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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Temporalidade: apontamento






  • T. S. Eliot referido por Zizek: cada obra de arte realmente nova muda retroactivamente o próprio passado (neste caso, das obras de arte, da chamada "história da arte"). Por exemplo, as obras clássicas passam a ser percepcionadas de modo diferente. Há aqui aquilo de certo modo aquilo a que o estruturalismo chamava a prioridade da sincronia sobre a diacronia. 
  • Em cada momento histórico nós não temos
     apenas "o presente". O presente é sempre também todo "o passado", mas na medida em que este forma o que Deleuze chama "o passado puro virtual." 
  • Deste modo, acentua Zizek, devíamos distinguir as diferenças correntes, comuns, que apenas consistem em explorar possibilidades no interior de uma determinada "estrutura" do passado, das diferenças radicais, que, pelo contrário, reestruturam, neste sentido, o próprio passado. 
  • Ou seja, acrescento eu, nada há mais idiota do que a ideia de "reconstituir o passado", obviamente. O "passado realmente acontecido" é uma proposição enganadora, pois parece esconder a manha da história, que consiste sempre em ver "da frente para trás", retrospectivamente, mas apresentando essa visão sempre em mutação e sempre "interessada", posicionada, visando naturalizar, atemporalizar, determinado presente, como a "verdadeira visão".

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