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sábado, 29 de agosto de 2009

100 anos da chegada de Freud aos E.U.A

Um artigo no New York Times recorda os 100 anos da chegada de Freud aos E.U.A.:
http://www.nytimes.com/2009/08/29/opinion/29hoffman.html?_r=1&partner=rss&emc=rss

Zizek

E um link para um texto do Zizek (via Mariborchan):

Descartes and the Post-Traumatic Subject

Slavoj Žižek

Abstract


If the radical moment of the inauguration of modern philosophy is the rise of the Cartesian cogito, where are we today with regard to cogito? Are we really entering a post-Cartesian era, or is it that only now our unique historical constellation enables us to discern all the consequences of the cogito? The paper deals extensively with these questions on topics introduced by Catherine Malabou's Les nouveaux blessés (The New Wounded). Malabou proposed a critical reformulation of psychoanalysis, her starting point being external shocks, brutal unexpected encounters or intrusions, due their properly traumatic impact on the way they touch a pre-existing traumatic "psychic reality". Malabou's basic reproach to Freud is that, when confronted with such cases, he succumbs to the temptation of meaning: he is not ready to accept the direct destructive efficiency of external shocks – they destroy the psyche of the victim (or, at least, wound it in an unredeemable way) without resonating in any inner traumatic truth. These cases of post-traumatic subjects show that if we take the "stories they are telling itself about itself," the narrative symbolic texture, away, something (or, rather nothing, a form of nothing) remains, which is nothing but the pure subject of the death drive. This is an idea of cogito at its purest, its "degree zero," and this is also the reason why today we so adamantly resist the spectre of cogito.

Badiou - The Uses of the Word Jew

Enquanto o Vitor embarca para a Jordânia fica o link para um texto do Alain Badiou: "The Uses of the Word «Jew»"

http://www.lacan.com/essays/?page_id=276

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Despedida?...

Amigos, vou tentar ir amanhã para a Jordânia.
Um abraço a todos
Vitor

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Porto, o mar e o rio... na tarde de hoje...


















fotos (quase todas tiradas enquanto conduzia... não se consegue estacionar...) voj agosto 2009

After The Requiem - Gavin Bryars - Part I




Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=UOMA96Dztm8

Gavin Bryars 'Farewell to Philosophy' part 1



Gavin Bryars 'Farewell to Philosophy' played by Julian Lloyd Webber and the English Chamber Orchestra conducted by James Judd

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=kFDd0dRRVoE

Agradeço a Sérgio Pereira a revelação deste autor!

Não é para assustar, mas..

Era para responder como comentário mas dada o carácter da coisa, assim fica mais visível para servir de aviso sobre a greve da Groundforce (até porque o comentário já ia longo).
Sobre o post do Vitor sobre a greve. Infelizmente, conte que sim, caso viaje pela TAP ou qualquer outra companhia que tenha o handling pela Groundforce, sendo que no Porto talvez tenha mais sorte do que em Lisboa (que funciona sempre pior). Vou-lhe relatar o que nos aconteceu agora:
Ontem quando estávamos em Gatwick, preparados já para embarcar para o avião, chamaram-nos ao balcão (através daquele sistema de som que têm no balcão de embarque). Dado que estávamos a viajar primeiro com a AirBaltic e depois com a TAP pediram-nos para identificarmos as malas (as quais estavam na manga de embarque, junto ao avião). Nós confirmamos que as malas eram as nossas (não sem termos ficado um pouco surpreendidos com o acontecimento, sendo que a simpática funcionária britânica nos assegurou que não era nada de especial). À chegada a Lisboa eis que uma das malas não aparece. Isto depois de verificarmos que as malas daquele voo estavam a chegar a conta-gotas (um voo que até vinha algo vazio), o que nos fez esperar bastante tempo (houve malas desse voo que inclusivamente chegaram já na altura em que estavam a chegar as do voo seguinte). Bom, diga-se que no autocarro que nos levou do avião para o aeroporto, vimos o espectáculo de malas a cair de uma carrinha, com o funcionário a voltar e a apanhá-las da via, cena essa relatada por outras pessoas na área de chegada da bagagem (que vinham de outro voo) com pormenores de aparentes ziguezagues por parte do condutor. Lá fomos apresentar a reclamação, não deixando de reparar no estranho que era uma das malas ter chegado e outra não, quando as tínhamos visto às duas juntas na partida de Gatwick, ali na manga de embarqque, junto ao avião. O simpático jovem funcionário da Groundforce afirmou-nos que isso era corrente (embora certamente que corrente corrente é capaz de não ser, ou pelo menos não deveria), mas para não nos preocupar-mos porque nos enviavam a mala para casa no dia seguinte, sendo que ela deveria seguir no próximo voo proveniente de Gatwick. Isto foi ontem. Hoje esperamos toda a manhã que nos contactassem, mas nada. Decidimos telefonar para o número que nos deram, que tem um atendimento automático. Eis pois que a mensagem automática nos indica que a mala está retida no aeroporto. Ligamos para um outro número que vinha indicado pela Groundforce. Informam então a Evita (a mala é dela) de que ela terá de se deslocar ao aeroporto para reaver a mala. Ela lá diz que foi informada pela Groundforce de que a mala seria enviada para casa e que inclusive seria contactada com mais informações. Do outro lado da linha informam tacitamente que é essa a informação que têm da Groundforce (de que a mala tem de ser levantada no aeroporto) e que para qualquer reclamação devemos enviar um fax à Groundforce. Sendo que nem toda a gente tem fax e o email é um meio bem mais fácil nestes dias, e dado que vinha inclusive indicado como meio de contacto a par do fax, eis que a Evita enviou um email, logo a seguir ao almoço, reclamando da situação. Até agora não houve resposta.
Como diz a oração: eis pois advogada a nossa esperança... de que a mala possa vir para ao seu destino, sem mais complicações e assegurando a Groundforce o que lhe compete.
Assim que oiça as recomendações que a própria TAP fez pelos meios de comunicação social hoje: leva apenas bagagem de mão e faça o check in online (já sei que é uma semana e..., mas lembre-se que eu nem sou de grandes preparações ou alarmes).
Como sabe sou algo versado na arte de viajar (eu parto no dia seguinte ao seu para Veneza, seguindo para a Croácia). Tendo a tendência para viajar apenas com bagagem de mão (adoro aquele meu saco). Sobretudo por experiências de longas esperas no "belo" aeroporto de Lisboa (que saudades de viajar pelo Porto, desde a simpatia dos funcionários no check in, até à velocidade com que as malas aparecem a seguir ao voo).
Para nós serve de lição: Evita a partir de agora evita a Groundforce (isto quando vínhamos a comentar que até tinha sido um voo tão bom com a TAP, estando até contentes com a companhia, dado que não houve nem aqueles habituais atrasos que se tornaram habituais no passado recente da Portela, o pessoal de bordo tinha sido muito agradável, chegamos antes da hora marcada, numa aterragem muito suave, enfim, demasiada bela logo algum senão).

À última hora, o stress...

... greve da Groundforce nos aeroportos sexta e sábado!
Será que nos vão lixar a viagem?!
Não é possível !!!!!!!!!!!!

Mari Kalkun



Uma das pessoas que se vê no vídeo "TV Cemetary" é a cantora estónia Mari Kalkun. Fica aqui uma música do seu CD "Üü tulök" (tem-me feito companhia últimamente). É a música que precisamente dá nome ao álbum. Vamos ver se um dia ela vem a Portugal...

TV Cemetary

TV CEMETARY from mutopia on Vimeo.



Um vídeo que resulta do workshop Mutopia 3, que aconteceu em Mooste (Estónia) na semana passada.

Interessante a ligação entre este vídeo e a Arqueologia, sobretudo no que se refere à ligação entre o discurso, a "materialidade", e a interpretação (jogo esse que se cruza com a própria possibilidade de interpretação do vídeo).
Estas imagens lembra-me também o recente filme "Examined Life", na parte em que o Zizek aborda a questão do lixo e a sua ligação com o capitalismo (algo que ele desenvolve também no livro "In Defense of Lost Causes"). Há como que uma "sucção", uma estratégia de desaparecimento, do lixo nas sociedades capitalistas. Assim evitamos ver o que sobra da sociedade de consumo, como que evitando a confrontação com este sistema de eterna produção (que nos faria levar à pergunta "produzir para quê?", já que a produção se alimenta a si própria, num circuito que se pretende infinito).
Podemos acrescentar a isto este maravilhoso resíduo temporal a que se chama de "Arqueologia", onde passa a haver uma paixão pelo passado real.
E no meio disto tudo adoro a parte em que o Bruno Humberto (um artista que hoje está radicado em Londres) aparece a dizer: "Soviet" - não fosse isto na Estónia e não fosse o Bruno português. Long live the URSS for without URSS there would be no soviets - or would it?

Há uma maneira calcolítica de conceber certos sítios...



Na foto: à direita, dois grandes "bastiões" monumentais, afrontando o vale e a colina em frente, numa organização do espaço característica (agradeço ao meu colega alentejano o ter-me permitido recolher uma interessante documentação fotográfica, tal como fazemos em Castanheiro do Vento com todos os visitantes).




No passado dia 18 de Agosto, visitámos o sítio calcolítico de altura de S. Pedro, praticamente na vila de Redondo, Alentejo, que o arqueólogo Rui Mataloto tem vindo a estudar.
Torna-se óbvio que a existência de embasamentos pétreos de muretes com "bastiões" (designação puramente formal) constitui um estilo arquitectónico durante o Calcolítico peninsular, que vem (termo meramente descritivo) desde Almeria (Los Millares) até ao interior Sul e Norte de Portugal (Castanheiro do Vento de Horta do Douro, mas, embora menos conservado, Castelo Velho de Freixo de Numão), passando, é claro, pela Estremadura portuguesa. Os arqueólogos, tão prontos a encontrar estilos cerâmicos, e a tirar daí conclusões culturais, talvez devessem olhar mais para este estilo de muito maior escala, que tem a ver com uma concepção espacial e (diríamos hoje) estética, próprias. Não sabemos a extensão deste estilo na Península nem podemos fazer disso uma cultura como há um século atrás. Constatamos apenas um modo repetitivo de conferir monumentalidade, mas não só: cada murete é um limiar. Se ele contém, em cada um dos seus "bastiões" (como os dólmens de corredor de câmaras secundárias de toda a Europa) estruturas ou deposições particulares, isso não é apenas uma opção que hoje designaríamos "estética". Há uma vontade de "carregar simbolicamente" esses limiares, como se vê nas passagens, de que observámos uma muito bem conservada em S. Pedro, ainda com duas lajes fincadas laterais. As "portas" ou passagens foram sempre sítios críticos, ligados à ideia de limiar(diferença entre um interior e um exterior), simbólicos (até nas nossas casas de hoje...).
Pudemos também verificar afinidades construtivas no xisto, como a existência de grandes taludes de pedra monumentais, que a nosso ver e com a devida consideração por outras opiniões não são derrubes (os quais, obviamente, existem em todo o lado); são sim uma forma calcolítica de construir embasamentos monumentais, como se nota no Zambujal e noutros sítios, e em Castelo Velho e Castanheiro do Vento é mais que evidente: salta aos olhos.
Enfim, uma visita muito produtiva, que nos mostra o que há por fazer e por reescavar enquanto é tempo em Portugal neste típico modelo de arquitecturas, que configuram espaços de reunião e de reforço do laço social através do trabalho arquitectónico, por assim dizer. Era essa (a de servirem de símbolos comunitários, desde o início da sua construção) a sua principal "função", para usar uma palavra desadequada.
Naturalmente, nesta apreciação rápida e comparativa há factores de subjectividade, e há que confrontar estas hipóteses com novos trabalhos, muito cautelosos antes de se desmontar seja o que for, ou mesmo em vez de estarmos tão preocupados com as chamadas "fases de ocupação"... sempre o eterno problema do arqueólogo, que temos de repetir cada dia para nós próprios.
É uma pena que um sítio como este seja em parte demolido por uma estrada, desde logo forçando as escavações a decorrer a um ritmo que o arqueólogo não desejaria, compreensivelmente, e por outro fazendo perder à vila de Redondo uma das suas pérolas. Mais tarde, quando já não houver remédio, outros responsáveis por este tipo de obras vão arrepender-se desta e de muitas outras amputações que o nosso património arqueológico sofre dia a dia, na mais total indiferença ou impotência por parte das elites cultas do país.

Curso de Pensamento Crítico Contemporâneo na FLUP - Nova edição em 2010

Este curso de formação contínua
Pensamento Crítico Contemporâneo: alguns representantes
http://sigarra.up.pt/flup/cursos_geral.FormView?P_CUR_SIGLA=FCPCC
Realizar-se-á nas seguintes datas de 2010:
Segundas feiras em horário pós-laboral: das 19,30 às 22,30 h.

19 Abril – Jacques Lacan
26 Abril – Michel Foucault
3 Maio - Jacques Derrida
10 Maio - Judith Butler
17 Maio – Giorgio Agamben
24 Maio- Slavoj Zizek
31 Maio- Jean Baudrillard
7 Junho – Jean-François Lyotard

Formador: VOJ
Contacto: Dra Marta Craveiro
mcraveiro@letras.up.pt


Nota: apesar do programa ser idêntico, nos títulos (autores a abordar), ao de 2009, como é óbvio vai ser totalmente diferente ou então o formador não teria evoluido nada nem aprendido nada com o curso, o que seria desastroso!
Como o curso só se realiza com um mínimo de 12 inscritos, agradeço toda a divulgação que possa ser feita. Creio que a primeira experiência, de 2009, foi para todos os que nela participaram (incluindo eu, é claro) muito positiva. 8 semanas de brain storming!

MUD (the affordable animal) - Mutopia

MUD (the affordable animal) by MOKS

Vídeo do workshop Mutopia.

Extensão



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Agosto, mês da dilatação,
Acabas exangue de cansaço
Preenchido por um arquipélago
De pequenos sentimentos
Que não chegam a unir-se num sono
Longo, repousado, como tu exigirias.

Acabo por partir para longe
Para ver se dentro de um avião
Conseguirei finalmente a paz,
Ou o deserto benigno que te prometera,
Sob palmeiras e frutos sumarentos.

Um sítio onde possa abrir um livro
Cheio de iluminuras, iluminar os Rostos,
Ver-te finalmente unificada, ó liquida
Extensão a cujo lado me quero estender
Esticando os últimos dias de Agosto

Enquanto o mundo corre cheio de suor e óleo
Lá fora, adensando as primeiras nuvens
Do nosso futuro, sussurrando as palavras
Que tanto deslizam pelas areias como pelas ondas
E unem os extremos inverosímeis desta vida

Onde parece que já só ao teu lado,
Numa cama levitando, sob uma superfície
Que ondule, que toque suavemente a pele,
Me poderei ainda, uma vez mais que seja,
Dilatar, realizar Agosto, esta sempre sonhada
Extensão.





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Foto: Pascal Renoux
Site: http://www.pascalrenoux.com/Nudes.html
Texto: voj porto agosto 2009

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Formas de construção da coesão comunitária no III e II milénios a. C. no Alto Douro português





Formas de construção da coesão comunitária no III e II milénios a. C. no Alto Douro português





No Alto Douro português a época que grosso modo se intercala entre o mundo dos caçadores-recolectores (Paleolítico, Neolítico antigo) e o mundo das sociedades mais ou menos fortemente hierarquizadas (Bronze Final, Idade do Ferro), isto é, em geral o que na Europa se designa Neolítico, ou, em termos neo-evolucionistas, processo de neolitização no seu sentido mais amplo, era praticamente desconhecida até inícios dos anos 90. As décadas de 90 do séc. XX e a primeira década do séc. XXI tem vindo a assistir a um incremento das pesquisas, através de prospecções e de inventariação de sítios e outros dados, de escavações de dois locais de altura (Castelo Velho de Freixo de Numão de 1989 a 2003 e Castanheiro do Vento de Horta do Douro a partir de 1998, e agora em curso), e de trabalhos conexos que inclusivamente recuam até ao Neolítico antigo (sítio do Prazo, de Freixo de Numão). Esta actividade tem sido coordenada e participada por elementos da Universidade do Porto e investigadores do CEAUCP (FCT), mas também do IPT de Tomar, e sempre em articulação com a associação ACDR de Freixo de Numão e com a Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa, e almeja uma mais profunda articulação com o PAVC que, na região, é um pólo arqueológico fundamental. O apoio do então IPPAR, agora IGESPAR, nomeadamente de 2001 a 2003, foi decisivo. Os resultados substanciais são conhecidos, para além do número das publicações feitas (a nível local, nacional, ou internacional), das intervenções em reuniões científicas a todos os níveis e escalas, do interesse crescente que vêm suscitando por parte de colegas e Universidades estrangeiras, do funcionamento ali de cursos práticos de campo, onde, desde 1989 até hoje, já participaram muitos milhares de voluntários, e dos trabalhos académicos produzidos, sejam eles relativos a conclusão de licenciatura, de mestrado ou de doutoramento, e mesmo de âmbito pós-doutoral. É indubitável pois que, pelos resultados obtidos (nomeadamente com o sítio de Castelo Velho aberto à visita pública, e com a criação de um núcleo museológico de Pré-história, em curso de desenvolvimento e organização ,integrado no Museu de Freixo de Numão) pelas sinergias criadas, pelas expectativas futuras, e adentro do se convencionou chamar a Pré-história do território português, o núcleo das investigações mencionadas é neste momento um pólo de referência a nível nacional e internacional.
Qual é basicamente a problemática que se tem desenvolvido em torno dessa experiência, e que subjaz nomeadamente aos vários projectos plurianuais aprovados pelo IPA/IGESPAR ? É esse núcleo problemático que justifica a continuação dos trabalhos, que se não reduzem a escavações/prospecções/ investigações de museu (mau grado a sua importância decisiva), mas têm uma problemática subjacente, que, é claro, nem se mantém igual desde 1989, nem tem de ser partilhada de igual modo por todos os investigadores ligados a este pólo de pesquisa. Tem sido procurado sempre um equilíbrio entre a especificidade das questões de cada um e o diálogo necessário (quer dizer, o terreno aceite por todos) para a prossecução coerente das pesquisas.
Não se trata de (apenas) de compreender sítios e territórios de um ponto de vista arqueológico "clássico", e de os integrar em interpretações histórico-culturais (quem - que "culturas" -, quando, como e com que fim "ocupou" - ou "ocuparam" - um determinado espaço do Alto Douro no III e II milénios a. C.) ou processualistas (quais as tendências gerais de "desenvolvimento" de sociedades de bando para sociedades linhageiras ou de chefado", recorrendo-se ou não ao chavão pseudo-marxista de "modos de produção", etc.) .
Trata-se de ir muito mais além do que aplicar "receitas" gerais de pseudo-explicação "historicista" a uma época/zona definidas. Isso seria mais do mesmo, ou seja, estéril. Trata-se de um processo contínuo de desconstrução de conclusões aceites como certas e definitivas, no sentido de Jacques Derrida, que, como se sabe, nem tem nada a ver nem com relativismos nem com a validação de explicações definitivas, mas implica uma concepção do saber em permanente construção. O pensamento da desconstrução é o único pensamento construtivo possível, e portanto aquele que em ultima análise pode ser inovador cientificamente.
Ou seja, trata-se de um saber que contribua para um propósito multidisciplinar, a partir do ponto de vista e da experiência da vulgarmente chamada "arqueologia pré-histórica", ou seja, o de conhecer como se tece, se reforça, ou enfraquece, o cimento social, o laço social, o que leva os seres humanos a serem constituídos e a constituírem comunidades e a permanentemente negociarem modos de equilibrar a agressividade e a generosidade, a troca/intercâmbio e a procurarem permanentemente estádios de equilíbrio entre os pólos opostos do conflito e da paz. O conflito e a paz, a reciprocidade negativa e a reciprocidade generalizada (a hospitalidade, no dizer de Derrida) são os dois pólos extremos permanentes do ethos humano.
Como foram eles "geridos" em sociedades, ou em modos de sociabilidade (para se ser mais preciso) que existiram durante o III e o II milénios a. C. (particularmente, neste último milénio, durante os seus três primeiros quartéis)? Como interagiram comunidades e meios ambientes, construindo-se mutuamente, numa tal "fase" ? Que especificidades locais assumiram e qual o significado dessas especificidades de cada contexto quando comparado a diferentes escalas (sítio, paisagem envolvente, território, Península Ibérica, Ocidente mediterrânico, etc.)?
Concentramo-nos em particular na questão da acção "construtora", "arquitectónica" (assumindo a convencionalidade óbvia do conceito) das comunidades, em sítios de concentração de actividade, quer dizer, em espaços definidos onde, durante centenas de anos, continuada ou descontinuadamente, se operaram acções que envolviam necessariamente a mobilização de muitas pessoas e de muitos materiais, locais e alógenos. Chamamos-lhes, também convencionadamente, colinas monumentalizadas,
Tal como aparecem ao olhar do arqueólogo de hoje, essas "colinas", apesar de muito alteradas pelas destruições históricas, principalmente recentes (florestações, uso agrícola) "contêm" um conjunto de características que, sendo locais e mesmo micro-contextuais (e produto de uma determinada técnica de abordagem por nós, é claro) permitem por essa mesma razão (a da análise fina, detalhada, descritiva, mas sempre no sentido de uma leitura necessariamente interpretativa e portanto provisória) colocar um conjunto de questões que julgamos pertinentes.
Este ponto é decisivo: encontrar (e reformular constantemente) as questões pertinentes é a principal tarefa do investigador (desconstruir para poder construir), porque colocar uma questão é estabelecer desde logo a moldura da(s) resposta(s) possível(eis). Isso implica um esforço de distanciação em relação às molduras correntes que enformam o trabalho arqueológico, tornadas paradigma dominante, e portanto não auto-reflexivo ao nível conceptual , quer dizer, destinado a ser mais do mesmo, destinado ao fracasso. Em background está pois uma preocupação que se articula com o pensamento crítico contemporâneo, que a nosso ver tem de ser necessariamente desconstrutivo no sentido derridaniano, para ser verdadeiramente produtivo e científico.
Que há de comum entre nós e os homens e mulheres (as comunidades do III e II milénos a. C.) que supomos, usando o senso comum, terem construído sítios que hoje designamos convencionalmente monumentais, carreando para eles o que parece ter sido uma parte muito importante da sua energia individual e colectiva? Como se agenciavam, nesse contexto, sentidos que na sua maior parte não seriam expressos (é essa a noção de senso comum, ainda hoje), mas estariam permanentemente a construir-se (e a desconstruir-se, claro) através do diálogo e do confronto, a nível comunitário e individual? Que aportação específica pode o arqueólogo, através dos contextos concretos que estuda, dar ao entendimento de como se estabelece o consenso e o dissenso, de como se reforça ou destrói o laço social, de como se conseguem planaltos de estabilidade e se produzem fracturas, eventos, que provocam inovação? Esse é o pano de fundo da nossa problemática.
Queremos imaginar (propor interpretações plausíveis) através da experiência de arqueólogos, em que medida certos tipos de técnicas e de materiais, o estilo dos objectos (às mais diferentes escalas) uniu ou desuniu, pode ter contribuído para o fazer e o desfazer de alianças, de redes de intercâmbio, de identidades territoriais, de estatutos diferenciais, de modos de polarizar acções colectivas em torno de certos princípios/pessoas, como é que pela fabricação de paisagens sempre novas com pontos de referência "construídos" as comunidades se articularam ou desarticularam, estabelecendo redes de trajectos e portanto centros e periferias, corredores e fronteiras, um espaço habitado.
Se o conseguirmos, conseguiremos perceber melhor como nós próprios actuamos, aqui e agora. Mais, muito mais do que contar a história, do que narrar o passado (necessidade ontológica indesmentível, a da constituição da memória, mas processo sempre em fabrico, porque do domínio do desejo, e portanto nunca totalmente satisfatório) o que queremos é, obviamente no presente que é tudo o que temos em cada momento (e portanto o próprio presente está em perda por definição, pois se define pelo que já não é, e pelo que ainda está para ser) ver mais claro qual é a nossa condição, seres que habitamos num espaço arqueológico, isto é, numa paisagem de traços, de heranças, de vestígios, mas onde constantemente se mobilizam forças para uma política do seu entendimento e, portanto, da sua reorientação.


Vítor Oliveira Jorge
Janeiro de 2009
Foto acima: Castanheiro do Vento Julho 2009 - uma imagem da equipa de escavações

Eis um blogue com interesse...

... de onde tirei algumas dicas...




http://todososassuntosdomundo.blogspot.com/

Traduzir-se



poema de Ferreira Gullar, musicado por Fagner e cantado por Adriana Calcanhoto



Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=G7HLmz4NvhM&eurl=http%3A%2F%2Ftodososassuntosdomundo%2Eblogspot%2Ecom%2F&feature=player_embedded#t=214

Sylvia Plath Reads 'Daddy'




Source: http://www.youtube.com/watch?v=6hHjctqSBwM

Tribute a Bette Davis Eyes - Kim Carnes



Her hair is Harlow gold,
Her lips sweet surprise
Her hands are never cold
She's got Bette Davis eyes
She'll turn her music on
You won't have to think twice
She's pure as New York snow
She got Bette Davis eyes

And she'll tease you
She'll unease you
All the better just to please you
She's precocious
And she knows just what it
Takes to make a pro blush
She got Greta Garbo Stand off sighs,
she's got Bette Davis eyes

She'll let you take her home
It whets her appetite
She'll lay you on her throne
She got Bette Davis eyes
She'll take a tumble on you
Roll you like you were dice
Until you come out blue
She's got Bette Davis eyes

She'll expose you
When she snows you
Off your feet with the crumbs she throws you
She's ferocious
And she knows just what it
Takes to make a pro blush
All the boys Think she's a spy,
she's got Bette Davis eyes

And she'll tease you
She'll unease you
All the better just to please you
She's precocious
And she knows just what it
Takes to make a pro blush
All the boys Think she's a spy,
she's got Bette Davis eyes.




Source: http://www.youtube.com/watch?v=HSRFS0NdoKI&feature=player_embedded

Os Acrobatas - Camila Morgado



Trecho retirado do documentário Vinícius de Moraes, onde Camila exerce uma interpretação fabulosa.


Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=KkVu6LTEybA&eurl=http%3A%2F%2Ftodososassuntosdomundo%2Eblogspot%2Ecom%2F&feature=player_embedded#t=113

Porto litoral















fotos voj agosto 2008
um dia que acaba...mais um agosto que acaba...um pouco de nós que fica nos lugares para ser batido pelas ondas e se desfazer no ar.. e o tempo a correr, inexorável... mesmo e sobretudo quando parece reter-se numa foto.
Uma foto, como diz Barthes e Stiegler no-lo lembra, fala sempre do que já foi... e que estranhamente nos é apresentado no presente... então a foto é o lugar mesmo da nostalgia... tal como o sítio arqueológico. Uma foto é sempre arqueologia.

Cosmopolitan Archaeologies

Cosmopolitan Archaeologies

Edited by Lynn Meskell, Stanford University

“Cosmopolitan Archaeologies challenges cherished assumptions about the practice of archaeology and the shaping and implications of interpretation. Drawing on recent work in the Americas, Australia, Africa, Asia, and the Middle East, the authors show how the past is understood in the present and how dispensations of power generate ethics of practice. Through closely argued exemplars, they show how broad interpretations are shaped in the cauldron of the local, and how the global must be understood from within the framework of diverse communities. The result is a book that serves as a signpost for the front line of archaeological interpretation for the coming decade.”—Martin Hall, University of Salford

“Approaches to the ownership of archaeological remains range from smug neocolonial assertions of entitlement to bitter recriminations against even well-intentioned scholars for their alleged (and often real) elision of contemporary local societies. In this unedifying rogues’ gallery, a small but growing group of thoughtful exceptions stands out. Actively representative of the new and critically important trend, the authors of this highly original collection deploy a nuanced understanding of cosmopolitanism to challenge the old, easy assumptions and to suggest alternative, politically sensitized, and morally generous understandings. Theirs is an urgent call to accept the challenge of complexity, especially where cultural ethics are concerned. It is also a deeply serious call to rethink the place, indeed the value, of archaeology in a world where bigotry and violence still threaten the very future of humankind.”—Michael Herzfeld, author of Evicted from Eternity: The Restructuring of Modern Rome

An important collection, Cosmopolitan Archaeologies delves into the politics of contemporary archaeology in an increasingly complex international environment. The contributors explore the implications of applying the cosmopolitan ideals of obligations to others and respect for cultural difference to archaeological practice, showing that those ethics increasingly demand the rethinking of research agendas. While cosmopolitan archaeologies must be practiced in contextually specific ways, what unites and defines them is archaeologists’ acceptance of responsibility for the repercussions of their projects, and their undertaking of heritage practices attentive to the concerns of the living communities with whom they work. These concerns may require archaeologists to address the impact of war, the political and economic depredations of past regimes, the livelihoods of those living near archaeological sites, or the incursions of transnational companies and institutions. The contributors provide nuanced assessments of the ethical implications of the discursive production, consumption, and governing of other people’s pasts.

DUKE UNIVERSITY PRESS
Jun 2009 304pp


To order a copy please contact Marston on 44(0)1235 465500 or email direct.orders@marston.co.uk
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Revista de poesia "Saudade", de Amarante - vol. 11, de 2009, já saíu

reflexão retrospectiva

Apesar de ter lido e de continuar a ler muito "literatura" (sobretudo poesia), e de ter escrito uns milhares de textos alguns dos quais se poderão chamar "poemas", nunca me senti um "literato" ou mesmo "escritor"... era como se me parecesse ser ridículo andar uma vida inteira a contar histórias ou a inventar ficções e profecias...
Gostando muito de filosofia (digamos que quando fui para o 6º ano tinha mesmo um desejo ardente de filosofia, para colmatar a descrença nas infantilidades religiosas em que me tinham tentado educar, mas apanhei logo com a lógica dada por forma a que não se percebia para que aquilo servia, quando secretamente eu queria era encontrar um caminho independente para a minha vida) nunca me vi a inventar sistemas conceptuais que corriam o risco de serem perfeitos e perfeitamente desfasados da experiência...
Gostando muito de ciências naturais, sobretudo do "mundo vivo", nunca me vi muito a recolher animaizinhos ou plantas, ou a trabalhar com microscópios em laboratórios, essas coisas assim... vem-me um cheiro a formol e a batas brancas acabadas de lavar que me lembra algo de esterilizado... esse cheiro também repelente e atraente ao mesmo tempo dos museus muito antigos parados no tempo, com as espécies empalhadas a olhar para nós...
Gostando muito da "aventura humana" e de saber por que raio haveriamos de ter tido a "sorte" ou "azar" de estar aqui, a tentar dar sentido ao que parece não o ter (ou não ter alcançável por nós) meti-me em história (não havia antropologia digna desse nome) mas porque me interessava a arqueologia pré-histórica, como se convencionou chamar. Intui que aí se cruzavam vários desses meus interesses, com a vantagem (mítica, é claro) de estar "agarrado à terra", de viajar, de ter experiências e de trabalhar em grupo, porque uma pessoa não se faz isolada... e foi para aí que acabei por ir, mas nunca fui o arqueólogo típico, à cata de descobertas e de peças fantásticas: sempre escolhi temas áridos e onde essas coisas tipo "Discovery Channel" não apareciam. Não digo que me estive sempre marimbando para as "descobertas", mas nunca tive muito esse fetichismo táctil dos materiais... ou então, se fosse coleccionador (de peças, de obras de arte, de imagens... ser fotógrafo, por exemplo) isso seria sempre algo distinto do meu percurso "intelectual", quer dizer, daquilo que de facto me desperta desejo, me suscita curiosidade. Fico sempre espantado com o olhar arregalado das pessoas para as novidades: para mim o mais banal que me rodeia é quotidianamente uma estranha e espantosa "novidade"... e penso ser isto uma sensação comum a muitos criadores, se é que posso pensar ou presumir que criei alguma coisa neste mundo.
Estou ultimamente a encontrar em Bernard Stiegler muitas coisas que vêm ao encontro desta minha peculiar encruzilhada: invulgar cultura e capacidade de conjugar pensamento e acção, visão crítica e acção voluntarista... ainda por cima vive em Paris e está sempre a magicar coisas interessantes! Sim! Passou a ser um dos meus professores...

Porto em tarde de verão: quando ele é melhor, e quando há tempo para ir visitar as plantas...2...

















fotos voj agosto 2009

Um pensador crucial: Bernard Stiegler

"Não há "cultura" nem "espírito" senão a partir do facto da técnica. Adoptar este ponto de vista tem consequências importantes no que respeita à crítica que se pode tentar fazer do conceito de indústria cultural elaborado por Horkheimer e Adorno."


in
"La Technique et le Temps. 3. Le Temps du Cinéma et la question du mal-être", Paris, Galilée, 2001, p. 67 (trad. minha)

Porto em tarde de verão: quando ele é melhor, e quando há tempo para ir visitar as plantas...

























fotos voj agosto 2009