IMP.
Documento de trabalho pessoal,
por ora.
Esta realização já foi
aprovada pela Câmara Municipal de Loures, apenas aguardando a criação de uma
linha gráfica por parte dos serviços competentes da autarquia.
Trata-se aqui pois de uma
divulgação prévia, feita a título pessoal, com o principal objectivo de
permitir aos interessados marcar este evento nas suas agendas, e de solicitar
colaboração aos potenciais interessados em co-moderar estas sessões. Essas
pessoas deverão fazer o favor de me contactar por mensagem. Desde já o meu/nosso
obrigado.
Esclareço as pessoas
interessadas nesta última forma de colaboração que, dada a situação de
restrições de despesa que se vive, todo o nosso trabalho é evidentemente realizado
“pro bono”.
VOJ.
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Câmara Municipal de Loures
Departamento de Cultura, Desporto e
Juventude
Divisão de Cultura
Área de Museus e Galerias
Museu Municipal da Quinta do Conventinho
Novembro e Dezembro de 2014
Tempos de Crepúsculo...
Quando a Coruja de Minerva
Finalmente Levanta Voo
Na introdução da sua obra
sobre a filosofia do direito, o grande pensador alemão Hegel referiu-se à antiga associação da coruja - ave noturna, que
levanta voo pelo crepúsculo, e à noite vê mais que todas as outras – à deusa
Minerva (a grega Atena), e portanto ao saber, à filosofia... Essa sua frase ilustra
a ideia de que o fim (ou a fase de amadurecimento de um processo, e em geral do
devir no seu conjunto, que é aberto e contingente), cria retroativamente as
condições para a compreensão dos factos passados, fazendo-nos ver as coisas
mais claras e como que (de certo modo, ilusoriamente) pré-determinadas pelos
seus antecedentes.
Por outras palavras, há aqui
uma causalidade retroativa, que tem
tudo a ver com a maneira como encaramos o tempo e a temporalidade: um ato
propriamente dito - e, nomeadamente, aquilo que podemos considerar excepcional,
um evento (algo totalmente
inesperado) – cria as suas próprias condições de possibilidade.
O futuro é imprevisível “a
priori”: apenas retroativamente podemos compreender a “lógica da história”... o
que só aumenta a importância do estudo crítico do “passado”, para fugirmos à
tendência de ver o tempo como uma
realidade contínua – passado, presente, futuro – isto é, como uma linha recta
que vai do início ao fim, e que é de origem cristã (opõe-se ao modo como os
gregos, por exemplo, conceberam o tempo). Era nessa ideologia que se baseava e
baseia a ideia de planeamento como
“colonização do futuro”, na frase de A. Giddens, sociólogo inglês que foi
conselheiro de Blair. Ora é interessante lembrar como a Sra Thatcher, campeã do
neoliberalismo, considerou que o maior êxito da sua ação foi...a “terceira via”
de Blair...
Foi aquela maneira cristã de
pensar o tempo (entre a Criação e o Juízo Final) que permitiu desde há séculos o
desenvolvimento do capitalismo, com
a sua aceleração (sobretudo a partir do século XIX), a sua “fuga em frente” em
direção ao futuro, sempre alimentando-se de “crises”. Mas também,
paradoxalmente, foi essa lógica temporal que pode ter bloqueado tentativas que
se fizeram de criar futuros alternativos, numa linha ideológica oposta à do
lucro e afirmação individuais, a lógica do mercado e do empreendedorismo, que
hoje aparece triunfante, e mesmo imbatível. Como se, absurdamente, a história
tivesse chegado ao seu fim...W. Benjamin tinha bem razão ao falar do
capitalismo como uma religião... que às vezes impregna inconscientemente mesmo
aqueles que dela dizem descrer...
Esta questão tem obviamente a
máxima premência nos tempos que correm, pois há sinais de que a situação
neoliberal que se propagou a todo o mundo pode descambar em novas (e perigosas)
modalidades de (sofisticado e tecnológico) autoritarismo, minando o que parecia
serem as bases de uma sociedade mais redistributiva, e mostrando os limites da
própria democracia tal como formalmente é praticada.
Pretende-se aqui
simplesmente criar um pequeno espaço de reflexão onde se aborde a questão da
história, da memória, enfim, do tempo, não apenas para nos entretermos com
conversas eruditas, mas para tentarmos “ver um pouco mais claro” no meio do
nevoeiro das opiniões e do ruído dos média, a contrapelo do que se ouve no
ambiente em que se vive – um espaço público insuficiente, depressivo e deteriorado.
Assim, propomos um primeiro
ciclo de encontros/debates com o Professor Vítor Oliveira Jorge, docente
aposentado da Universidade do Porto, o qual, em tardes de sábado, abordará os
seus pontos de vista, expondo-os como “motes” para um debate com quem deseje
participar, entre as 15 e as 18 horas, numa sala do Museu Municipal da Quinta
do Conventinho, em Loures.
Esses primeiros quatro
encontros – e dizemos primeiros porque poderão seguir-se-lhes outros, caso
estes despertem o interesse dos participantes; ora, o êxito da iniciativa
dependerá também muito desses participantes... – decorrerão dos dias 1, 8 e 29 de Novembro e 6 de Dezembro de 2014; a
participação nas sessões é inteiramente gratuita, pedindo-se apenas uma
inscrição prévia. Os temas a abordar serão, sucessivamente:
HISTÓRIA – 1
DE NOVEMBRO de 2014
A história linear que nos ensinaram e ensinam não
corresponde aos nossos anseios, havendo que desenvolver outras formas de pensar
a temporalidade e a causalidade.
MEMÓRIA – 8
DE NOVEMBRO
Memória individual e memória colectiva... constituição
da subjetividade e da participação cidadã... mas isso implica pensar novas
formas de viver em comunidade.
ARQUIVO – 29
DE NOVEMBRO
O arquivo, a obsessão de conservar, é a outra face da
obsessão de produzir. Mas para quem, e para quê? O arquivo está ligado ao
poder, desde os Arcontes (magistrados) gregos... quem detém o que se arquiva e
o que se descarta ou oculta? Quem controla o arquivo?
MUSEU – 6 DE
DEZEMBRO
Museu, lugar da canonização, local de culto laico do
passado. Museu, a outra face da moeda do consumo. Pensar o que significa
contemplar na era do turismo.
Aos participantes inscritos contamos enviar antes de
cada sessão, por mail, um texto (ou um link para um texto disponível na net)
que seja útil ler antes da referida sessão. Estes encontros decorrerão em
ambiente informal, pedindo-se apenas às pessoas a possível pontualidade. A meio
da tarde haverá naturalmente um intervalo para restauração, podendo os
participantes aproveitar a cafetaria/esplanada que existe no Museu.
Local de realização:
EN
8 km 4,3 - Quinta do Conventinho, 2660-346 Santo António dos Cavaleiros –
Loures
Telefone: 21 115 0660
Nota
biográfica do coordenador dos debates
(o
qual convida outros potenciais intervenientes para apresentarem os seus pontos
de vista e dialogarem, em cada uma das sessões)
Vítor
Oliveira Jorge nasceu em Lisboa em Janeiro de 1948 e vive em Loures.
Licenciou-se em História na Faculdade de Letras de Lisboa em 1972. Fez quase
toda a sua carreira universitária na Universidade do Porto, sendo professor
catedrático desde 1990, e tendo-se aposentado em 2011. Doutorou-se em 1982 com
uma tese em arqueologia, área genérica que já tinha sido a da sua dissertação
de licenciatura. Tem obra poética, e ensaística, interessando-se muito por
questões transversais, interdisciplinares, tendo organizado numerosas
iniciativas nesse âmbito, nomeadamente sobre temas que serão abordados neste
ciclo de encontros.
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