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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

explosão:implosão


A mulher distende-se.

Afasta cada um dos seus membros

Para o mais longe possível do centro.



Rompe a pele, espalha os órgãos.

A atmosfera da mulher é assim

Rarefeita, um éter em que levitam

Partes ligadas por linhas, ligas, elásticos.



Sobre o grande espelho

Do antigo guarda-fato

A mulher projecta um eixo central

De onde partem radículas em todas

As direcções.



E os globos iluminados

Assistem a esta revolução secreta

Sem saberem que, através das fendas,

Para dentro de si,



A mulher projecta também

Figuras geométricas tensas,

Radículas, fluxos instantâneos

Que se dirigem às suas constelações

Interiores.



Não se descobriu ainda a física

Que descreva isto, que reduza a fórmulas

Tamanha força, o enigma



Da floração dos pêlos,

A astronomia destes astros, destes sapatos

De salto alto, bicudo, metálico,

Furando constantemente os lençóis iniciais.



Sobre o firmamento do útero

Giram luas e ondulam oceanos

Desde sempre à procura da resposta,

Do eixo em que a razão quer encaixar

Esta explosão ou implosão que é a mulher.





Vítor Oliveira Jorge, texto e foto

(Marrocos, palácio Bahia, Marráquexe, Set. 2008)



3 comentários:

líria porto disse...

belo poema.

Vitor Oliveira Jorge disse...

Obrigado...ultimamente o facebook tem-me ocupado o tempo que antes dedicava ao blogue... mas não desisti deste, pelo contrário!

alice disse...

gostei muito deste poema, caro victor. cumprimentos.