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Transferência "(...) A PSICANÁLISE INVENTOU DE FACTO UMA NOVA FORMA DE AMOR CHAMADA TRANSFERÊNCIA." JACQUES-ALAIN MILLER (Lacan Dot Com)
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
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sexta-feira, 31 de agosto de 2012
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Pergunta
Mas se não se "protesta", se não há revolta (a revolução é hoje um pensamento/acção mais difícil...mas há sempre que contar com o inesperado), o sistema também sobrevive, talvez mais monotonamente, mas sempre abusando cada vez mais dos muitos mais fracos a favor dos poucos privilegiados, dando passos programados e maquínicos no processo de controlo e na asfixia da maiores dos seres humanos, condenados à miséria da sobrevivência ou ao desespero da infelicidade e do desamparo. Então, que fazer? Voltamos sempre à velha pergunta: que fazer? Mas em nome de quê, em nome de quem, se ergue uma voz, agora que já não temos nenhum teologia ou ateologia em que nos refugiarmos, uma unidade coerente de princípios em nome da qual lutarmos com a convicção ingénua de outrora? Agora que nos sabemos dentro do jogo, sustentando o jogo, mesmo quando o contestamos? Tudo nos soa a falso, a flop. Todos em última análise se refugiam nos seus últimos redutos, pequenos ou grandes, para sobre-viver. A ideia de comunidade põe problemas. Como fazer, como pensar, como ter esperança ainda?... Como viver? É o salve-se quem puder? São as pequenas acções humanitárias? São as boas intenções cristãs, caritativas, travestidas de moral social? É o amor ao próximo? É a obsessão da protecção dos animaizinhos indefessos e abandonados? É o refúgio na meditação dita oriental? A confusão das formigas permite aos gestores do mundo continuar o seu modo de vida confortável e cínico. Como deixar de ser formiga? Como deixar de ser submisso sem ser carnavalizado como palhaço ou ridículo impotente? Como ser de facto um agente de transformação? É nas grandes coisas/causas? É na subversão das pequenas coisas do dia a dia? É na fé missionária do convencimento porta a porta? Quem houve quem e quem fala em nome do quê? Há muito barulho. Muita agitação. Muita gesticulação. Muito exercício físico. Muito jogo, e no fim a sensação de que nada de palpável ficou. Onde está a nossa dignidade individual e colectiva? Que ética seguir? Que autores ler? Onde está a fractura que nos põe perante a decisão, a loucura necessária, a precipitação responsável? Num mundo brutal e mau, de baixíssima qualidade, onde estão ainda as pessoas por que aspirámos? Cada uma na sua toca à espera que a tempestade passe? Como pensar ainda no meio disto tudo, sem que esses nichos de pensamento sejam formas de elitismo e de capitalização de minorias, tais como as minorias do dinheiro? Como partilhar, o quê e com quem, como sair do esquema da produção, da submissão, da prostituição quotidiana ao império do dinheiro e dos poderes, do cálculo, da manobra, do xico-espertismo de todos os matizes, em suma, do que convencionamos designar capitalismo, sem entrar nas ilusões neo-liberais ou nas ingenuidades bem intencionadas?
Como recuperar a dignidade?
Num mundo onde não há respostas, nem soluções "prontas a vestir" à vista (pelo menos à nossa vista), nem ilusões já, é aí, paradoxalmente, nesse deserto, que temos de inventar a solução. Pensar, viver, voltar a pensar, partilhar, escutar, incondicionalmente tentar ir ao coração das coisas sabendo que cada um de nós só pode viver neste constante paradoxo: para escutarmos uma pessoa como deve de ser, temos de calar o resto do mundo que às vezes nos apela. Esse paradoxo, sim. Máximo amor, máximo rigor, como Artaud quando falava de crueldade. Determinação em não querer ir na onda. É ainda possível ser assim?... não espero que alguém (O Salvador) me responda, está claro. Só desejo perguntar.
Um autor que sugiro para estes temas: Jacques Derrida.
voj
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Conferência em Coimbra, por Vítor Oliveira Jorge (resumo)
Coimbra, 5 de Junho de 2012 – conferência (resumo)
A arqueologia do ponto de vista do pensamento crítico contemporâneo: alguns tópicos
por
Vítor Oliveira Jorge
Professor catedrático aposentado da Faculdade de Letras da Universidade do Porto; investigador do CEAUCP
Creio que a publicação, em 2004 (Londres, Routledge), do livro “Archaeology and Modernity”, pelo meu colega Julian Thomas, da Universidade de Manchester, marca uma importante ruptura com as reflexões anteriores, mesmo dos autores ditos “pós-processuais”, percebendo que a renovação da arqueologia e da teorização da sua prática tem de se compreender “de fora” da disciplina. A arqueologia é um produto da modernidade, e esta tem sido analisada e pensada por numerosos autores que não podemos ignorar, e que continuam a aparecer constantemente. Muitos desses autores não se apresentam propriamente como “filósofos, ou teóricos desta ou daquela área do saber, mas questionaram a própria maneira como a produção do saber costumava ser questionada/teorizada. Ou seja, pensar a arqueologia hoje é uma tarefa muitíssimo mais exigente do que há algumas décadas. Implica uma postura de inter e transdisciplinaridade radical, muito difícil de conseguir, porque obviamente se tem de partir dos problemas da arqueologia e, ao mesmo tempo, conseguir vê-los a partir de fora, como se não fôssemos arqueólogos. Exercício quase acrobático, porque o discurso arrasta-nos sempre para o senso comum vigente. É isso que se pode considerar uma postura crítica, absolutamente básica para se conectar a arqueologia com o conhecimento contemporâneo e para lhe permitir o diálogo com as grandes questões políticas, filosóficas, científicas que se nos colocam na era pós-moderna do capitalismo financeiro neoliberal.
Falta talvez fazer qualquer coisa como um livro chamado por exemplo “Arqueologia e Pós-Modernidade”, prolongando a obra de J. Thomas, e entendendo por pós-modernidade uma palavra convencional que designa o facto de, não se tendo cumprido muitos ideais da modernidade, estarmos numa época em que o ideário do mercado, do empreendedorismo, das sociedades de controlo extremamente subtil e invasor corta com esse próprio ideário da “primeira modernidade”. Sem conhecer (o que não significa subscrever, é óbvio) as reflexões de pensadores como, por exemplo, Jacques Derrida, Giorgio Agamben, ou Slavoj Zizek, entre imensos outros, é minha convicção de que não só não percebemos o mundo em que nos encontramos, como não entendemos por que razão a universidade continua a legitimar (e a legitimar-se) numa visão da história que é anacrónica, enganadora, diria mesmo perigosamente conservadora, e que, reflectida em arqueologia (ainda muito enfeudada à prática histórica) leva a uma situação de impasse entre as indústrias do património (que vendem às massas um passado domesticado), os trabalhos de pesquisa por projectos curtos (tipo mestrados/doutoramentos de Bolonha, etc) que em geral produzem mais do mesmo à pressa, ou o trabalho empresarial na sua maioria preso à mesma lógica de “curto-prazismo” própria do sistema em que estamos mergulhados. Mas a história não parou, nem muitos de nós, seres humanos, se recusaram a pensar para fora das fronteiras deste horizonte imperial que se pretende apresentar como natural, indesmentível, inequívoco, quiçá eterno. Sem cair na pressa das soluções rápidas, que se situam na mesma lógica e portanto se sujeitam à carnavalização do adversário, há que ousar pensar uma nova arqueologia para uma nova forma de comunidade que, por vias travessas talvez, é uma comunidade que há-de vir.
O pensamento crítico contemporâneo coloca os problemas radicais que são os que podem motivar uma arqueologia adulta, liberta da tutela da história narrativa, sequencial, teleológica, legitimadora de uma concepção do tempo banal e retrógrada, como já Walter Benjamin apontou.



