sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Investigações dos nossos colegas da Univ. de Cantabria, Espanha

Fonte: http://www.lne.es/secciones/noticia.jsp?pRef=1737_40_550300
__ORIENTE-Hallan-tres-cuevas-Cabrales-piezas-explican-origen-agricultura


Hallan en tres cuevas piezas que explican el origen de la agricultura

Un equipo científico encuentra indicios sobre la recolección de semillas y restos de animales domésticos de más de 6.000 años

Esqueleto de uno de los enterramientos hallados en Arangas

Arangas (Cabrales),
Rebeca AJA
Hallar al primer campesino, encontrar indicios sobre el origen de las sociedades agrícolas en la fachada atlántica europea motivó, hace veinte años, el desplazamiento de un grupo de científicos al macizo kárstico de Arangas, en Cabrales. El grupo, encabezado por Pablo Arias Cabal, catedrático y director del Instituto Internacional de Investigaciones Prehistóricas de Cantabria, inició entonces un proyecto de intervención arqueológica que, a finales de los noventa, concluiría con el descubrimiento de testimonios inéditos sobre uno de los procesos históricos más relevantes y peor documentados de la cornisa cantábrica.
Los trabajos de investigación se centraron en tres galerías del relieve kárstico de Arangas: las cuevas de Los Canes, Tíu Llines y Arangas. Allí vivió el «Hombre de Arangas», el primer agricultor. Hasta ahora se han encontrado tres enterramientos, con otros tantos cadáveres. Las grutas fueron exploradas entre 1985 y 1998, año en el que concluyó la campaña arqueológica con el descubrimiento del testimonio más antiguo sobre la actividad de la metalurgia: un horno de fundición de cobre. Nueve años después, un nuevo equipo científico, coordinado por Pablo Arias Cabal, ha vuelto a Arangas. La campaña de 2007 se desarrolló del 6 al 18 de este mes. Una labor que se ha centrado, principalmente, en la cueva de Arangas, donde las excavaciones han permitido descubrir nuevos restos arqueológicos.
Entre los hallazgos más relevantes de este año destaca un asta de ciervo recortada, probablemente para fabricar algún instrumento, y un raspador de radiolarita. También se han encontrado indicios sobre la recolección de semillas, lo que ayudaría a entender hallazgos de la campaña anterior, como un silo relleno de avellanas. La gran mayoría de los casi 500 objetos hallados son huesos de ciervo, jabalí, corzo, cabra y vaca con más de 2.000 años de antigüedad. Ahora se abre una tarea de investigación que, según Arias Cabal, contribuirá a «entender» algunos hallazgos inéditos de la campaña principal, desarrollada entre 1994 y 1998. En total son más de 30.000 huesos los encontrados hasta la fecha en esta cueva. Algunos de ellos corresponden a fauna adscrita al Mesolítico (8.500 años antes de Cristo) propio de los grupos de cazadores-recolectores. Se han hallado restos de animales «de roca», como corzo, rebeco o cabra montés. Pero en los niveles más recientes también han aparecido restos arqueológicos de especies domésticas como una vaca muy pequeña y también de cerdo que ayudarían a elaborar un listado de animales domésticos introducidos hacia el 4.000 o 5.000 antes de Cristo.

Symposium in Australia

Cultural Heritage, Social Justice and Ethical Globalisation - A World Archaeological Congress Symposium

Dates: 28th & 29th September 2007
(immediately after the Sydney meeting of combined archaeological organisations)

Venue: Hetzel Lecture Theatre, Institute Building, State Library of SA, North Terrace, Adelaide, South Australia.
Convenor: Claire Smith, President, World Archaeological Congress
Department of Archaeology, Flinders University
There is far too little sense that we are all in this together. Failure to establish shared values and ethical standards in national and international decision-making is at the heart of the divides and controversy surrounding globalization. Although global markets, transportation and communication increasingly connect us, we are increasingly divided between rich and poor, North and South, religious and secular, them and us.

(Mary Robinson, UN Human Rights High Commissioner, 31st December, 2003)

This symposium will address the issues raised by Mary Robinson within the context of archaeology, cultural heritage, and related disciplines. This public symposium will consider the shape that might be taken by an archaeology that engages more directly with social justice and ethical globalization issues.

While presentation in this symposium is by invitation only, we encourage members of the general public to attend these important discussions. Drawing on case studies and theoretical developments in countries as diverse as Nigeria, Poland, Ireland, South Africa, Cameroon, Spain, the US, Australia and Argentina, this public symposium will critically examine social justice and ethical globalisation issues, with an eye to the development of World Archaeological Congress policy.

Further information is available at: www.worldarchaeologicalcongress.org/site/symposium_07.php

West African Adobe Architecture - From K. Kris Hirst

Source: http://archaeology.about.com/b/a/258045.htm?nl=1

From K. Kris Hirst,
Your Guide to Archaeology.


Photo Essay: West African Adobe Architecture
The traditional ephemeral architecture in the countries of West Africa known as Butabu is built of perishable fired mud brick or adobes.

For centuries, these complex adobe structures, many of them quite massive, have been built in the Sahel region of western Africa, including the countries of Mali, Niger, Nigeria, Togo, Benin, Ghana, and Burkina Faso. Made of earth mixed with water, these ephemeral buildings display a remarkable diversity of form, human ingenuity, and originality.
Captured only in photographs, Butabu is fated to melt away in a few centuries. A traveling exhibit of photos of these structures taken by British photographer James Morris took place at the University of Pennsylvania Museum of Archaeology and Anthropology last year, and they were kind enough to let me show you a handful of images.
The exhibition of 50 photos has ended, but you can enjoy a few of them in the slide show feature called Adobes of West Africa. Morris's work also appears in a 2003 book called Butabu: Adobe Architecture of West Africa and co-authored with Africanist Suzanne Preston Blier.

* Adobes of West Africa, a slide show of four of the Morris photographs
* Butabu: Adobe Architecture of West Africa, Photographs of James Morris, exhibition notice at the University of Pennsylvania Museum of Archaeology and Anthropology
* Butabu: Adobe Architecture of West Africa, the book
* Mud, Glorious Mud (Jonathan Glancey in the Guardian reviews the book)
* Architectural Traditions of Mali, an exhibit at the Smithsonian Institution
* Curatorial Assistance Traveling Exhibitions (CATE)
* Home page of James Morris
* Butabu on Archnet (that's ArchitectureNet, where you can find even more of Morris's photographs)



Wednesday August 22, 2007

Omissões : Eduardo Prado Coelho, por exemplo

Por opção, evidentemente, este blogue não é um boletim de notícias ou um registo do tudo o que me vai marcando... não me referi aqui, por exemplo, à morte de Bergman ou de Antonioni, ou se o fiz foi de modo muito ligeiro. Já nem me lembro.
Soube da morte do Eduardo Prado Coelho, uma pessoa que muito admiro, no Sul da Tunísia, no dia 26 (quando ele tinha falecido no dia anterior), através de uma sms enviada para a minha mulher por pessoa amiga.
Senti sincero desgosto. Para mim, pessoas como o Eduardo (que tinha certamente os seus defeitos e imperfeições como cada um de nós) fazem-nos muita falta. Não só pelas suas crónicas do Público (às vezes, sobretudo no tempo do "Mil Folhas", a única razão para se comprar o jornal, que em geral não há tempo para ler), aliás ultimamente reduzidas a um espaço muito pequeno.
Eu sabia que ele andava doente, possivelmente muito doente, o que se adivinhava nas próprias fotos. Mas julguei que recuperasse e que continuasse a dar-nos as suas reflexões e informações, com frequência muito úteis ou certeiras, mas pelo menos nunca inócuas.
Lembro-me de, quando eu era aluno em Lisboa, o ver à porta do Instituto de Estudos Brasileiros da Faculdade de Letras. Uns anos mais velho que eu, era todavia meu conhecido através por exemplo do Jornal de Letras e Artes (que eu lia quando era ainda estudante no liceu Camões), e onde ele manteve uma polémica célebre com o Vergílio Ferreira (meu professor naquele liceu) sobre existencialismo, estrutralismo, etc.
O Eduardo é um pilar da nossa vida cultural durante a segunda metade do século XX. Recordo também que um dia estava no Algarve e soube pelo jornal que tinha saído o segundo volume do seu "diário", "Tudo o que Não Escrevi". Meti-me no carro a toda a velocidade para Faro, para a Livraria Bertrand, que naquela altura (não sei se ainda é assim) fechava às 22 h. Depois de muito esforço, lá consegui que a empregada (completamente alheia ao que fosse a minha urgência, a minha ânsia em chegar ao livro) desatasse uma série de embrulhos recentemente chegados e confirmasse a presença do livro, que me acompanhou na restante parte das férias, além de ter ficado logo exposto na montra.
O Eduardo colaborou em 1992 numa mesa-redonda que organizei no Porto com Augusto Santos Silva (e cujo livro está publicado), e mais recentemente noutra intitulada "As Imagens que nos Vêem" (também publicada em livro). Estávamos às vezes em contacto, embora nunca tenha sido um próximo dele. Eu enviava-lhe os livros que ia publicando. Mas o Eduardo fazia parte da minha vida, das minhas referências, daquelas pessoas que constantemente nos abrem caminhos, que criam um espaço de diálogo que tanta falta faz ao nosso país.
A diversidade de modos de expressão e de intervenção caracterizou-o. Era espantosa a sua pertinente informação sobre os mais variados assuntos.
Costuma-se dizer que os valores de uma pessoa são também os seus defeitos. Por outro lado, àqueles que nos são de algum modo queridos, de quem necessitamos, pedimos sempre mais e mais, numa evidente desproporção e injustiça... eu teria pedido ao Eduardo que não se dispersasse em tantas crónicas e em tantas referências (num afã de estar sempre "a par", ou de revelar novos "talentos"), e nos desse uma obra ensaística nesta fase da sua vida, densa e pessoal, como qualquer um de nós desejaria fazer, Por vezes dava a sensação de que tanta informação, tanta vontade de intervir, de aparecer no espaço público, o engolia. Havia nele, sobretudo antes de estar mais doente, uma compulsiva vontade de aparecer, de seduzir. Ora como é evidente uma certa indiferença ou afastamento do mundo é essencial à construção de uma obra.
O Eduardo, sobretudo nos domínios da sua especialidade, deixou-nos essa obra, indubitavelmente. Quem sou eu para a julgar!... mas... foi pena que não tenha lançado, depois destes livros dos últimos anos, em que coleccionou crónicas e apontamentos, algo de mais denso e estruturado sobre o mundo contemporâneo e sobre o nosso país, que estava, como ninguém, em condições de fazer. No fundo, dar-nos a sua perspectiva "filosófica" sem a preocupação de tantas citações e referências: cortar a direito nesta espécie de gelatina que é o nosso caldo cultural e apresentar algo a que todos aspiramos: um livro onde a erudição esteja pressuposta, mas que assuma uma perspectiva, que nos dê com que concordar e discordar de uma maneira extensa.
Com tanta movimentação, EPC não teria podido escrever esse livro, ou teria optado decididamente por não o fazer, evidentemente. Porquê? Só os seus próximos o saberão.
O Eduardo vai fazer-me falta, mas estou-lhe grato pelo muito que me deu a ler. E para mim a morte de uma pessoa que é uma referência é apenas uma certeza (para além do sentimento de tristeza, está claro): a de que continuará a existir na minha memória e nas minhas leituras. Afinal, a maior parte das figuras que estão vivas, fisicamente, estão mais que mortas para mim, nem sequer existem. O Eduardo, desde os velhos tempos do "Diário de Lisboa-Juvenil", ficará sempre a ser um dos indivíduos que mais estimo.

(Re)viver o passado, (ante)viver o futuro, para poder estar no presente

Para que uma situação ou uma experiência não me domine, isto é, não se torne incontrolável para mim (pelo menos naquela "parcela" em que ela será "controlável", pelo menos na minha imaginação, o que é muito importante) necessito de pensar sobre ela, de escrever sobre ela (escrever e pensar são duas realidades inextricáveis na nossa cultura "erudita", apesar da importância do incorporado, do não verbalizado, e que continua a ser em quase tudo dominante). Como qualquer pessoa, programo minimamente uma viagem, ela começa muito antes de começar no pesar dos prós e dos contras, na imaginação da experiência por vir, no arranjo de pormenores. Uma viagem é sempre uma passagem, uma modificação temporária (mas em certos aspectos definitiva) de situação, com os seus ritos próprios, variáveis de pessoa para pessoa, de condição social para condição social, etc.
Quando regresso de uma viagem, tenho uma absoluta necessidade de reincorporar, e de organizar, no que é o meu ideal mítico de quotidiano (supostamente "controlado" por mim), no meu espaço doméstico, como na minha memória, essa "novidade" assim recentemente "importada". Então, por exemplo, a organização das fotografias (são intermediárias fundamentais entre mim e "o visto" - este "visto" é posterior à viagem porque começa, por exemplo, com a classificação das fotos no computador - dantes era em álbuns) torna-se imperiosa. Pessoa da cultura escrita, eu necessito de registar, refazendo ou prolongando a minha experiência através desse registo, que é sempre uma ficção, evidentemente, com alguns pontos de apoio mais ou menos sólidos a ancorá-la à "realidade": nomes de cidades ou outros sítios, sua localização no mapa, conhecimentos históricos/descritivos que se podem obter num simples livro-guia ou numa obra mais especializada, etc.
Como quando vejo um filme que muito me agrada (ultimamente não me tem acontecido...) sou incapaz de ver outro qualquer a seguir, precisando de "digerir" a experiência, dando tempo inclusivamente ao inconsciente, ao trabalho da incorporação, assim quando venho de uma viagem onde aprendi muita coisa nova preciso de pensar sobre ela, de "senti-la", de tornar "meus" a posteriori os lugares por onde, a correr, passei. Este blogue é um bom meio para o fazer, pois também não tenho todo o tempo de mundo... infelizmente as férias não são eternas e a reforma ainda não está à porta.
O saltitar de experiência em experiência sem pensar demais pode ser revitalizador, refrescante, comum até em muitas pessoas, mesmo por opção consciente. É como esta gente que diz que quer é praia e um livro que a não obrigue a pensar muito durante as férias... por mim, nunca percebi o que é isso de "livros de verão", como se fossem perfumes...). Ser reflexivo em demasia porventura inibe-nos em muita coisa... mas, a maior parte das vezes, e no meu caso, para não me sentir aquele estúpido turista demasiado "massificado", preciso de ler algo sobre os sítios que visitei, e que assim revisito, dando-lhes um sentido. Não há nisto nenhum preconceito "intelectual" de superioridade. Nestas coisas, como no resto, temos de respeitar a idiossincrasia de cada indivíduo, o seu direito a escolher, que é a coisa mais sagrada que temos, a nossa autonomia. Como seres mortais, mergulhados no mundo (no sentido de Heidegger) e conscientes da sua finitude, reflexão e vida prática não estão em nós separadas, num mentalismo artificial, mas embutidas uma na outra: esse dualismo entre projecto e execução não tem sentido.
Por isso uma viagem é também o que eu penso e escrevo sobre ela, os escritores que eu vou "desenterrar" a propósito dela... em suma, a memória dela que eu irei construindo (mais até do que "re-construindo"), nesse fluxo permanente da vida e do estabelecimento de "verdades" que estão sempre entre a realidade e a ficção, ou seja, que pertencem ao domínio do propriamente humano, o simbólico.