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quarta-feira, 30 de abril de 2008

Llansol

(clicar na imagem para aumentar)

De surpresa em surpresa...


Hoje fui à FNAC e comprei este meu livro em 2ª edição... (a primeira é de 2000 e pelos vistos esgotou). Lá gastei cerca de 11 euritos para ter o prazer narcísico de ver o livro, com uma capa que contém três objectos do sítio de Castanheiro do Vento (em escalas diferentes... da I. do Ferro? romanos?...).
É certo que há meses tinha sido contactado pelo capista da Piaget (artista Dorindo Carvalho) para enviar uma nova imagem para a capa... até que hoje vi o livro.
Como diria o Fernando Pessa, e esta, hem?


Food crisis appeal from Sierra Leone foreign minister



Source: http://br.youtube.com/watch?v=bQhqbaqc42w

terça-feira, 29 de abril de 2008

ADECAP e JIA





Inscreva-se como sócio! Apoie esta associação, permitindo que ela continue a publicar a sua revista, o Journal of Iberian Archaeology (vol 11, de 2008)! Envie as suas quotas em atraso!
E assinale-me (para o meu e-mail) qualquer eventual falha de envio da publicação da nossa parte. O trabalho é muito. Obrigado.
Para se fazer sócio (a) copie e envie a ficha junta. Outras informações, contacte-me por mail, sff.





A preço de saldo....


Ver:
http://loja.campo-letras.pt/prod_details.php?categid=90&productid=507

Transcrevo:

Arquitecturas Sazonais (As) - Vítor Oliveira Jorge


PREÇO : €3.00
Antigo Preço : €12.60
Sobre o Livro : a função da escrita é esta:


abrir-se ao longo
das arestas vítreas
contendo até ao limite
a torrente obscura.

como se a língua percorresse
um gume de faca,
sem derramar uma gota.

como se o olhar
pudesse cegar-se nos brilhos
da água contida.


Outras Informações : ISBN: 9726106508
Nº de Páginas: 152
Peso: 200 g.
Dimensões 13,5x21 cm
Ano de Edição: 2003
Porto, Campo das Letras

patrimoine géologique

seg. Artur Gil, da lista de Geografia referida na mensagem anterior

"Excelente vídeo sobre Economia, Ecologia e Desenvolvimento para Educação Ambiental e Cívica: "A história das coisas":
http://video.google.com/videoplay?docid=-3412294239230716755&hl=en
Para divulgar por entre educadores e formadores! "

água

A edição mais recente da revista electrónica ECOSISTEMAS
(da Associação Espanhola de Ecologia terrestre)
é dedicada à temática dos recursos hídricos em ecossistemas e regiões deficitários em água.
Ver em: http://www.revistaecosistemas.net/


Fonte: geografia-pt@yahoogroups.com

segunda-feira, 28 de abril de 2008

O jogo da presença e da ausência


Na nossa experiência, circulamos permanentemente numa grande gama de situações e sentimentos, e dois pólos extremos dessa gama (entre múltiplos outros) podiam ser os da presença (por exemplo, a realidade estabilizada a tal ponto que permite a contemplação por parte de um sujeito imóvel) e da ausência, que tanto se pode manifestar na nostalgia de algo desejado ou de alguém amado, como no frenesim quotidiano que, acelerado, nos inclui num movimento que embebeda, entontece, e que nos faz esquecer a insuportabilidade da ausência. Pois esse frenesim não é mais que ausência, alucinação, incapacidade de estabilizar minimamente o que nos dá segurança e ancora à realidade.
A presença absoluta seria o que chamo o arquivo. O arquivo é a obsessão dele mesmo, o desejo de completude, a doença de guardar, de fixar, de não deixar escapar nada, de registar, e, sobretudo, de já viver para registar, quando o turista fixa a imagem para depois mostrar que a viveu, ou que viveu a experiência que a imagem sugere, quando na verdade o que viveu foi essa vontade de vir a representar. Ou seja, a chamada "informação" - e toda a vida é um fluxo e permanente criação de "informações" - já seria experienciada em função do arquivo. O arquivo antecipa-se à vida, os momentos vividos servem para ser recordados ou simplesmente para ficarem colocados, fichados, sob a forma de latências, no arquivo.
O arquivo, nas suas múltiplas formas, o registo, indo do museu ao documento guardado no computador, e a sua manipulação para os fins mais diversos, seriam a obsessão central da nossa sociedade. Essa obsessão começa na escrita, na inscrição pública e formal de um sentido sobre um suporte, mas poder-se-ia dizer que remonta a tempos bem anteriores. Digamos que arquivo e arqueologia têm a mesma raiz, são o que estabelece a ordem e a origem, confundidas. Porque algo aconteceu, e ficou registado de tal modo, esse algo faz fé, é trazido à presença, ao presente, para aqui fazer lei: e não é indiferente quem o traz, como o traz, etc. Como nenhum sentido é alguma vez unívoco, ou comummente partilhado de forma igual, toda a memória, nomeadamente colectiva, é sempre uma política, quer dizer, pressupõe intérpretes habilitados pelo seu poder a saber, decidir, o que é pertinente e não é, o que se dissolve e estrutura o social como senso comum, e o que deve ser banido ou condenado: um bem e um mal.
A possibilidade de tornar presente o ausente, de trazer à colacção o arquivado, de re-presentar, é evidentemente uma encenação política. O arquivo é um poço sem fundo, um monumento para também ver de fora e jamais lá penetrar, que está ali em grande parte como uma caixa negra (jamais alguém saberá tudo o que contém, nem mesmo o arquivista compulsivo, alucinado, o louco da memória), um repositório de mortos que se querem como tal, mas que no seu silêncio, na sua ausência, permitem o fluir da vida, a sua contingência - servem-lhe de contraponto. Acreditamos que em qualquer momento podemos tirar desse asilo ou desse túmulo a informação pertinente - e isso dá-nos paz para nos podermos esquecer um pouco, largarmo-nos no mundo como aves, libertos da tirania do passado.
A imaginação de que podemos ressuscitar o morto, reviver o passado, trazer os asilados para a vida, dar às múmias o sopro da existência, fazer do museu uma coisa viva, em suma, reconstituir o passado, confundindo arquivo e vida, tem a ver com uma vertigem patrimonial que se liga à necessidade de sutura, à vontade de recoser o que foi (ou é vivido agora como tendo sido) descosido, interrompido, incompleto. Reconstruir, reviver, recuperar, ir contra o fluxo do tempo: a nível global e a nível individual, ter a ilusão de poder, se não superar a morte, pelo menos adiá-la, ou iludi-la, precisamente, através de cápsulas onde o tempo não exista, ou seja tão lento que esteja perto de um não-tempo anterior, primordial - um tempo mítico, ou uterino.
A maior parte das pessoas atribui à história esta missão: mas no fundo toda a vontade de compreender e de medir o tempo (desde a astronomia à geologia ou à arqueologia) se baseia na mesma vontade: que nos seja dada uma narração, uma narrativa credível de como é que as coisas começaram e por que são como hoje nos aparecem na sua radical estranheza ou arbitrariedade. As pessoas temem essa arbitrariedade, querem leis, querem âncoras, querem explicações. Só os poetas e os artistas se comprazem em "pôr o mundo em estranheza", quer dizer, em admitir a nossa radical impotência para perceber seja o que for, seres humanos que somos num universo que nem conceptualizar conseguimos, porque a totalidade protectora (a que chamávamos Deus) não tem sentido. É demasiado simples para fazer sentido, e de qualquer modo a sua disfunção começou há séculos. Um só descrente, e Deus, de certo modo, estava morto. Mas a descrença generalizou-se, particularmente na nossa sociedade ocidental, e albergou-se a fé (ou o seu oposto, afinal teismo e ateísmo completam-se) apenas na intimidade de cada um, quer dizer, num arquivo pessoal não transmissível nem comunicável, ligado a uma noção de indivíduo e de consciência individual (a uma valorização da interioridade por oposição a uma exterioridade) que é alheia à maior parte dos povos. Esse arquivo, essa memória, essa crença na crença individual, pessoal e intransmissível, são também formas de alucinação, porque a divisão do indivíduo e da pólis, do sagrado e do laico, e mesmo a teoria da divisão dos poderes em que se funda a nossa sociedade é evidentemente também uma ideologia (quer dizer, uma arbitrariedade erigida em incontestabilidade) e um mito. Que nunca pomos em causa e que queremos impor a todo o mundo.
A importância do cinema, que de certo modo inaugurou o século XX, como ilusão do nosso tempo, compreende-se. Com os seus prolongamentos actuais na realidade virtual. Ele permite, no espaço bidimensional do écrã, criar uma tridimensionalidade nova, que nada tem a ver com a perspectiva centrada do quadro ou mesmo da fotografia: ele permite a ilusão absoluta, a presentificação da ausência, ou seja, ver a vida num écrã, e de certo modo penetrar nela, ser parte dela. A narrativa do cinema pode ser reconfortante - conta uma história como se a tivéssemos vivido, como se a estivéssemos a viver agora, como se fosse a nossa história - ou inquietante, na medida em que o cinema joga com o imaginário e pode ser visto como a re-presentação do inconsciente (o arquivo inacessível, imaterial e invisível, finalmente tornado visível, presentificado). Por alguma razão arqueologia, fotografia e psicanálise se desenvolvem todas mais ou menos ao mesmo tempo, a partir basicamente dos sécs. XIX e XX.
Centrada na visão, a nossa sociedade, o espectador da sociedade do espectáculo (tudo é imagem, estamos num mundo pós-textual, numa certa medida) pode agora "pela primeira vez", repetindo o carácter iniciático do rito (ele é sempre repetição e é sempre diferença), ver finalmente o passado. O cinema e a realidade virtual, num certo sentido, são a realização por excelência dos positivistas, dos maníacos do facto, do dado, da prova, do documento, do arquivo, da inscrição, da recuperação do já vivido. O cinema permite-nos ver e participar "em acto" na própria inscrição, naquilo que acontece e que deixa lastro, perdura. Voltamos a ser crianças a a fazermos unidade com o mundo, reconfortados. É a arte do entretenimento, do jogo puro. E, revivendo, pode-se (talvez) fazer o luto, mesmo daquilo que parece ter deixado uma inscrição inapagável, mesmo um horror que transborda para fora do dizível, como o Holocausto, instalando o espanto absoluto. Talvez os espantos se neutralizem uns aos outros...
A nossa sociedade inventou as origens. As origens são a natureza e nela o homem foi colocado como um ser natural que pela cultura, pelo trabalho e pelo engenho, pela experiência e pelo conhecimento, se foi artificializando e impondo à natureza. Ele próprio é atravessado no seu cerne por essa fractura (numa cartografia metafísica com a qual nos damos mal), a do corpo e a da alma. Mas é neste campo de conceitos que o senso comum vive, é deste caldo que ele se alimenta. E muita filosofia repousa aí.
Nas origens havia pois o homem primitivo, o selvagem (bom ou mau, são duas versões do mesmo, como aliás também a natureza pode ser mãe ou madrasta). E essa invenção do primitivo é o motor explicativo, o princípio racional, da nossa cultura ocidental. É a embraiagem para a narrativa da sua própria constituição. Daí que a narrativa das origens, do primitivo, do selvagem, funcionando como o outro de nós (o inculto, o analfabeto, o arcaico, etc) seja fundamental para nos percebermos a nós, para nos representarmos no que temos de presença positiva (o progresso, a civilização, o moderno) e de ausência negativa (a sabedoria da memória que não precisava de arquivo, o saber inscrito no corpo, a espontaneidade natural, enfim, toda a mitologia de um equilíbrio, de uma sabedoria e de uma religiosidade e ritualidade perdidas, de uma comunidade perdida). O conceito de primitivo (e, por extensão, de passado) é o motor central da nossa ideologia: mas nós também queremos pôr no arquivo esse ser pré-arquivístico, que nem escrita usava, e que nós inventámos na natureza como uma compensação para o que imaginámos ter perdido. Daí a pré-história, a arqueologia, que se substituem (mas em muitos casos repetem) as velhas cosmogonias. É desprendendo-nos, mas com mostalgia, dessa primitividade, que adquirimos o que temos hoje, o que somos hoje, incluindo a capacidade de nos pensarmos, de darmos um sentido ao sem-sentido básico do mundo.
Mas os senhores que controlam o arquivo apertam as malhas da vigilância, e o conhecimento, como instrumento do arquivo, sofistica as suas técnicas. O admirável mundo novo já está aí em pleno desenvolvimento.
Mas ele contém um vírus, que por enquanto está contido, mas pode vir a expandir-se. Esse vírus é o do pensamento crítico, que consegue algum recuo e por enquanto só é dirigido a uma elite, a pequena porção de pessoas que vai tentando escapar ao senso comum. A generalização da educação trará também (estarei a ser ingénuo?) a vontade de contraponto, de uma anti-educação que seja a fresta de outros futuros que não aqueles dos planeadores que, invocando princípios aparentemente perfeitos, actuam na verdade para consolidar um mundo de exclusão, de exclusão da maioria como seres humanos e, com muito maior força de razão, um mundo de seres humanos críticos.

A crítica, a distanciação, não é - ou não devia ser - uma decoração, nem um gosto de desconstruir "pós-moderno" (palavra insuportável de tanto usada levianamente) próprio de abastados. Não é uma inutilidade.
Na economia do conhecimento, e em geral na economia da vida e da consciência, muitas coisas estão a ficar fora de controlo. E se isso, cidadãos pacíficos, nos assusta, também nos deve mostrar que nem a história acabou, nem ela vai ser o aperfeiçoamento do sistema em que ninguém verdadeiramente acredita.

Precisamos de um outro jogo, com novos parceiros, com novos horizontes e com uma outra economia de possibilidades. Todos procuramos entrevê-lo.

Mesmo nas classes médias alastra a insatisfação dos jovens. "Algo está a acontecer aqui" que escapa ao controlo do arquivo, aos sistemas de vigilância, ao jogo do gato e do rato. O que está latente ou parece ausente irromperá, caracterizado, como sempre, pela surpresa.
E os que vivem colados às presenças das suas vidas "organizadas" confrontar-se-ão com o espanto à sua porta.



domingo, 27 de abril de 2008

Florença: baptistério do Duomo

Florença: Duomo - subida ao sublime







































































privilégio das estátuas

Os séculos passaram sobre mim
Tentando alcançar-te;
Mas sempre tiveste artes de me fugir
Apesar de estarmos apenas a um passo.

Vimos nascerem e morrerem gerações
E jamais mudámos o gesto a que nos comprometemos:
A pedra fixou-nos no sublime da consumação
Que vai acontecer a seguir, e jamais se dá.

Os miseráveis mortais vieram aqui estupefactos
Contemplar este vento que nos anima, e nos torna cúmplices
Mesmo, e por causa até, da tua permanente fuga.

Assim nos amámos para sempre, envoltos nas chamas
da Impossibilidade; no calor ardoroso do Mármore,
Obedientes ao Escultor que nos eternizou, e assim
Nos condenou para sempre a este prazer imenso.

Só os humanos que nos visitam querem ir para casa
Consumar na carne o Inatingível; mas olham-nos espantados
Desta glória cuja lógica lhes escapa, desta transfiguração
Em que a paixão, para durar, teve de sair para sempre da pedra,

E dela nunca mais sair; enquanto nós, imóveis,
Vivemos eternamente esta intensidade, sem jamais
Desmanchar a atitude, o lugar altíssimo,
O ponto em que juntam as nervuras,

E em que o nosso Orgasmo sempre adiado se consuma.


Homenagem a Bernini
voj 2008

Notável música, suprema exaltação


Morro

1
Morro, eis-me morrendo
Minha bela inimiga: ofendi-te demasiado.
Ousei elevar os meus pensamentos demasiado alto,
Peço-te perdão e em troca
Desejo um sinal de paz,
Nesta última e cruel partida,
Não quero abandonar a vida sem um beijo teu.

2
Choro o dia inteiro; e também de noite, enquanto
Os infelizes mortais gozam do seu repouso,
Encontro-me em lágrimas, e com os meus males acrescidos;
Passo assim o meu tempo a chorar.

Consumo os olhos em profunda tristeza,
E o meu coração em dor; sou o último
Dos animais, pois as flechas do amor
Sempre me mantêm banido de qualquer paz.

Sim, porque de um sol a outro
Ou de uma sombra até outra, já percorri
Uma parte desta morte a que chamam vida.

Sofro mais com a falta dos outros que do meu mal,
Pois que a Piedade viva, meu fiel conforto,
Vê-me arder no fogo, e não me presta ajuda.

Francesco Petrarca
Música de Cláudio Saracini (Florença, Inícios do séc. XVII) interpretada por
Le Poème Harmonique, direcção de Vincent Dumestre
Ed. alpha, 2007



(trad. minha do poema que corresponde à primeira faixa desta obra)
Imagem da capa: detalhe de Apolo e Dafne, por Gianlorenzo Bernini, Roma, Galeria Borghèse

the postpianoman surrender - a dance project by InThisSection -- juschkaWeigel



Idea + Concept Miguel Muñoz + Juschka Weigel

Direction + Choreography Juschka Weigel

Dramaturgy Xenia Leydel

Stage + Light Design Miguel Muñoz with the support of Simon T. Donger

Music Daniel Regenberg

Creation + Performance Laida Azkona + Jo Tan Chia Wei + Juanjo Ruano + Wayne Scott + Juschka Weigel

Choreographic Assistant Patricie Poráková




Acknowledgements María Teresa Alcaide + Jordi Soler




Production InThisSection-juschkaWeigel

Coproduction Mercat de les Flors (Barcelona)




with the support of Departament de Cultura i Mitjans de Comunicació de la Generalitat de Catalunya + Idee (Initiatives in Dance through European Exchange) + DeVIR-CAPa (Centro das Artes Performativas do Algarve) + Raravis - Andrés Corchero/Rosa Muñoz Companyia resident a Ca l'Estruch de Sabadell + Tanzfabrik Berlin + Institut Ramon Llull




Projecte Guanyador del 7è Premi d'Arts Escèniques de Lleida

--

Planificació de la filmació
Raimundo Morte, Ricard L. Befan

Filmació
Ricard L. Befan
Carlos Aguilar
Anne Standfuss
Raimundo Morte

Realització, edició i postproducció
raimundomorte.com

Source: http://www.youtube.com/watch?v=0tuvIeKmoU0

Juschka Weigel - InThis Section



El espectáculo "The pianoman surrender", de Juschka Weigel - InThis Section, en el Mercat de les Flors del 13 al 16 de diciembre de 2007

Source: http://www.youtube.com/watch?v=pfqbNT_tdcE

Pierre Klossowski, pensador menos conhecido




Ontem de tarde deliciei-me a ler este livro. Auto-prémio que a mim dei por 4 horas e meia de mestrado de manhã quando toda a gente estava na praia.

Está inserto numa colecção dirigida por José Bragança de Miranda. "Passagens". A tradução é de Ana Hatherly e saíu agora em Janeiro, na Nova Vega, Lisboa.
Sade como uma maneira de pensar a grande transição do antigo regime para a modernidade.
Transcrevo da badana:
"Amigo de Rilke, de Gide e de Bataille, Klossowski foi uma das figuras maiores do pensamento da Diferença, lado a lado com Michel Foucault, Giles Deleuze ou Maurice Blanchot."


sexta-feira, 25 de abril de 2008

mundo perfeito


Mundo perfeito
Fotografias de Fernando Guerra


28 de Abril de 2008, 18h30

Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto



Lançamento do livro "Mundo Perfeito"
Inauguração da Exposição


www.arq.up.pt

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Por aquele momento curto em que algo bascula e treme...



... por aquele momento único e curto em que o Ordem não oprime ainda:

25 de Abril!
Maio de 68!
e tudo o que aí virá de imprevisível e de perturbante, de surpreendente.

Por um mundo onde essa vontade de paixão irrompa de novo e se generalize, nem que seja por instantes.
Pelo inverosímil.



A comprar já e a ler compulsivamente!


Fifty Key Contemporary Thinkers: From Structuralism to Post-humanism (Routledge Key Guides)

(Routledge Key Guides) (Paperback)
by John Lechte


# Paperback: 435 pages
# Publisher: Routledge; N.e edition (30 Oct 2006)
# Language English
# ISBN-10: 041532694X
# ISBN-13: 978-0415326940

Source:
http://www.amazon.co.uk/Fifty-Contemporary-Thinkers-Structuralism-Post-humanism/
dp/041532694X/ref=sr_1_2?ie=UTF8&s=books&qid=1209068714&sr=1-2

triangulação

Disse-me:
estou preso na minha triangulação:
amo a companheira
desejo a desconhecida
adoro a imagem

e entre as três circula a minha fantasia.

Disse-lhe:
não tens outro remédio senão viver nessa desinquietação, ou estarias morto.
Mas:
não traias a companheira
não iludas a desconhecida
não te vicies na imagem.

Vive com o sofrimento e a alegria possiveis.
Convoca as três para o perímetro ardente da arte. Imola-as aí.

Videoconferência "Poder, Política e Propaganda", por Noam Chomsky e Workshop Dança do Ventre

Iniciativas - entre outras - do IRICUP - Universidade do Porto (Reitoria)
Ver aqui (fontes também das imagens):


quarta-feira, 23 de abril de 2008

dispositivo




Há muito tempo que me habituei a olhar o mundo como um dispositivo alucinado, uma espécie de permanente surpresa onde o que dantes apartava em duas metades se confundiu.
Eu dantes colocava de um lado a realidade, e de outro a fantasia.
A realidade era relativamente estável, e com ela eu tinha de lidar dia a dia, aprender-lhe as regras para poder sobreviver e afirmar-me neste mundo solar.
A fantasia era incontrolável e servia de complemento, nocturno e lunar, imprescindível à primeira. Nela eu sentia-me mais solto.
Mas cedo principiei a ter a impressão de que tal liberdade era tão fictícia e irreal como a realidade que me impunham como regra.
Comecei então a pensar se uma e outra não fariam parte do mesmo sistema de prestidigitação, do mesmo circo deste mundo sem sentido: duas arbitrariedades que me levavam na sua onda e que me queriam convencer de que eram possuíveis e controláveis por mim. Já entrevia como se pode ser tão ingénuo... e foi então que como numa vertigem percebi que tudo o que digo e faço é uma convenção, ou melhor um embutido de convenções que não tem sustentáculo, fundamento último, de qualquer espécie. A não ser o do escravo que se deseja manter como tal: obediente, dócil a uma ordem impositiva, que me manda obedecer aos seus mandamentos: agora trabalha, agora diverte-te. Agora produz, agora goza. Agora brinca, agora fica sério. Agora faz de conta que és o que os outros querem que sejas, agora faz de conta que és aquilo que tu imaginas que és. E comecei a aborrecer-me deste biombo, desta simplicidade, destes ritmos teatrais tão simples em que vivia e em que me parecia que os outros viviam também.
Não haveria uma terceira via, como em quase tudo?

Eu procurei isso em ti, na tua imagem despudorada, onde projectei o meu desejo de ver uma figura fora do código: uma figura solta, ainda com os cabelos ondulados e longos da antiga fantasia. Uns cabelos que me pudessem acariciar mas também puxar para o universo entre o sonho e a realidade, um universo alucinado sobre a alucinação das loucuras quotidianas.
Eu queria a tua imagem desprovida de qualquer sentimento.
A tua imagem nua, nua não por ter ou não roupas, nua não por estar ou não submetida e escrava, nua apenas por ser crua, violenta. Por me olhar desde um lugar que se podia imaginar como inteiramente desumano, como pós-humano.
Pois não estamos fartos de humanidade até ao vómito?
Pois não estamos de barriga cheia de boas intenções?
Eu queria-te assim, porno-gráfica, como um evento violento, irrompendo sem dúvida de um sistema de significações totalmente codificado, mas ainda relativamente desconhecido para mim. Um dispositivo que eu julgava poder manipular para além das ideias de bem e de mal, de belo ou sublime e de horrível, de atraente e de horripilante. Pois todos esses pólos me pareciam cansados, excitados até às exaustão pela fadiga de séculos e milénios. Cansava-me a poesia do belo e do horrível, esses lugares revisitados sem conta e cheios de excrementos.
Eu queria-te numa série de imagens, numa sucessão de poses, sabendo perfeitamente que o sítio para onde olhavas era uma retina fotográfica, e que esse sentido era a retina masculina. Tu não me pertencias mais do que a peça de carne pendurada no talho. E era precisamente como uma série de peças que eu te queria ver, descomposta, deformada, transfigurada, amoral. Para além ou para aquém de todas as reivindicações de humanidade, de sexualidade, de sensualidade, de erotismo. Tudo palavras horrivelmente impossíveis já de pronunciar, como pedaços de pedra-pomes que quiséssemos desfazer na boca, e nos partissem os dentes. Nem suportava ouvir a palavra amor, pois a sua simples invocação provoca-me uma fúria indescritível. Os biliões e biliões de vezes que foi usada em vão, como as decorações de quartos de criança, numa "bondade" eterna e insuportável. Eu queria de facto ver a crueza do dispositivo mais de perto, encenada numa das suas versões brutais. Só ver. Insisto neste último ponto.
E na verdade tu quase sempre olhavas nesta direcção. Tinhas uma face jovem, mas um enorme à-vontade nas várias figuras do dispositivo, da sucessão de cenas que decerto te mandaram compor: caminhando para cá, magra, com um vestido curto; depois trepando para uma mesa, de costas, e revelando já um pouco das nádegas e da roupa íntima, branca (perna no chão, joelho na mesa; haveria que descrever estes passos com mais minúcia); depois já de novo em pé, em frente à mesa, mas puxando o vestido para cima por forma a ver-se, frontalmente, a parte inferior, transparente, do underwear (esse gesto era "belo" pela expressão cénica de revelação que sugeria): depois de novo sentada na mesa, mas abrindo a roupa à frente, por forma a mostrares, sorrindo (sempre o rosto a concentrar as forças), uma espécie de ferida, ou chaga, com uma auréola rosada (como um morto que ainda orgulhamente ostenta a razão fatal que o atingiu); enfim, é impossível descrever os dezasseis passos desta via sacra em que terminavas em triângulo, oferecendo todo o centro à vista, e com os sapatos de salto alto como único adereço, desmesurados, um de cada lado da foto, numa espécie de apoteose triangular.
Nesse momento era impossível distinguir-te de qualquer ícone. Tanto podias ser uma Madona como um grande elefante pendurado do tecto. Não representavas nada. E nessa total submissão, tinhas a presença e a aura da arte, da grande arte. Isto é possível acontecer, e vem na tradição das primeiras imagens: se a seguir aparecesses morta, ou pendurada no guilho de um talho, também ficavas bem.
Pós-humana, aparição de ti mesma como mais nada, objecto puro, murro na cara dos conceitos. Eis a ética e a estética que acarinhamos.




Excelente site... com muita informação gratuita para download



http://www.4shared.com/


Obrigado a L.S. por esta dica !!

Registe-se e... comece a ler!








Cromeleque dos Almendres- Évora - um ponto de paragem obrigatório! Um dos recintos mais importantes da nossa pré-história




















Trata-se de um anfiteatro em estreita relação com a paisagem em último plano.

Muitos dos menires/estelas contêm gravuras (báculos, etc.) visíveis apenas com luz rasante.









VOJ e Leandro Surya. Foto Mércia Carrera (os dois últimos estudantes de doutoramento da Univ. do Porto, Faculdade de Letras)