Colóquio/Jornadas de estudo sobre
Giorgio Agamben
Centro Unesco do Porto (R. José Falcão, 100), 8 e 9 de Março de 2012
Organização conjunta da SPAE e da ADECAP
Com a colaboração da Fundação Engº António de Almeida
Coordenadores: Vítor Oliveira Jorge (FLUP – prof. reformado) e Luís Carneiro (FLUP – mestrando em Filosofia)
Entrada livre
(as despesas de deslocação, estadia e alimentação estarão a cargo dos participantes, tanto oradores convidados como auditores. As associações organizadoras terão o gosto de oferecer aos oradores –incluindo os dois coordenadores, que apresentarão também cada um a sua reflexão, num total de 10 - uma refeição ligeira ao almoço de cada dia, condicionada a um menu pré-fixado, dada a chamada “crise” que atravessamos e o facto de não contarmos em princípio com apoios financeiros)
Metodologia:
Cada interveniente abordará um livro/tema da obra de Giorgio Agamben, tanto no seu conteúdo como, se o desejar, nas suas repercussões noutros autores. Não se pretende uma exposição académica do pensamento de um pensador vivo e tão diversificado como Agamben, mas antes uma reflexão transdisciplinar sobre a sua obra já publicada, a partir de temáticas/obras consideradas vitais para o entendimento do seu trajecto e repercussão no pensamento contemporâneo.
Objectivo:
Troca de ideias sobre e a partir do pensamento do filósofo italiano Giorgio Agamben, não de forma “académica”, nem exaustiva, mas crítica, e feita de modo rigoroso e sobretudo motivador em termos transdisciplinares. Cada orador/expositor tem assim a liberdade de abordar o tema que melhor lhe aprouver, podendo até o mesmo tema ou livro ser alvo da atenção de mais de um orador.
Esquema logístico de funcionamento (horários a procurar cumprir de modo a aproveitar o melhor possível o tempo):
Dia 8, quinta-feira
9 h – abertura dos trabalhos, com intervenção de cada um dos coordenadores
10 h. -10,30 h – apresentação 1
10,30 h – 11 h. apresentação 2
11 h- 11,15 h – intervalo
11,15 h – 13 h. – debate
15 h – 15,30 h. – apresentação 3
15,30 h. -16 – apresentação 4
16 h – 16,15 h. intervalo
16,15 h- 16,45 h – apresentação 5
16,45 h – 18 h. – debate final do dia
Dia 9, sexta-feira
10 h. -10,30 h – apresentação 6
10,30 h – 11 h. apresentação 7
11 h- 11,15 h – intervalo
11,15 h – 13 h. – debate
15 h – 15,30 h. – apresentação 8
15,30 h. -16 – apresentação 9
16 h – 16,15 h. intervalo
16,15 h- 16,45 h – apresentação 10
16,45 h – 18 h. – debate final do Encontro
Transferência "(...) A PSICANÁLISE INVENTOU DE FACTO UMA NOVA FORMA DE AMOR CHAMADA TRANSFERÊNCIA." JACQUES-ALAIN MILLER (Lacan Dot Com)
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
vertigem
Vertigem
Chegamos sempre demasiado tarde
Com a sensação de que o acontecimento
Se desvanece... já foi, está a ser e a não ser,
Ficou adiado... um conjunto de impressões
Que nos deixam a boca amarga, quando
Nem os teus beijos me atenuam a secura
Desta nostalgia, destas vidas anteriores
Que vivemos, onde estivemos radicalmente
Sós um do outro, como se fôssemos mortos
Antecipados. Mas só hoje nos demos conta
desta vertigem.
voj jan. 2012
Chegamos sempre demasiado tarde
Com a sensação de que o acontecimento
Se desvanece... já foi, está a ser e a não ser,
Ficou adiado... um conjunto de impressões
Que nos deixam a boca amarga, quando
Nem os teus beijos me atenuam a secura
Desta nostalgia, destas vidas anteriores
Que vivemos, onde estivemos radicalmente
Sós um do outro, como se fôssemos mortos
Antecipados. Mas só hoje nos demos conta
desta vertigem.
voj jan. 2012
o difícil instante
Sobre o puro presente do teu corpo nu
Pairam sempre essas figuras espectrais
Do passado. Quem já passou por este quarto?
Com quem já gemeste antes aqui? Serei eu capaz,
No presente que te sou, de fazer esquecer,
Nem que por instantes, essas memórias?
Vejo os teus olhos dilatados, e por vezes
O teu rosto em transe. E quanto mais o prazer
Me apanha, amor, a tal ponto que parece uma faca
Que finamente me corta ao meio, ainda e sempre
As aves negras do teu passado me sobrevoam.
voj jan. 2012
Pairam sempre essas figuras espectrais
Do passado. Quem já passou por este quarto?
Com quem já gemeste antes aqui? Serei eu capaz,
No presente que te sou, de fazer esquecer,
Nem que por instantes, essas memórias?
Vejo os teus olhos dilatados, e por vezes
O teu rosto em transe. E quanto mais o prazer
Me apanha, amor, a tal ponto que parece uma faca
Que finamente me corta ao meio, ainda e sempre
As aves negras do teu passado me sobrevoam.
voj jan. 2012
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
a inesperada visita
quando me afagas
com a ponta dos dedos
os pêlos do corpo todo,
sem o tocar,
como se à superfície
de um terreno plano
e inexplorado
ateasses minúsculas
lareiras,
quando o teu dedo
perpassa ao de leve
a periferia dos meus lábios,
provocando pequenos
espasmos:
digo, para mim próprio -
é isto, afinal,
o que chamavam amor,
essa visita que esperei
e de súbito
assim tão subtil
sobre mim se abateu
como a chuva que cai
num deserto
depois de muitos séculos
de secura,
e faz brotar flores
inverosímeis
pela pele das areias...
quando todo o peito,
e até a compreensão do mundo
se abrem
de uma forma inesperada.
voj dez. 2011
com a ponta dos dedos
os pêlos do corpo todo,
sem o tocar,
como se à superfície
de um terreno plano
e inexplorado
ateasses minúsculas
lareiras,
quando o teu dedo
perpassa ao de leve
a periferia dos meus lábios,
provocando pequenos
espasmos:
digo, para mim próprio -
é isto, afinal,
o que chamavam amor,
essa visita que esperei
e de súbito
assim tão subtil
sobre mim se abateu
como a chuva que cai
num deserto
depois de muitos séculos
de secura,
e faz brotar flores
inverosímeis
pela pele das areias...
quando todo o peito,
e até a compreensão do mundo
se abrem
de uma forma inesperada.
voj dez. 2011
para um verão futuro
Dar-te-ei todo o tempo
Para que cures as feridas
Dos homens que amaste
E partiram;
Dar-te-ei todo o tempo
Até que possas voltar
Inteira, tocando-me à porta
Com um sorriso novo;
Intacta, limpa, purificada
Pelo tempo;
E eu, liberto também
De muitas amarras
Incluindo as dos gemidos
Que trocaste com os homens
Que dantes amaste,
E as dos desesperos
Que trouxeram as lágrimas
À flor dos teus olhos.
Esperar-te-ei num dia de sol
Com a porta entreaberta
Sobre as sombras interiores
Da casa, quando as folhas do verão
Quiserem também entrar.
Voj Dez. 2011
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