um espectáculo da natureza, no fundo do rio,
onde mais ninguém nos procura, nem a estas palavras que, furtivas, saem pela torrente e deixam as grandes bolas de granito sozinhas, no meio da água, expostas ao frio e ao isolamento em que sempre estiveram, enquanto os peixes deslizam ondulantes para outro lugar onde já uma nova cena possivelmente se prepara.

voj 2008
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Fotos: Grace Ho
Fonte: http://www.graceoh.net/portfolio.html
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