terça-feira, 31 de maio de 2011

Última aula


Escavações em Castanheiro do Vento, Horta do Douro, Vila Nova de Foz Côa, Julho de 2009. Ana Vale e Bárbara Carvalho.





Sexta-feira, dia 3 de Junho de 2011, entre as 15,3o horas e as 19,30 horas, integrada na cadeira de Arquitecturas da Pré-história Recente da Europa Ocidental (licenciatura em Arqueologia), darei a minha última aula como professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, concluindo assim um percurso de docente universitário iniciado no ano lectivo de 1972/73.

A entrada é livre até à lotação da sala, que é pequena. 3º piso, sala 311.
Espera-se que a aula seja menos uma lição minha e mais um debate em torno dos problemas da arquitectura e do conhecimento em arqueologia, com as suas ligações aos famosos 4 As de Tim Ingold: Arqueologia, Arquitectura, Arte, Antropologia.


VOJ

domingo, 22 de maio de 2011

poema

súplica frenética de magritte quando se volta ao avanço plano da onda pela areia molhada





as ânsias sobem do tapete

sob a mesa da leitura,

e pelas pernas acima vêm

bocas, murmúrios, memórias,

toda a invasão lenta

dos ardores.

tudo se concentra

na tulipa escarlate

que subiu

até ao tecto, e arde.

arde.

enorme,

como só magritte sabe.

e por isso

à beira do mar desmaiam

as pernas enormes,

deitadas, abertas em v,

suplicando ao horizonte,

às ondas

e às marés,

e às suaves anémonas,

ao seu ondulado silêncio

à sua sucção azul,

que venham urgentes

dar uma pausa de água,

um bálsamo de azul e saliva

uma imersão pacificadora

ao prolongado tormento.

rastejantes, até ao sexo,

como a aproximação gentil da vaga

como a aproximação invisível,

tão suave, tão incrivelmente suave

do consolo supremo, e afinal

tão simples e antigo:

é que são insuportáveis estas agulhas

estes ponteiros bicudos

dos relógios implacáveis

quando,

por debaixo da mesa de leitura

vêm, inadvertidamente,

cruelmente,

traçar assim lado a lado

como alfinetes

a extrema sensibilidade dos genitais.







voj

maio 2011, porto

sábado, 21 de maio de 2011

Zizek: Idealism and Materialism

Idealism and materialism/religion and atheism

“Perhaps the ultimate difference between idealism and materialism is the difference between these two forms of the Real: religion is the Real as the impossible Thing beyond phenomena, the Thing which “shines through” phenomena in sublime experiences; atheism is the Real as a grimace of reality. This is why the standard religious riposte to atheists (“But you can’t really understand what is to believe!”) has to be turned around: our “natural” state is to believe, and the truly difficult thing to grasp is the atheist’s position. (...) Atheism in not the position of believing only in positive (ontologically fully constituted, sutured, closed) reality; the most succint definition of atheism is precisely “religion without religion” – the assertion of the void of the Real deprived of any positive content, prior to any content; the assertion that any content is a semblance which fills in the void. (...)

Not only do both religion and atheism insist on the Void, on the fact that our reality is not ultimate and closed – the experience of this Void is the original materialist experience, and religion, unable to endure it, fill it in with religious content.”

“And is not this shift also the shift from Kant to Hegel? (...)”

Slavoj Zizek, “For They Know Not What They Do: Enjoyment as a Political Factor”, Forward to the second edition, London, Verso, 2008, p. xxiii-xxix.

Brilliant!

domingo, 8 de maio de 2011

Conferência da Profa Eugénia Vilela, da FLUP

Recordo, no próximo sábado dia 14 de Maio às 14,30 h. no Centro Unesco do Porto (R. José Falcão, 100 - perto da Livraria Leitura)
a conferência promovida pela Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia

e apresentada pela Profa. Doutora Eugénia Vilela, da FLUP, sobre:

"CORPOS HETEROTÓPICOS. NOTAS SOBRE A BIOPOLÍTICA E A DESLOCAÇÃO CLANDESTINA"

= Entrada Livre =
Colaboração da Fundação Eng.º António de Almeida


Eugénia Vilela é docente no Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde se doutorou em Filosofia, e Investigadora Responsável do Grupo de Investigação “Estética, Política e Arte” do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto. Autora de conferências e artigos no âmbito da Filosofia e das Artes, publicou, entre outros textos em obras colectivas, os livros Do Corpo Equívoco (1998) e Silêncio Tangíveis. Corpo, Resistência e Testemunho nos Espaços Contemporâneos de Abandono ( 2010). O seu trabalho desenvolve-se no espaço de intersecção da Estética, da Filosofia Contemporânea e da Arte.
Procurando pensar o espaço político contemporâneo a partir de diferentes configurações do gesto de criação em situações de violência extrema, a sua investigação decorre do pensamento de filósofos e artistas que contribuíram para uma transfiguração das noções de espaço e tempo históricos. O que supõe a abertura a formas singulares de pensamento que permitam conceber a relação entre a história, a memória, o arquivo, o esquecimento e o testemunho. Esse movimento de pensamento, realizado a partir da consideração dos espaços de excepção na contemporaneidade, apresenta e articula como suas figuras principais as noções de corpo, silêncio, resistência, acontecimento, heterotopia, narração e imagem.