sexta-feira, 9 de abril de 2010

Cesare Pavese

vendredi 9 avril 2010/Cesare Pavese


Le jardin sur la place, enfoui
dans la fraîcheur et dans l’obscurité.
Dans la nuit, les maisons
qui se perdent dans le noir, gigantesques,
font entrevoir entre leurs masses des lumières.

Un désert terrifiant au fond du ciel
lointain, entre les étoiles.
La grande fièvre splendide
s’assourdit lorsqu’elle atteint ce noir.
Ici c’est le silence,
l’immobilité haute d’un cimetière.

Les bruits et les lumières
parviennent du lointain,
d’au-delà de ces arbres.

De vivantes lumières
jaillissent dans le noir,
les voix les plus joyeuses
hululent frénétiques
dans le triste abandon.

Étouffées elles viennent mourir
dans le noir insondable
comme de pâles suicidés
encore fous d’amour pour la vie.

Écouter dans le cœur
les passions lointaines,
les écouter qui montent dans la nuit,
sur le moite parfum de la terre.

Une flore inconnue
de désir, enfermée dans ce ciel
de noir et de silence.

Une flambée qui perce dans le noir
comme la lueur rouge
qui saigne entre les arbres.

28 juin 1929

Cesare Pavese, La Mort viendra et elle aura tes yeux, Verrà la morte et avrà i tuio occhi, édition bilingue, Poésie II, traduit de l’italien par Gilles de Van, Gallimard, 1969, p. 89

Cesare Pavese dans Poezibao :
Bio-bibliographie <http://poezibao.typepad.com/poezibao/2007/06/cesare_pavese.html> , extrait 1 <http://poezibao.typepad.com/poezibao/2007/06/anthologie_perm_13.html> , Plains-Chants (parution) <http://poezibao.typepad.com/poezibao/2007/10/poezibao-a-reu-.html>



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Il giardino profondo, sulla piazza,
di oscurità et freschezza.
Nella notte, le case
che si perdono enormi nel buio
mostrano tra le masse qualche luce.

Un deserto pauroso in fondo al cielo
remoto, tra le stelle.
La grande febbre splendida
s’attutisce giungendo in questo buio.
Qui è silenzio,
l’alta immobilità di un cimitero.

I rumori et le luci
giungono di lontano,
di là da queste piante.

Dentre l’oscurità
sgorgano luci vive,
ululano frenetiche
nell’abbandono triste
le vo più gioiose.

Giungono soffocate
a morire nel buio senza fondo
come suicidi pallidi
folli ancora di amore per la vita.

Ascoltare nel cuore
le passioni remote,
ascoltarle salire nella notte
sul profumo umidiccio della terra.

Una vegetazione sconosciuta
di desiderio, chiusa in questo cielo
di buio e di silenzio.

Uno sboccio di fuoco dentro il buio,
come quel lume rosso
che sànguina tra gli alberi

28 giugno 1929





Mes remerciements à Florence Trocmé pour ses contributions poétiques journalières!

"Australopithecus sediba"

http://publico.pt/Ci%C3%AAncias/descoberto-novo-australopiteco-mais-parecido-connosco-do-que-os-outros_1431374

"Australopithecus sediba", a nova estrela da paleoantropologia
Descoberto novo australopiteco mais parecido connosco do que os outros

08.04.2010 - 16:03 Por Teresa Firmino


Imaginamos se seriam mãe e filho. Ou como foram parar ao lago que
existia no fundo de uma gruta. Ou se morreram ao mesmo tempo. Tudo
mistérios em torno de uma mulher e de um rapaz que viveram há quase
dois milhões de anos, cujos ossos foram encontrados na África do Sul
há cerca de um ano e meio e que hoje estão na capa da revista
"Science" como uma das descobertas mais importantes nos últimos tempos
relativas a um antepassado humano.





Eis o "Australopithecus sediba", a nova estrela da paleoantropologia,
que tem mais características em comum com os primeiros representantes
do nosso próprio género (o Homo) do que qualquer outro australopiteco
conhecido até agora. Portanto, pode ajudar a desvendar quem foi o
antepassado que deu origem ao género humano.

Entre as muitas grutas no território que agora é a África do Sul,
existia uma que não tinha tecto há cerca de 1,9 milhões de anos e era
funda. A mulher e o rapaz terão caído nessa gruta e ali permaneceram
durante dias ou semanas. Os corpos foram depois arrastados até a um
lago subterrâneo, talvez por uma chuvada, e aí acabaram por ser
cobertos por sedimentos. Ao longo de dois milhões de anos, os
sedimentos foram por sua vez sendo arrastados até que os fósseis
ficaram expostos.

Em Março de 2008, Lee Berger, paleoantropólogo da Universidade de
Witwatersrand, em Joanesburgo, iniciou uma prospecção minuciosa de um
local, a 40 quilómetros desta cidade sul-africana, conhecido como o
Berço da Humanidade e que a UNESCO classificou como património mundial
devido à riqueza de depósitos com fósseis.

Em conjunto com o geólogo Paul Dirks, que entretanto se mudou para a
Universidade James Cook, na Austrália, Berger descobriu imensas
grutas. Em várias havia fósseis. E, numa delas, em Agosto de 2008, a
equipa encontrou os restos de um antepassado dos humanos. Era parte
dos ossos de um rapaz que teria entre nove e 13 anos.

No mês seguinte, continuaram as explorações do sítio, conhecido por
Malapa. Numa pequena cova, o paleoantropólogo reparou num osso que
saía de uma rocha. Atrás desse osso vieram outros, e a equipa estava
na presença de um segundo indivíduo -- uma mulher, com 20 e tal a 30 e
poucos anos.

Mulher e rapaz parecem ter sido arrastados para o interior da gruta
por um único fluxo de detritos, o que sugere que as suas mortes
ocorreram em momentos muito próximos. Por isso, é provável que se
conheçam ou até que tivessem algum grau de parentesco.

Esses sedimentos foram datados como tendo entre 1,7 e 1,9 milhões de
anos, pelo que os fósseis devem ter essa idade. (Além de vários ossos
dos dois australopitecos, havia na gruta ossos de hienas, antílopes ou
felinos com dentes de sabre).

Uma nova espécie

O que têm de especial é um conjunto de características morfológicas
que levaram a equipa de cientistas a classificá-los como uma nova
espécie de australopiteco. Conheciam-se já pelo menos cinco espécies,
todas em África, mas estes dois indivíduos eram diferentes de todas
elas em muitos aspectos. Além disso, algumas das suas características
verificam-se nos membros do género "Homo" e não nos australopitecos.

Antes de mais, diga-se que os australopitecos eram pré-humanos e que
os humanos apareceram precisamente com o género "Homo". A espécie de
australopiteco mais antiga que se conhece viveu há 4,2 milhões de anos
e a que agora é anunciada foi a mais recente, com o crânio do jovem a
servir para definir a nova espécie e a preencher a capa da "Science"
(pelo meio, viveu a famosa Lucy, uma fêmea de "Australopithecus
afarensis", com 3,2 milhões de anos).

O que tinham então aquele rapaz e aquela mulher quer de
australopiteco, quer de humano? Tal como os australopitecos, tinham
corpos pequenos (ambos com cerca de 1,27 metros de altura e 30
quilos), cérebros também pequenos, braços longos e mãos fortes.
Pensa-se que podiam trepar às árvores, mas eram bípedes. Por outro
lado, alguns traços do crânio e da bacia e as pernas longas, capazes
de andar em passada ou até correr, existem no género humano.

Ora a origem do género "Homo" é alvo de grande debate científico: como
seu antepassado, têm sido propostas várias espécies entre os
australopitecos (mas não só). O facto de o "Australopithecus sediba"
partilhar traços comuns com os humanos pode tornar mais claro este
quebra-cabeças evolutivo.

Para baralhar mais as coisas, os primeiros membros do género "Homo"
foram datados com 2,4 milhões de anos. Mas o "Australopithecus sediba"
foi datado como sendo mais recente, com os tais quase dois milhões de
anos, pelo que assim não poderia ter dado origem aos primeiros
humanos. Pode então não ter sido ele a fazer a transição directa para
o nosso género, mas uma outra espécie que existiu antes dele.

"Esta nova espécie é um candidato a antepassado do género 'Homo' ou de
um grupo irmão, com um antepassado próximo, que persistiu no tempo
depois do aparecimento dos primeiros 'Homo'", escreveu a equipa de Lee
Berger na "Science". "'Sediba', que significa 'fonte natural' em
sotho, uma das 11 línguas oficiais da África do Sul, pareceu o nome
apropriado para uma espécie que pode ser o ponto a partir do qual
surgiu o género Homo", conta Berger, na nota de imprensa.

Agora a equipa desafiou as crianças da África do Sul a escolherem um
nome comum para o novo rapaz australopiteco. Sugestões?



Versão integral na edição do PÚBLICO de hoje, 9.4.2010
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IIº Encontro de Jovens Investigadores do Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto

II Encontro de Jovens Investigadores do Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto

Dias 9 e 10 de Abril de 2010 (Sexta-feira e Sábado), Anfiteatro I

Vai ter lugar nos dias 9 e 10 de Abril, no Anfiteatro 1 da Faculdade de
Letras da Universidade do Porto, o IIº Encontro de Jovens Investigadores
do Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto
.
Este Centro de Investigação dedica-se ao Estudo da Arqueologia nas
suas mais variadas vertentes, integrando também os Estudos
Multidisciplinares em Arte, sendo as comunicações o reflexo da pesquisa que é desenvolvida actualmente pelos seus investigadores.

A ENTRADA É LIVRE

ver link do programa aqui:

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Objects and images in the history of archaeology

Please find below a call for abstracts for the session 'Objects and Images in the History of Archaeology' to be held at the European Association of Archaeologists conference in the Hague, Netherlands on 1-5 September, 2010, http://www.eaa2010.nl/.


We welcome paper proposals from archaeologists and other researchers interested in the visual and material history of the discipline. Please submit abstracts of no more than 300 words by 1 May via the EAA's online system:


http://www.congrex-events.nl/?pid=179


With many thanks,

Sara


**Objects and images in the history of archaeology**

Organisers: Sara Perry (U Southampton), Katherine Leckie (U Cambridge)


Research into the history of archaeology is often an offshoot of the discipline, tucked into the sidelines of everyday practice. As a result, our method and theory can often seem overly presentist, reveling in the apparent novelty of current-day approaches. Arguably, this presentism is especially obvious in visual and object-oriented enquiry in archaeology, whose currency nowadays might imply that such concerns with materiality are a recent addition to the field. However, even the briefest look at the history of the discipline testifies to the longstanding embroilment of visualisation and materialisation in archaeology's evolution. What is important is that there are a range of innovative approaches now in use (by historically-minded archaeologists and others) which aim to untangle these relationships, illuminating the place of images and objects in the discipline's intellectual and material development.


This session aims to begin laying out the case for a rich and deep history of visual and material operation in the archaeological field. We endeavour to demonstrate not only that visualisation and materialisation have been

entangled in archaeology from its most embryonic moments, but that this history continues to impact on current practice. The papers in this session seek to examine these entanglements, drawing parallels between different artefact types and their roles in the development of the discipline. We aim to highlight various methodologies, from museum collections analysis to graphic study to historic archival research. Themes that we look to explore include visualisation, the creation of artefacts, and the circulation and categorisation of objects--our aim being to address such questions as:

- What role do objects and images play in archaeology and its historical development?

- How have collecting and exhibiting practices enabled the formalisation of the discipline?

- How is archaeological knowledge made through material and visual culture?


**********

Sara Perry

Archaeology, University of Southampton

s.e.perry@soton.ac.uk


quarta-feira, 7 de abril de 2010

Fantasia e sintoma em Lacan: algumas notas


Advertência: há vários "Lacans", e o próprio autor nunca quis "fixar" a sua teoria; assim, qualquer "manual sobre" ou "introdução a" Lacan arrisca-se a ser uma falsificação que logo o autor rejeitaria.
A sua dificuldade não é um tique ou questão superficial (vontade de ser hermético por motivo fútil), mas antes pretende-se com um estilo, bem entendido, de tipo "barroco", mas também e sobretudo com a consciência muito sentida de que, ao usarmos a linguagem, e portanto ao estarmos embutidos num sistema simbólico, num mundo de espelhos que reflectem outros espelhos, estamos já sempre "ditos" por um Sentido, por um Grande Outro, ou Outro com O grande, que nos precede.


FANTASIA - cenário imaginário que, devido à sua presença fascinante, esconde a falta do Outro, da ordem simbólica, da sua consistência, ou seja, liga-se a uma certa impossibilidade fundamental implicada no próprio acto de simbolização, incluindo a "impossibilidade da relação sexual".
Para Lacan, que lhe dedicou todo o Seminário de 1966/67, a fantasia tem um efeito protector, defensivo da castração, ou seja, da falta do Outro: é, como diz Evans, uma "qualidade fixa e imóvel." (p. 60).
Por exemplo, a fantasia neurótica refere-se ao desejo do sujeito de corresponder ao desejo para ele enigmático do Outro, segundo a típica pergunta: "Que (me) quer?"... Lacan, que apreciava muito a lógica formal, expressou isso por um matema conhecido. Claro que cada "paciente" possui um cenário fantasmático próprio, a que compete ao analista estar atento. Essa singularidade exprime o modo de "jouissance" de cada indivíduo, modo distorcido próprio da fantasia como "formação de compromisso". A fantasia, escreve Evans citando também Lacan (p. 60) " (...) é assim quer o que permite ao sujeito manter o seu desejo, quer aquilo através do qual o sujeito se mantém a si próprio ao nível do seu desejo volátil, evanescente."
Há no (em cada) sujeito uma fantasia inconsciente fundamental, esperando-se do processo de transferência, na análise e depois dela, que o sujeito "atravesse a sua fantasia fundamental", que nele ocorra um modo novo de "jouissance".
Contra M. Klein, Lacan sustenta que "qualquer tentativa de reduzir a fantasia à imaginação é um erro arreigado." (Evans, p. 61)

Este conceito de "fantasia", como toda a gente sabe, era já central em Freud, que percebeu bem que realidade e fantasia se não podem opor facilmente, como se faz no senso comum, pois que a própria realidade é já discursivamente construída. Fantasia para Freud é uma cena consciente ou inconsciente, criada pela imaginação, e na qual se patenteia um desejo inconsciente.


SINTOMA (symptôme) - mensagem codificada na qual o sujeito recebe do Outro a sua própria mensagem (dele, sujeito) sob forma invertida.
O sintoma é distinto da estrutura, mas, ao contrário da medicina (Evans, p. 203), não há entre eles uma relação de superfície/profundidade (=o sintoma aparece como sinal de algo escondido que o médico tem de inferir e procurar curar).
Em Lacan, quando se fala de sintomas, são normalmente os sintomas neuróticos que estão em causa, e não outros (psicose, perversão, etc). "O objectivo da psicanálise lacaniana - escreve Evans, p. 203 - não é a remoção dos sintomas neuróticos, dado que quando um sintoma neurótico desaparece, ele é simplesmente substituído por outro. É isto que distingue a psicanálise de qualquer outra forma de terapia."
Nos anos 50 ("primeiro Lacan") o sintoma neurótico não tem um significado universal: é único, próprio da história de cada sujeito. Nem há uma relação bi-unívoca entre sintomas e uma estrutura subjacente. Quando muito, o analista procura perceber qual será a "questão fundamental que activa o discurso" do neurótico (Evans, p. 204)...e, num certo sentido, todos o somos...
A partir de 1962, a concepção linguística do sintoma tende a ser abandonada a favor de uma ideia do sintoma como pura "jouissance" (gozo) que não pode ser interpretada, o que leva à introdução por Lacan em 1975 do novo vocábulo "sintome" (Evans, p. 204), em relação com um grande interesse pela "topologia" de cada sujeito. Há no autor, ao longo da sua vida, uma passagem do ênfase na linguística (sintoma como significante, inconsciente estruturado como uma linguagem, etc) para o ênfase na topologia (in Evans, p. 189) (ver abaixo).

SINTOMA (sinthome - neologismo em francês) - dimensão do Um, ponto último da consistência do sujeito; marca aquilo que no sujeito é mais que ele mesmo e que ele ama mais do que a si próprio. Esse Um é o Um da jouis-sense (outro termo próprio a Lacan), do significante ainda solto, flutuante, permeado pela satisfação. Esta é o elemento que faz com que ele não esteja (ainda) articulado numa cadeia de significantes. Trata-se de uma temática que o autor começou a desenvolver a partir do Seminário XX (1975/76). O sintoma é o que permite ao sujeito viver, na sua singular organização do gozo (jouissance) (in Evans, p. 189). Assim, a tarefa da análise consiste em identificar-se com o sintoma (neste sentido de "sinthome").
O sintoma não é pois analisável. Lacan acaba por juntar ao laço borromeano (tríade do real, do simbólico e do imaginário) um quarto anel, o do sintoma, que dá "coerência" ao sujeito. A "função do sintoma - enlaçando o real, o simbólico e o imaginário - situa-se inevitavelmente para além do sentido" (in Evans, p. 189), sentido esse que se encontra na intersecção do simbólico e do imaginário. O papel da obra de Joyce neste "último Lacan" é fulcral: toda a obra deste autor é vista como um sintoma ("sinthome"), donde a criação de mais uma expressão própria a Lacan (são muitas centenas os neologismos que propôs). Citando um autor que colabora em Evans, p. 190: " Joyce torna-se um saint homme [repare-se que, dito em francês, soa como sinthome] que, recusando qualquer solução imaginária [para os seus problemas] foi capaz de inventar uma nova maneira de usar a linguagem para organizar o gozo [enjoyment]."


Esta nota, simples e rudimentar apontamento, é baseada de muito perto (por vezes é apenas uma tradução) em:
Slavoj Zizek, "Looking Awry", London, the MIT Press, 1992 (pb), p. 132
e ainda em
Dylan Evans, "An Introductory Dictionary of Lacanian Psychoanalysis", London, Routledge, 1996, pp. 59-61 e 188-190.


Útil por exemplo, em português, o "Dicionário de Psicanálise", de Elisabeth Roudinesco e Michel Plon, Mem Martins, Ed. Inquérito, 2000, para quem não tenha outro recurso; mas não há nada que substitua a leitura de Lacan e, escusado é dizer, de Freud, a quem Lacan se propôs retornar (no sentido da releitura atenta dos seus textos), em articulação com todo um vasto conhecimento científico e filosófico próprio dos meados do séc. XX. Por isso Lacan e Freud vão juntos e ajudam-se (ajudam-nos) mutuamente na compreensão da revolução psicanalítica, que não é nenhum dogma nem a única matéria indispensável, mas é algo sem o qual dificilmente se entende outras coisas. É como se nunca tivéssemos lido Marx ou Weber e quiséssemos pensar o social e o político, e por aí adiante. É claro que um arqueólogo não foge à regra.