quinta-feira, 31 de março de 2011

Travessia



Dizia eu a um amigo de infância que se divorciou há pouco de um longo casamento, e por vontade da outra parte: não te deixes levar pela urgente necessidade de companhia; não utilizes as pessoas como pastilha elástica para aventuras passageiras que deixam sempre um sabor amargo; não te deixes seduzir facilmente por ninguém. Reconstrói-te primeiro. Tens de te refazer a partir da base. O teu espaço. O teu equlíbrio. A tua serenidade. ALGUÉM aparecerá um dia. Até lá, atravessa o deserto. Dolorosamente. Ter tomates é conseguir aguentar isso, e não demonstrações ridículas de confirmação de virilidade ou de altivez. Uma experiência dessas é uma experiência de verdade: o refazer de toda uma vida e de toda uma identidade. Não odeies quem te fez isso: é um sentimento que corrói. Mesmo que te sintas injustiçado até à medula, amigo, prossegue o teu caminho de homem bom e justo. E escolhe daqui para a frente apenas pessoas sãs de espírito, que são muito difíceis de encontrar. Mas, olha, mais vale só que mal acompanhado. Ou que viver no equívoco. Amplia os teus amigos; abre-te aos outros. Um dia O Rosto aparecerá. O Rosto belo, iluminado, Puro.


quarta-feira, 30 de março de 2011

David Harvey on line







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Lacan e outros!

Motivações de um curso que começa na próxima semana - ainda vai muito a tempo de se inscrever - até ao último minuto...e até depois!


Por que é que sem Jacques Lacan se não entende Freud? E por que é que o primeiro deles disse que a relação sexual não existe? Ou que o inconsciente funciona como uma linguagem?

Por que é que se continua a fazer história das ideias, das mentalidades, das ciências e de tantas outras coisas apesar do que deixou dito e escrito Michel Foucault? O que é a arqueologia do saber?

Por que é que muitos não percebem que Jacques Derrida teve de desconstruir para nos abrir um modo novo, complexo e fluido, de reconstruir, de estar na vida e de pensar?

Por que é que a questão do género tem tanto a ver com a performatividade? Não só não se nasce mulher, como se é performativamente constituído(a) como tal: a mulher e o homem são um conjunto de actos que constantemente os confirmam enquanto tais... mas por que razão nunca se traduziu em Portugal a obra de Judith Butler?

A democracia grega já continha em si o gérmen da sua própria contradição... e... por que é que o poder necessita tanto da glória? Sem ler Giorgio Agamben não se entende nada do que passa na nossa contemporaneidade, e de como isso radica, em última análise, na teologia cristã tardo-antiga e alto-medieval...

Lenine é ainda importante? Pode pensar-se uma sociedade pós-capitalista, ou esta última ocupa todo o nosso horizonte como modelo? Por que é que Slavoj Zizek nos ajuda tão bem a entender Lacan, e com ele, por exemplo, cineastas como David Lynch?

O que fez Jean Baudrillard levar às suas últimas instâncias a indistinção entre o real e o virtual na nossa época? E Jean-François Lyotard, por que se interessou ele pelo sublime, na esteira de Burke e de Kant? Como podemos pensar agora todos estes autores, e tantos outros, como Deleuze ou Benjamin, ou Badiou, ou Rancière, não por uma motivação erudita, mas tudo ao contrário, por uma preocupação de entender criticamente, distanciadamente, para lá do ruído dos media e da banalidade (e portanto futilidade, inoperância, impotência) das explicações espontâneas e do mais-do-mesmo dos opinion makers?

Em suma, por que estamos numa crise muito profunda que ultrapassa a chamada economia e os estados, e tem a ver com uma das maiores mudanças nas relações sociais jamais vivida, e muito provavelmente com o esgotamento de um modelo capitalista que começou apenas há uns séculos, não é eterno nem sagrado? Como podemos inventar uma nova sociedade, um novo sentido de comunidade, de felicidade e de esperança?

O Curso de Pensamento Crítico Contemporâneo que começa na FLUP no dia 4 de Abril e do Museu de Cerâmica de Sacavém junto a Lisboa (e muito acessível a partir de Lisboa, nas imediações da Gare do Oriente) trata disto e de muito mais.... Em 2010, num curso semelhante, cheguei a sair da Faculdade à 1 h. da manhã tal o entusiasmo que o curso despertou. Inscreva-se. É um investimento que compensa.

Se vive no Porto e arredores:

Junto do Sector de Formação Contínua da FLUP: Dra Marta Craveiro – contactos: Serviço de Gestão Académica - Sector de Formação Contínua

Via Panorâmica, s/nº 4150-564 Porto

Telef: 226077152 Email: gfec@letras.up.pt

Horário Atendimento: 10h00 às 16h00

Se vive em Lisboa ou arredores:

Faça a sua inscrição em http://www.surveymonkey.com/s/pensamentocritico

Para mais informações por favor consulte

http://www.mapadasideias.pt/?p=2273&lang=pt
Ana Fernambuco
ana.fernambuco@mapadasideias.pt
tmv. 963983859
tl. 214262650

Não hesite. Garanto-lhe que vai gostar. Deposito o maior entusiasmo neste curso: e desejo comunicá-lo também a si.

Se o que acabou de ler lhe não interessa, desculpe a intromissão.

Se lhe interessa, por favor divulgue. Pode ser que em 2012 o curso já não ocorra.

Há que agarrar as oportunidades!

Formador: Vítor Oliveira Jorge, prof. da FLUP-DCTP – vojorge@clix.pt

sexta-feira, 25 de março de 2011

Pensamento Crítico Contemporâneo

DESCULPEM VOLTAR À QUESTÃO DO CURSO DE PENSAMENTO CRÍTICO CONTEMPORÂNEO, MAS PRECISO DA AJUDA DE AMIGOS E CONHECIDOS PARA QUE AS COISAS SE EFECTIVEM.
NO PORTO, NA FLUP, COM O NÚMERO DE PESSOAS JÁ INSCRITAS, REALIZA-SE DE CERTEZA E COMEÇA DIA 4 DE ABRIL ÀS 19,30 HORAS. SALA A INDICAR.
CONTACTO DO GABINETE DE FORMAÇÃO CONTÍNUA:
Marta Craveiro mcraveiro@letras.up.pt
(preferível telefonar entre as 10 e as 16 horas)


CURSO DE PENSAMENTO CRÍTICO CONTEMPORÂNEO NA ZONA DE LISBOA (PRÓXIMO DA GARE DO ORIENTE - MUSEU DE CERÂMICA DE SACAVÉM): COMEÇA DIA 5 DE ABRIL, ÀS 18 HORAS, MAS... PRECISAMOS DE 20 INSCRITOS (DOU O CURSO GRATUITAMENTE). SÃO 24 HORAS POR 100 EUROS, QUER DIZER, "CUSTO" MENOS QUE UMA EMPREGADA DOMÉSTICA!
CONTACTO DA EMPRESA MAPA DAS IDEIA
S: Ana Fernambuco
ana.fernambuco@mapadasideias.pt
Se você não puder fazer nada por ir a estes cursos, ou por divulgá-los entre amigos, conhecidos, alunos, não vem daí mal nenhum ao mundo.
Mas... não é a mesma coisa!

http://www.mapadasideias.pt/?p=2273&lang=pt


quarta-feira, 23 de março de 2011

Con(finados)



Se nos confinamos a um campo de saber, podemos ter nele êxito e aplausos dos nossos pares. Mas um dia olhamos à nossa volta e vemos que estamos todos, nós e os nossos pares, metidos numa sala, e que há muito mais mundo lá fora. E olhamos pela primeira vez para aquele espaço como o de uma cela. Não era afinal um saber, era apenas uma questão de segurança. Era a cegueira cega, inocente, de quem se confinou.

Mas a maior parte das pessoas ainda não interiorizou isto. Implica riscos. Implica a ansiedade da interdisciplinaridade. Implica o despaisamento. Um certo cosmopolitismo. A maior parte das pessoas ocupa-se quotidianamente como forma de se auto-desculpar (inconscientemente) de nunca poder fazer o que seria mais interessante. A maior parte das pessoas ocupa-se sempre do mesmo, como quem vai por um corredor às escuras e tacteando as paredes ao seu lado. E desemboca em salas onde lá estão os pares, substitutos da segurança doméstica, para o/a certificar de que o caminho valeu a pena. A maior parte das pessoas, para não dizer quase todas, deixou atrofiar muitas das suas potencialidades de sair do corredor, de fugir aos aplausos. Vivem no auto-comprazimento. O importante é passar pelo anel de fogo que nos abre outras perspectivas. Que nos permite, mesmo chamuscados, voltar a sentir que temos pele, e vida, e energia, e autêntica criatividade. Passar pela famosa e batida imagem do deserto. Sempre com a esperança de encontrar um oásis onde o turismo, os media, a banalidade do entertainment não tenham chegado. Onde esteja o Rosto Luminoso, Apaixonado.