quinta-feira, 14 de setembro de 2017


Visita a Stonehenge setembro 2017: alguns momentos e aspectos

















Sobre a toxicidade e a comunidade por vir


Como é bem sabido, nos anos 30 do século XX, o pensamento capitalista começou a desenvolver novas possibilidades de resolver as “crises” intrínsecas ao seu sistema. Uma dessas possibilidades foi a neoliberal, hoje dominante, e que se viria a consolidar no Colóquio Walter Lippmann, de Paris, em 1938, organizado por Louis Rougier, colaborador do governo de Vichy. Conhecidos ideólogos desta “solução” (alternativa tanto em relação aos ensaios nazi-fascistas, como às democracias formais típicas do mundo burguês- “Estado social” - , nomeadamente no após-guerra) foram o alemão Rustov, o austríaco Hayek, etc., juntando-se também a todo este “ovo da serpente” a criação em 1947 da “The Mont Pelerin Society”, à qual se ligou, por exemplo, o filósofo Karl Popper. Era todo um programa anti-keynesiano, anti-soviético, anti-progressismo terceiro-mundista. Basicamente tratava-se de fazer face, radicalmente, a qualquer veleidade de socialismo (ou seja, de democracia no seu sentido mais amplo). Nesta corrente tornou-se dominante, a partir dos anos 60, a chamada Escola de Chicago, com a figura ”carismática” de Milton Friedman à sua frente. É este programa ideológico que vai sustentar toda a teoria e prática do neoliberalismo, desde Thatcher, Reagan, terceira via do Labour com Blair, etc., num ataque muito violento aos direitos laborais e sindicais, e, por extensão, na erosão da própria classe média, ataque esse consubstanciado ultimamente nas políticas europeias dominadas pela financeirização, e impostas aos países do Sul do continente, como Portugal. Trata-se de uma forma inédita de concentração do capital, em que a “austeridade” e a ideologia culpabilizante da “dívida” são criadas e impostas por entidades superiores aos estados, para, basicamente, extorquir às populações o seu rendimento concentrando os benefícios numa minoria. Aspectos mais moderados deste programa, ou até as suas próprias oscilações (é bem conhecido o carácter adaptativo e dinâmico do capitalismo) não chegam para esconder aos olhos de cada vez maior número de pessoas que o sistema neoliberal não é um sistema “amigo” delas, da sua qualidade de vida; é antes um sistema tóxico, produtor de crises e de catástrofes, as quais são inevitáveis.


Como imaginar uma solução para tão sistémico e globalizado problema? Não existe uma solução: essa inexistência é precisamente uma das suas características: o fechamento do horizonte das alternativas.
Apesar disso, a obscenidade do sistema, corporizada nas “maneiras” de proceder (e temíveis consequências) de muitos líderes, é patente; também existe ainda a possibilidade de pensar, para algumas pessoas que têm tempo para isso. Essas pessoas têm uma responsabilidade acrescida. Perder o medo de pensar serena mas radicalmente para fazer face, e aproveitar brechas, antes de tudo ao nível da consciência alienada dos cidadãos, em que se apoia um sistema totalitário de cariz novo, porque radicalmente doentio e anti-humano, dispondo de sistemas de entretenimento e adormecimento dos afectos colectivos como nunca até aqui se tinha visto, e que nos pode conduzir à catástrofe global. Nunca foi tão importante como hoje pensar, abrir os olhos, fazer ver. Pois a insatisfação de muitos, sem objetivo nem ocupação, leva-os precisamente ao desespero perigosíssimo do despeito, do suicídio, do terrorismo, do radicalismo das ações criminosas, que são hoje uma fonte de inquietação permanente, de mal-estar, desconforto, insegurança, corrupção, suspeita mútua, etc. O neoliberalismo cria a fragmentação dos indivíduos, pois que um dos seus inimigos é a noção de comunidade.O neoliberalismo é a outra face de todos os extremismos, incluindo o terrorismo urbano, que pode explodir em qualquer lado e em qualquer lugar. Ninguém está seguro neste mundo agressivo, extremamente maquínico. Alguns invocam o “humanismo”, ou o regresso a uma política mais distributiva, não vendo que isso é hoje em dia, a prazo, praticamente impossível, que essas visões da realidade foram ultrapassadas pelo pensamento e prática capitalistas globalizadas, que a própria religião não passa de uma organização piedosa, mas que nada pode fazer de estrutural pelas pessoas, a não ser dar-lhes um conforto moral temporário que vai permitindo, nas suas costas, a progressão do cilindro compressor... e assim, perversamente, dizendo coisas importantes, vai em larga medida sendo cúmplice de uma situação opressora e injusta.
Este o imperativo ético do presente. Acordar, fazer o esforço de pensar. Escolher muito bem as fontes de informação e tentar atuar. Não se trata de enfrentar uma realidade global com as mesmas armas que ela tem, e são poderosíssimas, tanto as visíveis como as invisíveis.
Trata-se de criar comunidade. Porque a maior parte das pessoas são generosas quando chamadas pelas circunstâncias que pedem solidariedade. Mas são atitudes pontuais. Em pano de fundo persiste a ideia de “cada um por si”, que tanto leva alguns à glória, muitas vezes súbita e fácil, como a maioria à progressiva deterioração da dignidade humana.
Trata-se de tentar fazer perceber que é preciso uma sociedade não voltada para o lucro, para a posse, para o êxito individuais, mas tudo ao contrário, uma sociedade que se mova pelos valores da cultura, da educação, da partilha, da hospitalidade, da felicidade, do bem-estar, que não passa pela posse de bens, mas pela posse de uma consciência tranquila. Utopia? Sim. Mas uma utopia motivadora de um possível mundo salvador, ou pelo menos menos criminoso, mais saudável, versus uma outra utopia, em que estamos imersos, e nos conduz à desgraça.

voj junho 2017
Dois livros importantes...







MUSEU: UMA NÓTULA
Muito esquematicamente, e para quem nunca se abeirou destas questões:
Museu pré-moderno - basicamente constituído pela coleção, obtida de forma aleatória, em que o que une os objetos uns aos outros é a personalidade, o gosto, as obsessões do colecionador. Elemento de prestígio e gosto pessoal, o museu é um repositório de curiosidades sobrepostas, de raridades surpreendentes, de provas de viagem e de conhecimentos exóticos ou esotéricos, de objetos estranhos ou raros da “natureza” ou da “cultura”, convivendo lado a lado. As peças podem estar identificadas pela sua origem, região, eventualmente data de obtenção, mas a sua disposição espacial não obedece senão a critérios qualitativos, subjetivos. É a sobreposição. Estes gabinetes de coisas raras e “maravilhosas” nobilitam quem os possui e pode mostrar aos seus convidados: o museu foi sempre (e ainda hoje é) um elemento de prestígio, ligado à canonização de objetos, frequentemente associada a um culto, a um fetichismo: poder ver de perto o diferente, mesmo que através de um vidro, ou mesmo poder tocar-lhe sensualmente, ter esse privilégio da manipulação, etc. Mas nesta fase o museu está muito ligado à experiência de uma pessoa e de uma elite, que se distingue pelo seu gosto pelas antiguidades, raridades, ou coisas exóticas e estranhas: trata-se de um processo de nobilitação pela posse do acessório.
Museu moderno – o museu moderno obedece a critérios totalmente diferentes, à racionalização pública e universal, tanto do espaço como do tempo. As coisas depostas e expostas são para usufruto potencialmente de todos, ordenadas segundo taxonomias, cronologias, toda uma grelha que instaura um discurso universal de organização, de ordem estável. A coleção serve agora a identidade: de um país, de uma região, de uma atividade, etc. – serve para fixar essa ideia de conjunto e de essência. Mostrar, através de objetos, um poder que já não é o das curiosidades reunidas, mas o do domínio racional e imperial do mundo. O museu é um dispositivo de poder político. Ele fecha, canoniza, guarda e cuida do raro, do valioso, mas para o expor aos olhos do público maravilhado, dos cidadãos que ali reconhecem qualquer coisa de seu (ou do outro), ou seja, a confirmação de uma ordem, de uma estabilidade, de um progresso da história humana, assente num determinado território. Tudo devidamente etiquetado, contextualizado, hierarquizado segundo princípios racionais. O museu é, como a cidade com as suas lojas e montras espetaculares, um dispositivo de exibição, de encenação, ligado ao culto moderno da “Cultura” como elemento nobilitador e elevador social, da viagem, do domínio colonial, etc. Neste tipo de museu é fundamental a coleção permanente, que conta uma história, tem uma narrativa organizada que conforta, informa, e reforça o sentimento de pertença a uma comunidade.
Museu pós-moderno – este museu desconstrói o anterior: a sua racionalidade é de novo a sobreposição, mas a sobreposição do contingente, do fluido. O valor é agora o que circula, a pós-modernidade detesta o fixo, o permanente, tal como o capital: parado, não rende. É preciso substituir o programa identitário, permanente, por projetos que se sucedem, o modelo pela série. O museu pode manter uma coleção permanente de referência, que eventualmente o tornou conhecido como lugar de culto, mas não é tanto dessa aura e dessa contemplação silenciosa que multidões do turismo de massas vão à procura. A excitação substituiu o saber. O que importa é o novo (como nas televisões o “direto”...) a excitação juvenil do surpreendente. E vai-se de sensação em sensação, porque é o divertimento, e não a contemplação, que verdadeiramente interessam à sociedade hedonista. O museu torna-se lugar de eventos, de permanentes reformulações, de identidades compósitas e fluidas, como as dos próprios indivíduos pós-modernos, capturados pelo consumo e pela ideia de escolha individual (a partir de um número calculado de combinatórias elementares, é claro). Cultura é tudo, e por isso há museus de tudo, mesmo do imaterial: o que importa é o espaço em si, destacado do mundo exterior, mas na realidade sendo, como sempre, o seu reverso. O que se vai ver não são só as peças, as instalações, mas também os outros que estão lá para ver, para circular. A figura do curador de exposição substitui, no seu protagonismo, o do antigo diretor ou do seu staff. Eles existem, mas cada exposição é por assim dizer uma obra de arte, e é ela que atrai público, e portanto rende financeiramente em termos de bilheteira. O museu é uma máquina de fazer dinheiro. Lugar de eventos, preenche o seu vácuo através desta movimentação e mobilização constante dos indivíduos.
voj julho 2017, loures

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Nótula a propósito de um colóquio sobre Agamben



De uma forma muito simples e rápida, parece-me que aquilo que há de importante na pesquisa filosófica de Giorgio Agamben é ter compreendido que as estruturas de pensamento ocidentais - a nossa ideologia, se quisermos, que naturalizando o que nasceu em certos momentos da história, o tornou inquestionável e impede a verdadeira emancipação do ser humano - tem raízes muito antigas, na teologia alto-medieval, e mesmo mais antigas, é claro, falando "grego" e "latim". Para tentar desenvencilhar o nó que nos atrofia ou condiciona, se é que isso é possível (fácil não é, decerto) é necessário ir a essas estruturas antigas, procurar a sua genealogia, tentar ver quando se dão inflexões fundamentais que vêm a ter mais tarde carácter de "doxa", de inquestionável.
Por exemplo, por que diabo é que, no seu percurso, e ao longo da série "Homo Sacer", haveria Agamben de se ter interessado pelas ordens monásticas e suas regras e formas de vida, e em particular pela dos franciscanos?
Atenção lourenses que trabalhais no convento arrábido de Loures, hoje Museu Municipal, isto pode ter interesse...
perceber melhor o que está em filigrana subjacente à ordem franciscana, ao seu despojamento, ao seu misticismo até (há quem o compare ao misticismo sufi, mas aí não sou competente para falar).
Trata-se de uma tendência geral das ordens monásticas, que começa nos séculos IV e V da nossa era, e que é sintoma de "(...) uma transformação que investe tanto o direito como a política e implica uma reformulação radical da própria conceptualidade que até então articulava a relação entre a ação humana e a norma, a "vida" e a "regra", sem a qual a racionalidade política e ético-jurídica da modernidade não seria pensável." (Agamben, "De la Très Haute Pauvreté. Règles et formes de vie", Paris, É. Payot & Rivages, 2011, p.13).
Sem poder desenvolver aqui mais, torna-se evidente a razão de ser deste estudo do autor na série Homo Sacer se pensarmos como este "apoderamento" da vida e dos corpos pela ordem, pela lei, pelo controlo, em suma, o biopoder moderno (o seu reverso "cúmplice" está nas obras de Sade, em que toda a máquina orgástica é estritamente regulamentada) e cada vez mais refinado, tem aqui uma raiz muito antiga.
Ao mesmo tempo, é claro, sabemos como as comunidades franciscanas foram muito diversificadas e como o assunto é complexo, mas essa procura de espiritualidade, de comunhão directa com o Criador através das suas criaturas (natureza), interpondo entre o crente e o Criador o mínimo de objectos espúrios (o que estaria no oposto da actual sociedade de consumo), e portanto procurando a pobreza mais absoluta, de certo modo era susceptível de incomodar a Cúria romana, que sempre se caracterizou pelo luxo. Mas é tema complexo, eu sei.
O que me perturba, às vezes, é as pessoas pensarem por compartimentos estanques. Abordam os conventos franciscanos - Arrábida, de novo Loures, e tantos, tantos outros - nos seus detalhes construtivos, na sua história descritiva, até nos seus aspectos estéticos, etc., mas não vão ao essencial, que se encontra em estudos como estes de Agamben e, em última análise, apontam para discussões teológicas que são a forma como a filosofia "funcionou" antes de se laicizar. Sem esse background a história - uma disciplina tipicamente cristã, aliás, desde sempre até hoje, como Agamben lembra - torna-se uma súmula de detalhes mais ou menos anódinos ou especulativos, sem qualquer interesse intelectual.
Só mais uma coisa. No sábado discutiu-se muito por que é que a obra de Agamben não apontava soluções políticas práticas para a actuação da esquerda, área a que indubitavelmente pertence. Talvez que o que ele procure seja algo de mais revolucionário do que "soluções práticas", que têm sempre, ou quase sempre, redundado na instauração de novas "doxas", autoritárias ou não. Talvez ele tenha desde há muito percebido que o mundo não muda porque as pessoas não questionam radicalmente a ideologia que tem raízes antiquíssimas e que estrutura até, de forma trágica, os modos de rebelião e as formas supostas de emancipação que o pensamento - se não estiver atento a uma "arqueologia" ou "genealogia" das formas de vida e dos modos de a regular - enforma.
O mundo não muda radicalmente, é óbvio, porque a maior parte das pessoas não querem. E não querem, ou não podem, pensar o seu não querer.

VOJ

domingo, 4 de janeiro de 2015

Breve relatório de atividades realizadas em 2014

Vítor Oliveira Jorge
Breve relatório de atividades realizadas em 2014

Janeiro
29 – Reunião no Teatro Nacional D. Maria II, com o seu Presidente do Conselho de Administração, Prof. Carlos Vargas, e com a Prof.ª Fernanda Rollo, da FCSH da UNL  para programar ciclo de 4 conferências em torno do tema do tempo, da história, do património, “Águas passadas, movem moinhos?”, a realizar por mim em colaboração com o teatro.
Fevereiro
17 – Reunião em Lisboa com os colegas José Caselas e António Caselas (do Centro de Filosofia da FLUL) (Gonçalo Velho, do IPT, não pôde estar presente) para preparar o Colóquio Zizek, “Viver Perigosamente”, a realizar na FLUL. Os quatro integramos a comissão organizadora.
Março
20 – Reunião em Loures com a Dra. Conceição Macieira, da Câmara Municipal, para programar ciclo de debates em torno do tema do tempo, intitulado “Tempos de Crepúsculo – Quando a Coruja de Minerva Finalmente Levanta Voo”, a realizar no Museu Municipal da Quinta do Conventinho, Loutres.
21 – Dia Mundial da Poesia – Escola Profissional do Freixo, em Marco de Canaveses, para falar sobre arqueologia e poesia, a convite da direção da mesma instituição.
29 – Reunião em Coimbra do Centro de Estudos em Arqueologia, Arte e Ciências do Património (CEAACP). Propus a realização, através do Centro, de uma série de debates sobre a questão do tempo, que foi bem acolhida na reunião, mas não teve sequência posterior, por aparentemente ter deixado de interessar.
ABRIL
10 e 11 -  Colóquio internacional e interdisciplinar “Viver Perigosamente”, sobre a filosofia de Slavoj Zizek, organizado em colaboração com o Centro de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, por mim, António Caselas, José Caselas e Gonçalo Velho. Colaboração de numerosos investigadores e presença de vasto público; e registo vídeo da totalidade do Colóquio. As principais intervenções estão publicadas em linha.
12 e 13 – Visita ao complexo monumental de Elvas, Património da Humanidade. Visita ao Centro Histórico de Extremoz, Alentejo.
24 – Reunião com o Vice-Reitor da Universidade do Porto Prof. António Cardoso sobre as instalações da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (SPAE), e participação, com comunicação, no Colóquio do DCTP da FLUP comemorativo dos 40 anos do 25 de Abril (posteriormente, comunicação enviada para publicação), intitulado “40 Anos Depois de Abril: Património e Ciência no Norte de Portugal”.
MAIO
16 – arguente, integrado no júri, das provas de doutoramento em Escultura (Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa) de Sara Navarro, na Reitoria da Universidade de Lisboa.
28 – participação, na Seção de arqueologia da Sociedade de Geografia de Lisboa, na sessão sobre Arqueologia e Antropologia.
31 – participação, com a comunicação “De que precisa um lugar para se tornar evento?” no Colóquio  sobre “Genius Locii” organizado por Maria Ramalho em Montemor-o-Novo. Visita ao património desta vila e a várias atividades culturais ali em curso.
JUNHO
26 – Conferência na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, a convite do Presidente do Departamento de Física, Prof. Orfeu Bertolami, sobre a atualidade da antropologia no mundo contemporâneo (título: “Antropologia: Ainda é Precisa?”). Reunião com os Profs. José Paiva e Catarina Martins, da FBAUP, para preparação do ciclo de debates “O Tempo e os seus Modos”, a realizar na FPCEUP, de colaboração entre a SPAE e o Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (FBAUP).
29 e 30  - visita às localidades espanholas de Zafra e Badajoz.
JULHO
5 – reunião de direção, no Porto, da SPAE, e Assembleias Gerais, uma ordinária, outra para eleição dos corpos sociais para o triénio 2014-2016. Ambas as reuniões decorreram com êxito.
19 – Visita à região do Bombarral (Gruta Nova da Columbeira, etc.), Óbidos, Peniche, Paimogo, Cabo Carvoeiro.
25 – Visita a Sintra.

AGOSTO
3 e 4 – Visita à localidade espanhola de Guadalupe e seus monumentos e museus.
7 – Reunião no Porto, a pedido da nova Vice-Reitora da Universidade do Porto, Professora Fátima Marinho, sobre as instalações da SPAE.
11-15 – Visita a Paris, seus museus, monumentos e centros culturais. Visita aos palácios de Vaux-le-Vicomte e Fontainebleau, este último particularmente ligado à figura de Napoleão Bonaparte.
30 – Visita à localidade palafítica de Carrasqueira (Comporta) e a Alcácer do Sal.
SETEMBRO
18 e 19 – participação, como moderador de sessão, no 1º Encontro sobre Arqueologia e Museologia das Guerras Peninsulares, organizado em Loures pela respectiva Câmara Municipal, a cargo de Florbela Estêvão (área de Cultura). Auditório do Palácio dos Marqueses da Praia e Monforte.
26 – reunião da nova direção da SPAE, no Porto.
27 – 1º debate – sobre História – na FPCEUP, adentro do ciclo O TEMPO E OS SEUS MODOS, organizado pela SPAE e pelo Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (FBAUP). Coordenação de V. O. Jorge e Catarina Martins. Todos estes debates foram gravados em vídeo.
OUTUBRO
4 – Porto – 2º debate – sobre MEMÓRIA - – na FPCEUP, adentro do ciclo O TEMPO E OS SEUS MODOS, organizado pela SPAE e pelo Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (FBAUP). Coordenação de V. O. Jorge e Catarina Martins.
5 – Visita às exposições do Museu de Serralves, Porto.
7 – 1ª conferência, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, sobre História (c. de 100 pessoas inscritas). Todas estas conferências foram registadas em vídeo pelo Teatro.
11 – Porto- 3º debate – sobre ARQUIVO - na FPCEUP, adentro do ciclo O TEMPO E OS SEUS MODOS, organizado pela SPAE e pelo Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (FBAUP). Coordenação de V. O. Jorge e Catarina Martins.
14 - 2ª conferência, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, sobre Memória.
15-16-17-18-19 – Participação, como auditor, no Congresso Internacional sobre Fortificações Militares (International Conference on Fortified Heritage: Management and Sustainable Development), realizado em Pamplona, Espanha sob a égide do programa Fortius. Visita ao complexo monumental de Pamplona, e aos seus museus. Aquisição de bibliografia.
21 - 3ª conferência, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, sobre Arquivo.
25 – Porto- 4º debate – sobre MUSEU - na FPCEUP, adentro do ciclo O TEMPO E OS SEUS MODOS, organizado pela SPAE e pelo Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (FBAUP). Coordenação de V. O. Jorge e Catarina Martins.
28 - 4ª conferência, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, sobre Museu.
29 – Visita ao Forte do Mosqueiro (Linhas de Torres), em Montachique.
31 – Participação, como auditor, no III Encontro Nacional de Centros de Documentação de Museus, Sacavém, Museu de Cerâmica (organização da Câmara Municipal de Loures).
NOVEMBRO
1 – 1º debate no Museu Municipal da Quinta do Conventinho, em Loures, adentro do ciclo TEMPOS DE CREPÚSCULO, sobre História.
4 – visita ao centro histórico da Azeitão e ao Museu Sebastião da Gama.
8 - 2º debate no Museu Municipal da Quinta do Conventinho, em Loures, adentro do ciclo TEMPOS DE CREPÚSCULO, sobre Memória.
15 - Porto- 5º debate – sobre PATRIMÓNIO - na FPCEUP, adentro do ciclo O TEMPO E OS SEUS MODOS, organizado pela SPAE e pelo Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (FBAUP). Coordenação de V. O. Jorge e Catarina Martins.
22 - Porto- 6º debate – sobre IDENTIDADE - na FBAUP, adentro do ciclo O TEMPO E OS SEUS MODOS, organizado pela SPAE e pelo Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (FBAUP). Coordenação de V. O. Jorge e Catarina Martins.
Participação na conferência de Slavoj Zizek, realizada naquela Faculdade, a convite do projecto “Technical Unconscious”, liderado por Gonçalo Velho e Inês Moreira.
28 – Conferência, realizada a pedido da organização Doutora Grala Filipe e Profa. Fernanda Rollo), no Encontro da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa intitulado “Patrimonialização e Sustentabilidade do Património: Reflexão e Prospectiva”. Tema da palestra (texto entregue antecipadamente para publicação): “Sustentabilidade da Ideia de Património numa Sociedade em Transformação Acelerada de Paradigma Geral”.
29 - 3º debate no Museu Municipal da Quinta do Conventinho, em Loures, adentro do ciclo TEMPOS DE CREPÚSCULO, sobre Arquivo.
30 – Visita ao conjunto monumental de Pirescouxe, Loures e a outros aspectos patrimoniais  do concelho, guiado por Florbela Estêvão.
DEZEMBRO
5 – Visita ao Forte do Alqueidão (Linhas de Torres), acompanhando um grupo de estudantes da Faculdade de Letras do Porto, sob a orientação de Florbela Estêvão e de Isabel Santos.
6 - 4º debate no Museu Municipal da Quinta do Conventinho, em Loures, adentro do ciclo TEMPOS DE CREPÚSCULO, sobre Museu.
9-10-11-12 – Participação, a convite da organização (Embaixada do Kazaquistão), e com comunicação, na International Conference on “Great Migrations: Settlements of Europe”, Universidade de Granada, Espanha. Visita a vários monumentos de Granada.
13 - Porto- 7º debate – sobre VIAGEM - na FBAUP, adentro do ciclo O TEMPO E OS SEUS MODOS, organizado pela SPAE e pelo Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (FBAUP). Coordenação de V. O. Jorge e Catarina Martins.
14 – visita ao Centro Histórico do Porto.
20 –21 -22- Visita a Carmona e Arcos de la Frontera (Espanha) e seus monumentos.
27-28- Visita a Elvas e a Badajoz (nomeadamente ao Museu de Arte Contemporânea desta cidade).
31 – Visita a Vila do Bispo e à Fortaleza de Sagres (Algarve).

Para além destas atividades, o ano de 2014 caracterizou-se:
-       por uma intensificação de leituras;
-       pela re-arrumação da parte da minha biblioteca que conservo (outros lotes foram doados a instituições);
-       pela conjugação da continuação dos estudos na área da arqueologia em que sempre trabalhei com a leitura de obras sobre a contemporaneidade, incluindo história contemporânea e filosofia (pensamento crítico).
Ainda:
-       continuei a alimentar o blogue trans-ferir;
-       Publiquei diversos textos, reflexões e poemas no facebook, e criei várias páginas relacionadas com acontecimentos que promovi. Alguns daqueles textos estão disponíveis na minha página de Academia.edu:
-       Colaborei na antologia poética Clepsydra, coordenada por Gisela Ramos Rosa e publicada pela editora Coisas de Ler.
-       Mantive-me, até ao fim do ano, como membro do CEAACP, considerando as realizações que efetuei integráveis no Centro como contributo pessoal para as atividades do mesmo.
Loures, 2 de janeiro de 2014
Vítor Manuel de Oliveira Jorge











quinta-feira, 27 de novembro de 2014

tragédia do "homem comum"

O princípio democrático de que todos os cidadãos são iguais perante a lei é equivalente a outros como por exemplo o de que todos os cidadãos têm igual direito à saúde, à educação, ao respeito pela sua dignidade e liberdade, etc., etc. Obviamente, e infelizmente, a realidade vivida está bem longe desses princípios, que exprimem mais desejos, ou metas, a atingir (quando? como? onde?) do que realidades, como qualquer pessoa sabe. Por mim, não tenho confiança cega em nenhum sistema, seja ele natural ou humano, ou seja, a própria realidade é, julgo, intrinsecamente incompleta, imperfeita, furta-se sempre ao nosso desejo de harmonia, completude, plenitude, chame-se o que se quiser. Há uma subjectividade e contingencialidade em tudo o que é humano, e obviamente a ideia da separação absoluta de poderes (à política o que é da política, à justiça o que é da justiça, etc.) na prática é impossível. Tanto mais que existem pelo meio precisamente os media, que são usados e instrumentalizados de maneira mais ou menos evidente pelos diversos poderes que disputam pela hegemonia, ou preponderância, do espaço público, que é hoje em dia um espaço construído pelos media.Mas a nossa incompletude de juízo não está fora da realidade; ela é parte da realidade; ou seja, esta não é uma questão epistemológica (existe uma verdade, nós é que não conseguimos alcança-la) mas ontológica (a própria realidade de que fazemos parte é imperfeita, não-Toda). Assim, todos os mais belos princípios, igualdade, liberdade, fraternidade, etc., exprimem desejos, estabelecem alvos a atingir, se formos optimistas, num futuro mais ou menos longínquo. É uma ideia herdada da tradição religiosa, a de uma regeneração final em que tudo finalmente se harmonizará e até os erros, crimes e horrores do passado serão redimidos. É uma ideia interessante para nos animar na acção política, a de uma ética de responsabilidade não só em relação ao futuro, mas também ao passado, porque ambos estão sempre em construção e reconstrução. Quando os media trazem para o espaço público factos realmente chocantes, inesperados, surpreendentes, que estão intimamente articulados com jogos de poder, e quando esses factos se sucedem numa espécie de orgia, de vertigem louca, o cidadão aparvalhado pergunta-se - se acreditar nesses media, e como é difícil não se deixar levar na onda, ter o tal recuo crítico que seria necessário a todos, idealmente - em que mundo vive, se estará num filme de suspense, de terror, ou se ainda conseguirá encontrar um pequeno espaço para ir vivendo de forma mais ou menos feliz, isto é, sentindo-se numa comunidade onde pode CONFIAR minimamente nos vários poderes em disputa, onde pode de facto (sobre)viver com um mínimo de dignidade, sem vergonha de pertencer, ou de se sentir pertencer a uma nebulosa estranha que é um filme de polícias e ladrões onde ele, homem comum, não quereria entrar no ecrã, mas estar apenas a ver um pouco para depois sair da sala e pensar: era apenas um filme, como quando se tem um pesadelo e se acorda aliviado, sentindo: uf, era apenas um pesadelo. Porém, não será esse homem comum, eticamente puro, mais uma absoluta construção inocente e utópica? Claro que sim. A telenovela louca que constitui o nosso quotidiano vai continuar pela noite, mesmo que a não observemos, e aí estará pela manhã, 24 em 24 horas, numa espiral imparável. E cada um vai carregar no botão para ouvir, ou ver e ouvir, as "últimas notícias". Se uma pessoa não consegue abstrair-se disto, e da imensa cacofonia que em torno disto se gera, realmente enlouquece, não tem fuga possível. É tremendo, meus amigos.



voj

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

ZIZEK NO PORTO EM BREVE



ZIZEK NO PORTO EM BREVE !!!!!!!!!!!!!!!!!!


SEGUNDO GONÇALO LEITE VELHO, NO ÍPSILON 
(PÚBLICO) DE 24.10.2014:


"Claro que a apoteose do nosso programa será a vinda, em
 Novembro, do [filósofo] Slavoj Zizek, mas o projecto só fica 
concluído se deixar um rasto mais imanente.”

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-futuro-vese-da-cooperativa-dos-pedreiros-1673589http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-futuro-vese-da-cooperativa-dos-pedreiros-1673589

domingo, 26 de outubro de 2014

já muitas vezes











Já muitas vezes me quiseram matar, e esse jogo insensato continua. Percebe-se que desconhecem a fogueira que arde dentro de mim, vem desde as raízes da terra e se ergue com orgulho desmedido, depois de me queimar todos os órgãos, até às nuvens que se suspendem, brancas e altas: pombas enormes e serenas, que nunca se movem nem se contaminam de fumo negro; são de uma serenidade que insulta os deuses. Os que me quiseram e querem matar, eles e elas, têm uma face visível e outra escondida. E esta última saiu diretamente de um quadro de Bosch: são imagens à beira das quais as palavras mais temíveis se paralisam, impotentes. 
Os que quiseram e querem matar-me usam com frequência o jogo do mais hipócrita silêncio: querem asfixiar-me pela indiferença. Conheço muito bem esses procedimentos, tenho uma parede da minha casa com o seu arquivo: qual naturalista do século dezoito, identifiquei-lhes os géneros e as espécies, as variantes, desenhei-os de frente, de trás, em perfil  e em secção: trato-os como um dedicado entomologista. Estão arquivados para o que der e vier.
Às vezes, pelas tardes, ponho as minhas coisas na pasta e vou encontrar-me com um desses inimigos: têm o aspecto mais variado. Começo por os imobilizar pelo olhar, pelas palavras; e depois disseco-lhes pouco a pouco o discurso, observando a sua estratégia, tentando delimitar a sua face horrível por detrás da atitude amável e benfazeja. Desejariam que morresse, claro, mas muitos não o sabem, e até me tratam como amigo, pelo menos enquanto isso lhes convém. Nunca lhes faço mal, não tenho vocação: apenas, sem o saberem, trago o lado da sua cabeça escondida, guardado em líquido incorrupto, dentro da mala, para ser arquivado em casa.
Ah se tantos deles soubessem como a sua maldade e hipocrisia, mais ou menos consciente, não perturba a pomba branca que pôs o grande ovo dentro do qual vivo, sobre as nuvens suaves. Aqueles e aquelas que me quiseram e me querem matar, silenciar, esquecer, apagar, jazem nas gavetas de vidro para onde posso todos os dias, quando me apetece, dirigir o olhar, vendo as suas línguas esticadas, de fora da boca, espumando do formol que exalam.

Mas, para ser totalmente franco, raramente me lembro desse arquivo, dessa biblioteca, desse museu da maldade. O ódio contamina-se, é doentio. Do que gosto verdadeiramente é de sair para o verde dos campos, saltando, e de encher o peito com a vida que pulula na atmosfera, entre as folhas, os insectos, e os seios túrgidos do meu amor.  E, às vezes, encontro alguns verdadeiros amigos ao rés da relva.


voj outubro 2014
imagem: hieronymus bosch