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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

elite, elitismo, etc.

Sou contra todas as elites naturais, de sangue, herdadas, familiares, sejam elas nobres ou burguesas, reclamem-se elas de que ideologia se reclamarem.
De boas intenções está o inferno cheio. De apóstolos abnegados estamos fartos. Os que não desejam nada desejam tudo, os que abnegam são os mais ambiciosos e malévolos, muitas vezes.

Sou a favor da ideia utópica (utópica activa) de que todo o ser humano devia poder aceder ao estado de elite.
Elite é o produto de muito trabalho e de muita sorte.
Elite nada tem a ver com espectáculo, fama, dinheiro ou aparecer nos media.
Elite é um estado educado e culto.
Todos os seres humanos só são humanos quando atingem este estado, também uma utopia, mas uma utopia activa, quer dizer, resistente em relação ao status quo.
Dizer isto pode ser bonito se não se fizer nada. Se não houver esforço dia a dia, esforço que é um prazer danado, porque toda a gente gosta de entrar na elite.

Elite não é elitismo.
Elitismo é o que defende um status só para alguns. Esse gente é abominável.
A elite é de todo o povo, quer dizer, um direito universal, uma condição de humanidade.

Depois de realizadas todas as chamadas impropriamente necessidades básicas, de sobrevivência, começa a verdadeira aposta: querer entrar na elite.
Não se trata de comprar bilhete, nem de continuar uma tradição familiar elitista. Não!
Trata-se de a conquistar a pulso, sempre em diálogo e colaboração aberta com os outros.

Elite, ou morte, morte em vida, triste figura, arrastar miserável da existência.

Elite para todos, para pelo menos o maior número de seres humanos possivel.

Viva o espírito republicano, viva o direito dos povos, viva a união de todos os que são explorados e oprimidos, de todos os que estendem uma mão.
Que desapareçam mais cedo ou mais tarde de morte natural os privilegiados, os monárquicos, os mafiosos, os gangs de toda a espécie que sanguessugam este mundo presente.
Que o capitalismo dê lugar a um outro sistema ainda sem nome, e onde o princípio não seja uns explorarem o trabalho dos outros, nem o Estado a brincar connosco todos, fazendo de nós bobos de um democracia puramente formal.

Que haja futuro, que haja razão para o riso das crianças e dos jovens, que haja velhos activos a servirem a comunidade e assim a sentirem-se mais felizes, em vez de se sentirem tristes, desamparados, empecilhos.

Que não triunfem os chicos espertos e os tecnocratas de toda a ordem, camaleões magníficos, reciclados de toda a espécie, homens e mulheres-cápsula sem escrúpulos nem densidade, os invejosos, os frustrados, os neuróticos crónicos.
Que não triunfe a beleza standard, mas sim que prolifere a beleza inesperada, espantosa, arborescente.

Esse o espírito com que entro em 2009.
Não se queixem, não se isolem, não se demitam, não se percam com questiúnculas pessoais e ridículas vaidades. Não desbaratem o tempo. Sigam a vossa convicção, a vossa vocação, o vosso prazer. Não liguem às críticas, a não ser aquelas que considerem pertinentes. Desconfiem dos gurus, dos maîtres à penser, de todas as formas de poder instituído ou difuso. Riam-se.
Não tenham medo dos discursos morais. O ser humano é um ser moral.
Façam. Não esperem ajuda. Concretizem, puxa!
Façamos todos juntos, que ganhamos todos.
Com os nossos meios, sem esperar nada.