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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Segundo o "Correio da Manhã" on line - transcrevo

"25 Setembro 2009 - 00h30
Sondagem CM: PSD com resultado entre 25 e 33 por cento
PS à frente sem maioria absoluta
O PS é favorito à vitória das Legislativas de domingo. A confirmar-se a actual tendência de voto, como prevê a sondagem CM/Aximage realizada entre 21 e 24 de Setembro, os socialistas vencerão com 38,8%, enquanto o PSD não irá além de 29,1%. O BE afirma-se como a terceira força política, com 10%.
Com um resultado desta ordem de grandeza, o PS de José Sócrates não vencerá as eleições legislativas com maioria absoluta, mas ficará mais distante do PSD de Manuela Ferreira Leite do que apontavam as sondagens anteriores. A previsão do CM, já com a distribuição dos indecisos, confirma a subida gradual dos socialistas desde o início da campanha eleitoral, por oposição à estagnação do PSD.
Ao atingir dez por cento, o BE emerge cada vez mais como a provável terceira força política, mantendo a tendência nas intenções de voto. O CDS-PP e a CDU alcançam resultados muito próximos: os democratas-cristãos terão 8,6% e os comunistas 8,4%.
À luz das previsões desta sondagem, cuja margem de erro é de 3,36%, o PS terá um resultado entre 35 e 43 por cento, insuficiente para ter maioria absoluta, mas mais distanciado do PSD. Já o BE conseguirá uma votação entre oito e 13%, o que fará do partido liderado por Francisco Louçã um potencial parceiro de um Governo PS.*** CDS--PP e CDU alcançarão um resultado entre seis e 11 por cento.
Ontem, as sondagens da RTP e da TVI deram também a vitória ao PS: 38% contra 30%, no caso da RTP, e 38% contra 29,9%, na TVI.
DISTRIBUIÇÃO DOS INDECISOS
A sondagem CM/Aximage tem 5,8% de indecisos. E a sua distribuição obedeceu, segundo Jorge de Sá, director técnico do inquérito, a dois critérios: por um lado, foram feitas perguntas que permitem atribuir uma probabilidade do sentido do voto; por outro, os indecisos nos dois primeiros dias foram reinquiridos na quarta-feira à noite, último dia. Por esta via, foi possível verificar se os indecisos decidiram, entretanto, o sentido de voto.
Com base nisto, os indecisos fo-ram distribuídos, o que permitiu chegar à previsão final do resultado.
FRASES
"Há para aí muitas sondagens, mas quero dizer-vos o seguinte:nenhuma sondagem ganha eleições. O que ganha as eleições é o voto dos portugueses.": José Sócrates Líder do PS
"Preocupa-me tanto quanto me preocuparam as sondagensfeitas para as Europeias, que não foram há muito tempo.": Ferreira leite Líder do PSD
FICHA TÉCNICA
Universo: indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal com telefone fixo no lar ou possuidor de telemóvel.
FICHA TÉCNICA
Universo: indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal com telefone fixo no lar ou possuidor de telemóvel.
Amostra: aleatória e estratificada (região, habitat, sexo, idade, escolaridade, actividade e voto legislativo) e representativa do universo e foi extraída de um sub-universo obtido de forma idêntica. A amostra teve 850 entrevistas efectivas: 382 a homens e 468 a mulheres; 204 no interior, 321 no litoral norte e 325 no litoral centro sul; 280 em aldeias, 272 em vilas e 298 em cidades. A proporcionalidade pelas variáveis de estratificação é obtida após reequilibragem amostral.
Técnica: Entrevista telefónica por C.A.T.I., tendo o trabalho de campo decorrido nos dias 21 a 24 de Setembro de 2009, com uma taxa de resposta de 78,2%.
Erro probabilístico: Para o total de uma amostra aleatória simples com 850 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,017 (ou seja, uma “margem de erro” - a 95% - de 3,36%).
Responsabilidade do estudo: Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direcção técnica de Jorge de Sá e de João Queiroz.
António Sérgio Azenha "


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*** Nota minha: Tanto o PS como o BE têm reiterado que se não coligarão para formar governo.

domingo, 7 de junho de 2009

Eleições europeias


A confirmarem-se as previsões do início da noite de hoje, é uma derrota do Partido Socialista, lamentável, mas devo dizer que não totalmente inesperada (apesar das sondagens anteriores às eleições), porque o candidato cabeça de lista (para além do seu enorme mérito pessoal, não é isso que está em causa) teve uma prestação fraca, e por muitos outros factores, que têm a ver com um estilo autista que se tem notado em aspectos da actuação do governo, sem ouvir os protestos sociais e manifestações enormes de descontentamento que se fizeram sentir. Essa insensibilidade, a não ser corrigida, pode ser fatal. É evidente que a crise internacional não ajudou mesmo nada, e que estas eleições tiveram um nível de abstenção que não é previsível ser o das legislativas de Outubro próximo (onde a vitória do PS, sem maioria absoluta embora, é mais que possível). 
Espero que o Partido Socialista faça uma reflexão/revisão muito profunda, que tem de ser rápida, se quiser recuperar, e que encontre um novo estilo, quer dizer, que abra os olhos enquanto é tempo. Porque, no espectro político português, e apesar de tudo, é a força organizada e com capacidade de governar com que mais me identifico.
Mas foram estas as eleições em que, desde o 25 de Abril, menos me empenhei.
Com muitos milhares de outros deve ter acontecido a mesma coisa.
Não é significativo?...


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Obama: comunica o Le Monde Diplomatique (ed. portuguesa)

artigo inédito

"Obama perante os escombros

http://pt.mondediplo.com/spip.php?article438>
por Serge Halimi

A entrada em funções de Barack Obama vai confirmar uma tripla ruptura

Em primeiro lugar, uma ruptura política. É a primeira vez desde 1965 que um presidente democrata inicia o mandato num contexto de fraqueza, ou até de desgraça, das forças conservadoras. Em 1977, Jimmy Carter venceu sobretudo – e por pouca margem – graças à promessa de uma renovação moral («Eu nunca vos mentirei»), na sequência do escândalo de Watergate, tendo a sua presidência sido marcada por uma política monetarista e pelas primeiras grandes medidas de desregulamentação; em 1993, Bill Clinton apresentou-se como o homem que iria «modernizar» o Partido Democrata recuperando muitas ideias republicanas (pena de morte, ataque às protecções sociais, austeridade financeira).

Em seguida, uma ruptura económica. O neoliberalismo à moda de Reagan deixou de ser defensável até para os que eram seus partidários. George W. Bush admitiu-o «com muito gosto» durante a última conferência de imprensa que deu como presidente, na segunda-feira dia 12 de Janeiro: «Pus de lado alguns dos meus princípios liberais quando os meus conselheiros económicos me informaram que a situação que íamos enfrentar podia ser pior do que a Grande Depressão (a crise de 1929)». Dizer «pior» é apesar de tudo um pouco exagerado, tendo em conta o quanto a crise de 1929 fez fermentar «as vinhas da ira» e o quão pouco faltou para o país mergulhar no caos. Ainda assim, 2008 termina com uma perda de 2,6 milhões de empregos nos Estados Unidos, 1,9 milhões dos quais apenas nos últimos quatro meses do ano, o que representa o pior desempenho desde 1945 e bem pode ser designado como uma queda livre. Isso ainda poderia passar se as contas estivessem equilibradas e existisse uma possibilidade ilimitada de recuperação através do endividamento, mas a realidade é outra. O défice orçamental vai atingir este ano 1,2 biliões de dólares e 8,3 por cento do produto nacional bruto (PNB). Também neste caso, o número é tão mau que impressiona: além de ultrapassar os maus resultados da era Reagan (6 por cento em 1983), assinala uma triplicação do défice de um ano para outro. E, para piorar a situação, cada dia parece anunciar uma nova falência bancária.

Por fim, uma ruptura diplomática. Sem dúvida que, desde a Segunda Guerra Mundial, a imagem dos Estados Unidos no mundo nunca esteve tão degradada. A maioria dos países considera, muitas vezes em percentagens esmagadoras, que a superpotência americana desempenha um papel negativo nas questões mundiais. Iraque, Médio Oriente, Afeganistão: o statu quo é de tal modo ruinoso e mortífero que parece inconcebível. De resto, Obama começou a campanha em 2007 invocando a necessidade de uma retirada do Iraque e foi graças a essa insistência que venceu Hillary Clinton – sua futura secretária de Estado… – nas primárias democratas. O calendário dessa retirada parece, todavia, estar já a opor o presidente eleito (mais impaciente) e os militares (mais «prudentes»1). Mas a impaciência do primeiro não se explica minimamente por uma disposição pacifista, decorrendo sobretudo da vontade de Obama de deslocar para o Afeganistão uma parte das tropas retiradas do Iraque. Ora, não é certo que as perspectivas de atolamento sejam menores em Cabul do que em Bagdade…

Politicamente, o novo presidente tem as mãos livres. A paisagem de escombros que herda vai condenar os seus adversários políticos a uma certa contenção. A sua eleição, amplamente conseguida, beneficiou do entusiasmo das forças vivas da nação, e em particular dos jovens. Por fim, tal como é em grande medida sugerido pelos dossiês especiais, muitas vezes hagiográficos, que a imprensa do mundo inteiro está a dedicar a Obama, a esperança suscitada pela sua chegada à Casa Branca é imensa. Isso não se explica apenas pelo facto de o presidente dos Estados Unidos ser negro. De repente, a «marca América» está novamente de pé. Algumas decisões com forte dimensão simbólica relativas ao encerramento de Guantanamo e à proibição da tortura vão fortalecer esta impressão de se estar numa nova era. «Devemos ser igualmente diligentes a conformarmo-nos aos nossos valores e a proteger a nossa segurança», anunciou o novo presidente.

As dificuldades vão começar em seguida. Não basta regar a economia americana com liquidez para que a máquina económica e o emprego voltem a pôr-se em movimento. A preocupação da população quanto ao futuro é tão grande que, em vez de se aprestar a consumir mais, poupa mais do que nunca 2. A taxa de endividamento das famílias, que desde 1952 estava em constante aumento, registou o primeiro recuo no terceiro trimestre do ano passado. Ora, o que é seguramente desejável a médio e a longo termo vem colocar em perigo o relançamento rápido que a nova equipa da Casa Branca prevê conseguir através do consumo e do endividamento. «Se não fizermos nada, esta recessão pode durar anos», preveniu Obama, desejoso de que o seu programa de despesas suplementares de 775 mil milhões de dólares, composto por despesas públicas e diminuições de impostos, seja adoptado o mais depressa possível pelo Congresso. Será este programa suficiente? Alguns economistas democratas como Paul Krugman consideram-no insuficiente e mal concebido 3.

A situação internacional também não parece prestar-se a resultados imediatos. Deliberadamente ou não, os dirigentes israelitas colocaram o seu grande aliado perante um facto consumado – uma guerra particularmente impopular no mundo árabe – e obrigaram o novo presidente a dedicar-se imediatamente a um dossiê minado que não era de forma alguma uma sua prioridade. A parcialidade que Obama poderá demonstrar nesta situação, uma vez que já ninguém imagina que os Estados Unidos possam vir a defender uma posição equilibrada no Médio Oriente, poderá enfraquecer muito depressa a sua popularidade internacional.

Contudo, nem tudo se resume a um homem, mesmo que novo. Até porque a novidade é muito menos visível quando se examina as escolhas feitas por Obama para o seu gabinete. Se há uma ministra do Trabalho próxima dos sindicatos, Hilda Solis, que promete uma ruptura com as políticas anteriores, há também uma ministra dos Negócios Estrangeiros, Hillary Clinton, cujas orientações diplomáticas cortam menos com o passado, e um ministro da Defesa, Robert Gates, simplesmente herdado da administração Bush. Quanto à diversidade da equipa, não é seguramente de natureza sociológica. Entre as trinta e cinco primeiras nomeações de Obama contam-se vinte e dois diplomados por uma universidade de elite americana ou por um distinto colégio universitário britânico… Faz lembrar um pouco o regresso à «competência», aos «best and brightest» (os melhores e os mais brilhantes) da administração Kennedy-Johnson. A imodéstia que caracteriza este género de indivíduos condu-los por vezes a fazerem presunções sobre as suas forças e a tornarem-se os arquitectos de catástrofes planetárias, como se observou durante a Guerra do Vietname. Nos tempos que correm, a ameaça mais temível nos Estados Unidos é o atolamento «centrista» e não a audácia do «Yes, we can».

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1 Ler «Timetable for Iraq too slow for Obama», International Herald Tribune, 15 de Janeiro de 2009.
2 Cf. «Hard-Hit Families Finally Start Saving, Aggravating Nation’s Economic Woes
http://online.wsj.com/article/SB123120525879656021.html »,
The Wall Street Journal, 6 de Janeiro de 2009.
3 Paul Krugman, «The Obama Gap http://www.nytimes.com/2009/01/09/opinion/09krugman.html », The New York Times, 8 de Janeiro de 2009. "

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contacto do jornal:
monde-diplo@sapo.pt


quarta-feira, 5 de novembro de 2008

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Seg. Ciência hoje


Barack Obama terá praticamente vitória garantida

"Professor da Católica estuda eleições presidenciais norte-americanas
2008-11-03
Obama: provavelmente, o primeiro negro a presidir aos EUASe as eleições presidenciais norte-americanas se realizassem hoje, o candidato democrata, Barack Obama, conquistaria 310 votos no Colégio Eleitoral, alcançando a vitória. Este é um dos resultados dos estudos que Carlos Santos, docente da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica do Porto (UCP), vem desenvolvendo ao longo dos últimos três meses. Autor do blog «O Valor das Ideias» que se dedica quase em exclusivo à análise e ao acompanhamento das sondagens e do processo eleitoral, bem como ao desenrolar da campanha, Carlos Santos projecta também a probabilidade de vitória em cada um dos estados e as várias combinações necessárias a cada candidato para assegurar a vitória nacional.
O investigador explica que o acompanhamento que tem feito do processo eleitoral norte-americano inclui “a realização de estudos de projecção, combinando com procedimentos estatísticos inovadores a informação das múltiplas sondagens realizadas nos Estados Unidos”. Com base nesse apuramento, conclui e demonstra que, se Obama ganhar o Estado de Virgínia, ou o da Carolina do Norte, McCain fica automaticamente impossibilitado de alcançar a presidência do país.
O mesmo sucede, argumenta o professor, se o candidato democrata ganhar o Estado de Ohio ou a Florida. Como fundamento para essa conclusão adianta o facto de Obama ter correntemente maior probabilidade de vencer qualquer daqueles estados (no Ohio as hipóteses ascendem a 56 por cento, por exemplo) e probabilidades muito altas de vencer noutros estados usualmente importantes, como o Michigan ou a Pensilvânia (onde tem 90 por cento de hipóteses de vencer).
Assente em metodologias de simulação do conjunto do resultado de todos os estados, reflectindo as últimas sondagens, o trabalho de Carlos Santos apenas tem semelhanças com o de Sam Weng, da Universidade de Princeton, e com o de Nate Silver, mas com diferenças substantivas do ponto de vista da metodologia utilizada.
Uma questão de estratégia
Na introdução do estudo, Carlos Santos começa por advertir que a análise baseada em simulações do voto no Colégio Eleitoral “não é a forma mais popular de avaliar a probabilidade de vitória de um candidato, sobretudo pelas necessidades maciças de programação. Apesar dos métodos incorrectos baseados em médias móveis serem mais comuns, os que assentam em simulações usam dados reais de sondagens recentes para calibrar o programa, e têm fundamentos sólidos na Teoria das Probabilidades. Tanto quanto sabemos, nos Estados Unidos apenas o reputado Nate Silver usa esta metodologia, embora difira do que fazemos aqui pelo peso subjectivo que dá a cada empresa de sondagens. A Universidade de Princeton faz algo de semelhante, usando Meta Analysis”.
O docente da FEG da Universidade Católica conduziu mais de 10 mil simulações calibradas com as sondagens disponíveis, e estima que Barack Obama venha a obter 310 votos no Colégio Eleitoral, o que significa que, se as eleições tivessem lugar hoje, e com base nos dados disponíveis, Obama venceria com mais 40 votos além dos 270 necessários. Do ponto de vista estatístico, Carlos Santos assegura que McCain tem diminutas possibilidades de vencer as eleições presidenciais de Novembro, e conclui que Barack Obama tem seguido uma “estratégia correcta”.

Carlos Santos é doutorado em Econometria pela Universidade de Oxford, e tem publicado artigos de opinião na imprensa portuguesa, quer sobre as eleições americanas, quer sobre temas da Economia em geral. "

Fonte de texto e foto: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=28254&op=all

domingo, 26 de outubro de 2008