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sábado, 6 de outubro de 2012

Job


Zizek sobre o Livro de Job: "Diria que talvez seja o primeiro exemplo da moderna crítica da ideologia." (p. 152) Job "quer afirmar a falta de sentido do seu sofrimento." (...)
" E no instante em que aceitas o sofrimento como algo que não tem um significado mais profundo isso significa que podemos mudá-lo, combatê-lo. Este é o nível 0 da crítica da ideologia - quando a tua interpretação mostra que as coisas não têm um significado [uma razão de ser assim]."
O sofrimento de Job, demonstrando a derrota de Deus (que reconhece a injustiça do que acontece a Job) (...) "aponta para o sofrimento de Cristo. Passamos do judaísmo ao cristianismo quando esta separação infinita entre o Homem e Deus - o instante em que o Homem simplesmente não pode dar sentido ao seu sofrimento - é transladada para Deus ele próprio. É assim que devemos interpretar o grito desesperado de Cristo quando diz: "Pai, por que é que me abandonaste?" Não devemos entender esta pergunta  como "por que me atraiçoaste?", em termos das expectativas de um menino não satisfeitas pelo pai, que o não pode ajudar. É algo de muito mais desesperado. A queixa é dirigida muito mais directamente à impotência do Pai. O Pai não é omnipotente, e Cristo representa nesse sentido tanto a impotência de Deus como o sem-sentido do seu próprio sofrimento."

Slavoj Zizek,
"Arriesgar lo Imposible. Conversaciones con Glyn Daly, Madrid, Ed. Trotta, 2006, pp. 152-153 (trad. minha).

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