... começa em Durham, no Reino Unido, o encontro anual do TAG, em que participam os dois redactores deste blogue. Estes três dias que medeiam são cheios de aulas, de modo que até dia 23 de Dezembro vai ser difícil manter o blogue "animado"... enfim, resta-me deixar votos antecipados de Boas-Festas!
Transferência "(...) A PSICANÁLISE INVENTOU DE FACTO UMA NOVA FORMA DE AMOR CHAMADA TRANSFERÊNCIA." JACQUES-ALAIN MILLER (Lacan Dot Com)
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Na próxima quinta-feira...
... começa em Durham, no Reino Unido, o encontro anual do TAG, em que participam os dois redactores deste blogue. Estes três dias que medeiam são cheios de aulas, de modo que até dia 23 de Dezembro vai ser difícil manter o blogue "animado"... enfim, resta-me deixar votos antecipados de Boas-Festas!
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
súbito, indefinido

Nos jardins do Sul,
Onde as pessoas se entregam confiadamente
À lenta descida das arcaturas,
Onde os antigos claustros, aéreos,
Vêm agora pousar sobre o seu peso,
Sobre o silêncio do seu inelutável passado,
Nos jardins do Sul,
Onde as jovens se descalçam nos claustros,
Se espalham pelos hortos, entre as folhas
E as laranjas muito inchadas,
E expõem os dedos, as plantas dos pés,
A sua dança, a frágil cintura,
Entre ruínas cheias de fendas e de feridas,
Nos jardins do Sul,
Onde as jovens entram em desequilíbrio
Ao inalarem os ares de áfrica, o lento som
Das palmeiras, dá-se de quando em vez essa aproximação
Daquele que ataca sempre como uma pomba com luvas
De aço, com luvas negras, com anéis de safira,
Nos jardins do Sul.
E prende a brincadeira das palmas e dos seios
Ao seu abraço extremamente delicioso para as jovens
Que há muito aguardavam o momento convulso
De se não poderem defender da Surpresa.
Como uma pena, Ele ergue-as no ar, como se fossem
Claustros, como se fossem histórias de claustros,
E sombras. E nessas sombras o que se passa
Está interdito definitivamente aos versos, é um restolhar
De folhas tombadas do passado, um leve adejar
De palmas sobre as piscinas, um suave correr de água
Pelos canais.
O Sul é indecifrável. É muito antigo! A brisa é suave
Para a epiderme, e as camas são macias para os corpos.
No Sul deitam-se as jovens, mas não dormem.
Aguardam esse abraço por detrás, esse amplexo de ferro
Que as ata à sua feminilidade, e lhes enche de sangue
As pupilas. Um perigo que a qualquer momento desce
Como um pombo bom, de papo bem gordo, e infalível.
Entre as chispas das cigarras em pleno dia. Nessa electricidade.
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imagem: Aneta Bartos
site: http://anetabartos.com/
texto: voj porto outubro 2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
limpo

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Lembras-te? Não era suposto a porta estar entreaberta.
Não era suposto eu ter passado àquela hora, e ouvir-te
A dormir, ou a fingir que dormias, desde o corredor interminável.
Não era suposto ter havido a corrente de ar.
Não era suposto estares assim, exposta
Como um grande rochedo cheio de fracturas,
Emergindo da areia branca da cama, do lençol esticado.
A tua geologia. A que se esconde no fundo
Dos desertos. Esse vento, essa brancura insuportável
Ao olhar. Não era suposto ter acontecido isto, eu ver-te assim,
E ficar na dúvida para sempre.
Pisando pelo corredor fora grãos de areia, ferindo os pés
De um rasto de cor que mais tarde me denunciaria.
Dormiam todos. Mas não pude entrar,
Não pude desfazer a ambiguidade. Fiquei do lado de cá
Do corredor, condenado a atravessá-lo continuamente
Em busca de uma miragem, como um peregrino
Que já tem os pés a sangrar, e isso só lhe aumenta
A determinação.
Fingias certamente. Era impossível tal abandono,
Tal volúpia. Esse vento, esse deserto esventrado
Nas suas ranhuras, e raízes, e rochedos. Tão lisos.
Mas não sei, não pude interromper, e ainda aí estou
Ante a porta entreaberta, com a mão dirigindo-se
Para a maçaneta que a abrirá toda, toda,
Abrindo finalmente a luz sobre este assunto, tirando a limpo
O teu intento, iniciando o caminho para o deserto.
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Foto Pascal Renoux
site: http://www.pascalrenoux.com/Nudes.html
texto: voj porto set. 2009
Só aí

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Só aí
Com a disponibilidade dos frutos dentro de uma taça
Com o seu brilho, as suas cores tão diferentes
Reflectindo a luz lá de fora,
Com o volume de uma taça redonda, com a sua
Disponibilidade aberta, o seu brilho,
Estendes a carpete de lã do sul, e sobre ela
A tua adolescência já tão hábil na sua esbeltez,
Na sua desenvoltura, na tua nudez algo menina,
E pedes-me qualquer coisa de maravilhoso sem dizeres nada.
Progressivamente invadido pelo odor intenso
Da sala, lembro-me de que trouxe a minha guitarra
E começo a dedilhá-la acentuando as notas baixas.
Toco-te a minha vida toda, conto-te as cores, os odores,
O tacto e o paladar de uma existência. Falo-te dos países,
Das terras extensas, das especiarias de cada uma.
Sei que o meu som progressivamente te acaricia,
Te aumenta a expectativa, e trocas a posição das pernas,
E pões-te mais à vontade sobre o tapete.
Falo-te do Oriente, embora veja que não sabes inglês
E que para te conhecer te tenho de cheirar, em cada vale,
Cada colina, cada desfiladeiro, cada cor que guardas
Ciosamente, enquanto me sorris e me invades com o teu
Olhar, e dizes não dizendo nada que os frutos estão prontos,
Que não me deixas sair daqui sem me contares tudo, tudo.
Isto deve ser Damasco, só nessa cidade, ouvi dizer,
As cortinas abanam assim no silêncio das tardes,
Só nessa cidade as raparigas soltam os seus sons e cores
Com um tal fervor, só aí o gemido final tem este tom
De silvo vermelho, atravessando ao meio as estranhas
Afogueadas, só aí se morde assim os frutos como um ser
Vindo da montanha, ávido deste sumo vermelho fresco.
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Foto Pascal Renoux
site: http://www.pascalrenoux.com/Nudes.html
texto: voj porto set. 2009
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