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sábado, 15 de setembro de 2012

"Crise"

Ver apenas ou sobretudo o nosso assunto presente (governo e país em completo descalabro, desespero das pessoas, etc.) à escala nacional é não ver o assunto, na minha opinião. O problema é de uma crise sistémica do capitalismo, e a solução não está à vista, obviamente. Tivemos uma ditadura de quase meio século. Portugal não se modernizou mesmo do ponto de vista capitalista. Chegou à chamada democracia quando o sistema capitalista entrava em nova e profunda crise. Desabafar contra os políticos pode fazer bem às pessoas, óptimo. Claro que não resolve o problema do capitalismo, e portanto também do nosso minúsculo país. O capitalismo, como sistema envolvente (cada vez mais envolvente, numa espécie de horror ao vazio, destrói todas as fronteiras, tende para a globalização, incluindo os "espíritos") sempre se alimentou de crises. Pode mesmo dizer-se que a CRISE é constitutiva do capitalismo. Já tentou várias soluções, sempre com benefício de alguns, obviamente, em detrimento de outros. Acenou-nos com o Estado social, o estado de relativo bem-estar para (quase) todos. Pois bem, esse estado há muito acabou a nível internacional.  Apenas nos países que se modernizaram "a tempo" (entre o fim da segunda guerra mundial e os anos 70) existem ainda resíduos do "Estado social" ou "Estado providência". Essas raizes, a não se inverter a tendência (o que é imprevisível, estamos hoje sem possibilidade de planeamento, e por isso é que tanto políticos como "sociedade civil" parecem baratas tontas, cada um para seu lado, num desespero atroz, com excepção de alguns que estão a ganhar muito) vão desaparecer. De forma que, a não se dar uma revolução (de um tipo completamente novo, diferente do da Revolução francesa por exemplo), o que não é impossível, o mundo vai cada vez mais ser governado por mafias, protegidas pela lei que elas próprias fabricam porque são detentoras do poder/capital para isso, e a maior parte das pessoas torna-se excedentária, isto é, vai morrer ou empobrecer a um ponto miserável, transformando-se cada um no que Agamben designa, inspirado no direito romano Homo sacer (o indivíduo reduzido à pura existência nua que pode ser morto a qualquer momento). É esse tipo de sociedade que se desenha no horizonte, e de que estes rapazinhos que governam são apenas marionetas. Gritar contra as marionetas faz bem ao ego, todavia. Desabafa-se.

1 comentário:

@rucci disse...

pensamos, sabemos, sentimos... e nada maiso que aguardar sentados. é o humanismo, não se importe com isso... e além, como bem sabemos, o eremitismo nunca foi visto com bons olhos.
nuns há esperança, noutros objetivos, mas ganham sempre os mesmos.